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Wave é a “nova onda” da Samsung
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REVIEW

Wave é a “nova onda” da Samsung

Equipado com processador de 1 GHz, smartphone é o primeiro modelo a chegar ao mercado equipado com o novo sistema operacional Bada

Rafael Rigues

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Foto:

O Samsung Wave (SB8500) é o mais novo smartphone da Samsung no mercado nacional, e também o primeiro modelo da empresa equipado com o sistema operacional Bada, desenvolvido pela própria Samsung e projetado para concorrer com gigantes como o iOS, e Android, membros da “velha guarda” como o Symbian e novatos como o Meego.

O hardware impressiona: o processador é um ARM Cortex A8 de 1 GHz desenvolvido pela própria Samsung e, especula-se, muito similar ao A4 usado no iPhone 4 e iPad. A tela é um show à parte (veja mais abaixo) e a memória interna de 1.5 GB pode ser expandida a 32 GB com cartões microSD.

Em termos de conexões ele é completo, com 3G, Wi-Fi (802.11 b/g/n), Bluetooth 3.0 e A-GPS. A parte multimídia é composta por uma câmera de 5 MP com flash e rádio FM. Felizmente a Samsung optou por usar conectores padrão em todo o aparelho: um mini USB para recarga da bateria (que pode ser feita com o aparelho plugado a um PC ou com o carregador incluso) e transferência de dados, e um conector de 3.5 mm para fones de ouvido. 

Tudo isso é abrigado em um aparelho muito compacto: ele é um pouco mais fino que um iPhone 3G (10,09 mm) e mede 11,8 x 5,6 cm, pesando apenas 118 gramas. É quase tão fino quanto o iPhone 4, e 19 gramas mais leve.

Junto com o aparelho a Samsung inclui fones de ouvido com microfone, um carregador USB, cabo USB (usado no carregador e para trasferência de dados para o PC) e um cartão de memória no padrão micro SD com capacidade de 8 GB.

Ah, a tela...

A coisa que mais chama a atenção no Samsung Wave é a tela de tecnologia “Super AMOLED”: simplesmente não há tela mais bonita em um smartphone no mercado nacional. As cores são vivas, e a nitidez, brilho e contraste são ótimos. Não há problemas com distorção da imagem ou de cores devido ao ângulo de visão, típicos de telas LCD: a imagem é perfeita vista de qualquer jeito. 

A tela tem 3.3 polegadas (mas como o aparelho é muito fino e estreito, parece maior) e resolução de 480 x 800 pixels. É perfeita para vídeos, especialmente clipes em alta resolução (mais sobre isso adiante).  Mas há um porém: telas Super AMOLED tem péssima visibilidade sob a luz do sol, o que pode ser um problema se você passa o dia inteiro “na rua” e precisa usar constantemente o celular.

Aumentar o brilho ajuda a amenizar o problema, e a Samsung teve a idéia de incluir um modo de “Visibilidade Exterior” no aplicativo da câmera para amenizar o problema na hora de fotografar sob a luz do sol. 

Fotos, vídeo e multimídia

A câmera do Samsung Wave tem 5 MP, com foco automático e flash LED. Durante o dia, e em ambientes bem iluminados em geral, as fotos são ótimas, com boa nitidez e cores vibrantes. Vídeos gravados nas mesmas condições também são muito bons, e o usuário pode escolher entre várias resoluções para a imagem, entre elas VGA (640 x 480 pixels), DVD (720 x 480 pixels, também chamada D1) e HD (1280 x 720 pixels).

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Foto diurna: boas cores e ótima nitidez

Já durante a noite a coisa muda de figura. O flash é forte demais e tende a “lavar” a imagem, especialmente os objetos muito próximos (a menos de 1 metro) da lente. Nas fotos nota-se uma perda geral de nitidez mesmo com flash, resultado de um esforço da câmera para esconder o ruído na imagem “borrando” os pixels para que fique menos evidente. Já nos vídeos o ruído é óbvio e muito intenso, dando a toda a imagem um aspecto bastante granulado.

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Detalhe de foto noturna: pouca nitidez e muito ruído

Assim como outros smartphones e câmeras da Samsung, há uma série de ferramentas para edição de imagens, entre elas recorte, rotação, correção de cor e ajuste de exposição e uma grande variedade de efeitos especiais, cliparts e ferramentas para inserção de texto. Também há um software para edição de vídeo, que permite a criação de clipes misturando fotos, vídeos e músicas armazenadas no aparelho.

Como todo smartphone moderno, o Wave também funciona como “Personal Media Player”, tocando músicas (em MP3 e outros formatos) e vídeo. A qualidade de som é excelente, mas é a reprodução de vídeo que merece destaque: ele é capaz de tocar vídeo em alta definição (1280 x 720 pixels), em formatos como o DiVX e MPEG-4. Não bastasse isso, também reconhece legendas (no formato .SRT), o que o torna perfeito para quem é fã de seriados norte-americanos e baixa novos episódios na internet: basta copiar os arquivos de vídeo e legenda para o aparelho, sem conversão nenhuma, e assistir.

