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Teste: nova Apple TV tem bom hardware, mas sofre com conteúdo limitado
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Teste: nova Apple TV tem bom hardware, mas sofre com conteúdo limitado

Dispositivo da Apple traz locação de filmes (por US$ 0,99), hardware mais potente, filmes em HD e preço camarada (US$ 99)

Macworld/EUA

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Foto:

A Apple TV original, anunciada em 2006 e lançada nos Estados Unidos no início de 2007, foi a primeira experiência da Apple  como fornecedora de mídia via streaming "para a sala de estar". Quatro anos e três updates de software depois, o serviço continua a ser apenas um "hobby", como definiram os próprios executivos da empresa.

Com o lançamento da segunda geração do dispositivo, que já começou a ser enviada para os consumidores nos EUA, a Apple mudou dramaticamente a tecnologia no equipamento, ao mesmo tempo que redefiniu o público alvo do produto. É uma grande mudanç,a com um lado positivo muito bom, mas até o aparelho se tornar mais flexível, será uma tarefa em evolução. 

Antes de entrar em detalhes em relação ao funcionamento, é importante destacar as especificações de hardware. Praticamente a única coisa que o modelo atual tem em comum com seu antecessor é o nome: o anterior, prata e branco, era essencialmente um Mac mais despojado com um processador Intel de núcleo único e funcionando com uma versão modificada do OS X 10.4. Nele havia um disco rígido. O equipamento era maior do que um Mac mini, consumia muita energia e aquecia demais. 

Em contraste, o novo aparelho é preto, com um quarto do tamanho do original e rodando uma versão do iOS, assim como no iPhone, iPad ou iPod touch, reforçado com o mesmo processador A4 usado no iPad. A nova Apple TV possui armazenamento em estado sólido  (de 8 GB, de acordo com o iFixit), tem baixo consumo de eletricidade e não esquenta. Acima de tudo isso está o preço: ao contrário dos 229 dólares do modelo anterior, a nova versão (muito mais avançada) sai por 99 dólares.

Na parte de trás do dispositivo, há um plug para o cabo de força, uma entrada HDMI capaz de transmitir vídeo em HD e áudio digital 5.1 para a TV, uma porta óptica de áudio digital para conectar diretamente a um sistema de som surround, uma entrada Ethernet 10/100Base-T (caso o usuário prefira rede com fio ao Wi-Fi 802.11 a/b/g/n integrado a Apple TV), e uma entrada micro-USB que, de acordo com a Apple, é reservada para serviços e suporte (pelo menos até alguém inventar uma maneira de usá-la de outra maneira).

É necessário adquirir o  cabo HDMI para usar a Apple TV porque a Apple não inclui no kit. E caso a HDTV do usuário tenha suporte somente para entrada Component e não HDMI, sem chance de ter Apple TV funcionando. 

 

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Apple TV: novo modelo sofreu mudança de cor, tamanho e hardware 

O único tipo de transação financeira que acontece a partir do dispositivo em si é a locação de filmes e, pela primeira vez, de programas de TV. Já que a compra de conteúdo pelo iTunes requer ao usuário fazer o download do arquivo e armazenar em algum lugar, é preciso fazer isso do Mac ou de um PC, a partir do iTunes (a Apple TV vai executar essas compras naturalmente, mas é preciso fazer a compra no computador).

Sem um disco rígido, não há como sincronizar o conteúdo do computador com o Apple TV, logo, para exibir qualquer conteúdo que não seja da Internet, é preciso um Mac ou PC com iTunes 10.0.1 ou superior. Essa é uma grande mudança para os donos da Apple TV antiga, que tinham estocado um monte de conteúdo no HD do dispositivo e preferiam desligar os computadores antes de sentar no sofá para assistir alguma coisa.

Isso marca a primeira vez em que a Apple realmente aprovou o uso de seu próprio hardware para facilitar a execução de conteúdo pago, que não seja da própria empresa, porque a nova Apple TV oferece suporte completo para o serviço de streaming de vídeo Netflix (empresa americana de locação de filmes em DVD e Blu-ray pela internet ou correio; o serviço não está disponível no Brasil).

Montando  o equipamento
A Apple tem se destacado ultimamente no quesito empacotamento. A empresa afinou e eliminou o máximo de plástico e sobras possível, principalmente nos Macs e iPhones. A Apple TV segue esse caminho, e chega bem menor; dentro da caixa, há somente o dispositivo, o cabo de força, o controle remoto e um pequeno manual.

O controle remoto, por padrão, é o mesmo dispositivo infra-vermelho de alumínio vendido para Macs, mas com os botões ligeiramente mais levantados. Caso não seja fã do controle, é possível comandar a Apple TV pelo aplicativo Remote 2.0, lançado recentemente, que agora é universal para iPhone, iPod touch e iPad. Nesse último, deixa a interface muito mais expansiva e funcional.

Basta plugar o cable HDMI no aparelho de televisão HD e está pronto para uso. O problema aqui é que, para funcionar, é preciso inserir alguns dados e informações em um dispositivo como a Apple TV, que não possui teclado. O aplicativo Remove permite que o usuário insira o texto, porém somente se estiver compartilhando a mesma rede que a Apple TV (para isso é preciso digitar a senha do Wi-Fi e ID e senha do iTunes), tudo isso com o controle remoto. É um processo chato, no entanto, só precisa ser feito uma vez. 

Na primeira vez que tentamos alugar um filme, foram feitos alguns procedimentos de segurança: a empresa pediu os dígitos de segurança do cartão de crédito associado à conta no iTunes; feito isso, todas as outras locações aconteceram com alguns cliques, sem necessidade de identificação. 

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Minimalista: além do manual, o cabo, o dispositivo e o controle remoto são os únicos itens na caixa; e nada de cabo HDMI

 

Aluguel pelo iTunes
Com os serviços da Apple TV limitados a filmes e programas de TV, a maneira como o dispositivo enxerga a iTunes Store é completamente diferente: se algo não pode ser alugado, esse produto não existe para a Apple TV.

Esse é um dos casos nos quais os acordos da Apple com as empresas fornecedoras de conteúdo têm mais impacto na experiência do usuário. Se a companhia falha em fazer acordos de locação com grandes redes de televisão (NBC nos EUA, por exemplo) ou concorda em atrasar o aluguel de certos títulos por 30 dias depois do lançamento em DVD (é possível comprar Homem de Ferro 2, mas não alugá-lo), isso pode deixar a seleção de conteúdo da Apple TV pobre.

Apesar do novo dispositivo da Apple não armazenar os conteúdos adquiridos permanentemente, fica a dúvida se pode existir um jeito dos usuários que comprarem vídeos que não estejam disponíveis para locação, de alguma forma baixá-los em um Mac ou PC conectado.  Fica um pouco sem sentido pelo fato de  que o usuário pode alugar um programa de TV por 1 dólar, mas não comprá-lo por 3. Para isso, é preciso ligar o computador e usar o iTunes. 

Streaming pelo computador
Assim como antes, ainda é possível fazer streaming de conteúdo armazenado em uma biblioteca do iTunes para a Apple TV. O novo equipamento, entretanto, muda o modelo de como esse processo funciona: uma vez conectado à biblioteca, os materiais são exibidos nos menus My Movies, My TV Shows, Music, entre outros. 

A mesma coisa pode ser feita usando o recurso Home Sharing do iTunes. Basta selecionar no player Advanced, Turn On Home Sharing, fazendo com que o usuário insira o ID e senha do iTunes Store. Uma vez ligado o Home Sharing, é possível selecionar conteúdos do iTunes de um computador sincronizado, escolhendo a máquina no menu da Apple TV. Apesar de mais fácil, esse processo requer que ambas as partes utilizem a mesma conta da iTunes Store. Logo, caso haja mais de uma conta na casa, o usuário não vai conseguir fazer a transferência de todo conteúdo sem esforço extra. 

A maneira como esse streaming é feito também é importante; com uma capacidade de armazenamento pequena – que é reservada principalmente para buffering de streaming de conteúdo – a nova Apple TV não permite que os arquivos da biblioteca do iTunes sejam transferidos para o dispositivo. Tudo é a partir de streaming online (iTunes, Netflix, YouTube, Flickr, MobileMe, entre outros) ou de um Mac ou PC. 

Performance melhorada
Muitos usuários da geração anterior criticavam o desempenho do aparelho; o dispositivo só podia exibir vídeos em HD 720p se fossem a 24 frames por segundo. Mas isso é coisa do passado: o novo Apple TV executa esses conteúdos em 720p, sem dificuldades, sem queda de frames ou travar, além da interface muito mais responsiva aos comandos.

 

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Exibição de vídeos 720p em HD agora funciona sem travar nem perder qualidade 

O novo Apple TV também esquenta menos do que antes, devido ao fato de que não há mais um disco rígido rodando, o que produz muito calor. Na verdade não há partes móveis, nem mesmo um cooler. De acordo com a companhia, o dispositivo consome pouco mais de dois watts em uso normal, e menos de um watt em repouso. Durante os testes, incluindo algumas horas de funcionamento e uma hora de streaming de vídeo 720p, o equipamento não ficou quente. 

Multiplataforma?
Paira no ar a dúvida se a base iOS do Apple TV seria a porta de entrada para o equipamento se tornar uma plataforma de games. Há muitos jogos para iOS no mercado, e se eles pudessem ser adaptados para a televisão (utilizando os dispositivos iOS como iPod touches e iPhones como controles de Wii, completos com giroscópios e acelerômetros) isso poderia significar um potencial imenso. Ainda assim, é difícil mensurar como essa possibilidade pode se comportar – certamente não aconselhamos ninguém a comprar uma Apple TV na esperança de que o dispositivo se torne um console – entretanto é uma possibilidade interessante. 

Conclusão
A nova Apple TV é um upgrade de hardware espetacular em comparação ao modelo anterior.  O aparelho é fácil de usar e alcança excelência em três tarefas: exibir conteúdo de computadores locais com iTunes, alugar material do iTunes através da Internet e suporte ao streaming do Netflix. Mas que de alguma forma são dificultadas pela limitada seleção de programas de TV disponível para locação, além do bloqueio de um catálogo extenso de itens para compra. E até a Apple expandir as capacidades do equipamento, seja adicionando suporte para outros serviços de streaming ou abrindo o dispositivo para desenvolvimento terceirizado, o produto está fechado para poucas fontes de conteúdo. 

Entretanto, a 99 dólares nos EUA, essa caixinha é um bom negócio, caso o usuário tenha uma HDTV e tenha feito algumas compras no iTunes. Quando o iOS 4.2 estiver disponível, detentores de iPhone e iPad poderão usufruir do AirPlay, uma ótima maneira de transferir o conteúdo dos dispositivos para a tela da televisão. E caso o cliente seja usuário tanto do iTunes quanto do Netflix, o produto é uma mão na roda. Esse é um bom aparelho, que tem potencial para tirar esse rótulo de hobby e se tornar uma boa pedida – mas ainda faltam algumas peças para o quebra-cabeça ficar completo.

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