Desempenho

O Samsung Wave tem um processador de 1 GHz que, especula-se, é idêntico ou muito similar ao A4 utilizado pela Apple no iPad e iPhone 4G (ambos teriam sido desenvolvidos pela Intrinsity, que prestava serviços à Samsung e mais tarde foi adquirida pela Apple). O aparelho é sem dúvida bastante ligeiro, respondendo sem demora aos comandos e gestos do usuário e montando páginas web instantâneamente.

Mas a melhor demonstração do poderio do Wave é o jogo Asphalt 5, da Gameloft, incluso com o aparelho. Este divertido game de corrida onde “vale tudo”, de nitro a esmagar os inimigos contra a parede, é simplesmente idêntico à versão disponível para o iPhone 3GS e iPad, até o último polígono. O mesmo pode ser dito de Edge, da Mobigame, um quebra-cabeças onde é necessário guiar um cubo através de cenários cada vez mais complexos.

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Asphalt 5: idêntico à versão para o iPhone 3GS e iPad

Infelizmente os outros jogos inclusos, como versões de demonstração de Guitar Hero 5, Crazy Penguin e Tetris, são extremamente simples e não chegam nem perto de fazer jus ao poder do Wave. E a categoria “jogos” na loja Samsung Apps é incrivelmente vazia: apenas dois títulos, e um deles é um simples quebra-cabeças para crianças.

» Continue lendo para saber mais sobre: Bada, aplicativos e autonomia de bateria

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Bada? Que é isso?

O Wave é o primeiro smartphone equipado com o novo sistema operacional Bada, desenvolvido pela própria Samsung. Tecnicamente ele é baseado em Linux, assim como o Android da Google e o Maemo da Nokia, mas tem características e aplicativos próprios.

A interface lembra muito a do iPhone OS (agora iOS) da Apple, com toques de Android e TouchWiz (a interface usada em outros aparelhos da Samsung) aqui e ali. Fica claro que a Samsung estudou todos eles e aproveitou as melhores idéias de cada um: o menu de aplicativos, por exemplo, é “iPhone puro”, bem como o sistema de multitarefa (para alternar entre aplicativos e fechá-los). A barra de notificação no topo da tela, que pode ser puxada para revelar um painel com informações sobre mensagens ou ajustes do aparelho, vem do Android, e os widgets serão bem familiares para quem tem um smartphone Samsung com TouchWiz.

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Menu de aplicativos do Bada

Isso não é ruim, pelo contrário: o Bada é um sistema novo, e todo sistema novo requer um período de adaptação. Mas graças às similaridades pude “pular” de um smartphone Android para o Wave e me sentir confortável em não mais do que cinco minutos, sem ler o manual. Colegas acostumados ao iPhone relataram a mesma sensação.

O Bada tem suporte a multitarefa (coisa que o iPhone só ganhou com o recente iOS 4) e copiar e colar, e o navegador roda animações em Flash. Além dos aplicativos próprios para o sistema encontrados na loja Samsung Apps também há “widgets”, pequenos aplicativos com informações curtas (como as últimas mensagens no Twitter ou a previsão do tempo) que moram em uma das até 10 telas iniciais que podem ser personalizadas ao gosto do usuário.

Entretanto a oferta de aplicativos, que afinal de contas é o principal atrativo em um smartphone moderno, é limitada: a categoria “Jogos”, por exemplo, tem apenas três itens. “Entretenimento” tem 55 itens e “Música e Vídeo” tem apenas 4. No total são 317 aplicativos. Isso é normal em um sistema operacional que ainda está começando, mas chocante para quem está acostumado aos 65 mil títulos no Android Market ou 225 mil na App Store da Apple.

Dito isto, devo notar que o Wave já vem com a maioria dos aplicativos dos quais você pode precisar no dia-a-dia: navegador, clientes de e-mail, mensagens instantâneas e redes sociais (incluindo Facebook, Orkut e Twitter), YouTube, mapas, visualizador de fotos e vídeos, MP3 Player, Rádio FM, Gravador de Voz, utilitários diversos (lista de tarefas, relógio, calendário, gerenciador de arquivos, calculadora, etc) e até alguns jogos.

É muita coisa, mas sem uma loja de aplicativos forte você perde o “fator surpresa” de um belo dia “tropeçar” em um aplicativo que não conhecia e descobrir que seu aparelho pode fazer algo que você nem imaginava.

Mas o Bada não é perfeito, e tem algumas “excentricidades” que atrapalham no dia-a-dia. Por exemplo: o teclado virtual é bastante preciso, mas no modo retrato fica “apertado” na tela, o que é normal. A solução é deitar o aparelho (modo paisagem), o que torna o teclado muito mais espaçoso e fácil de usar. O problema? Isso não funciona em todos os aplicativos, entre eles o cliente Twitter.

Outro: sempre que o aparelho não está conectado a uma rede Wi-Fi, vários aplicativos (entre eles a câmera) insistem em perguntar a cada vez que precisam acessar a Internet que conexão devem usar. Depois de responder “Use o 2G/3G” pela décima vez no dia, comecei a me irritar. Samsung, custava colocar um botão ou opção de “redes preferidas”?

O navegador não faz o refluxo do texto, o que torna a leitura de alguns sites bastante incômoda. Explico: em smartphones Android o navegador adapta a largura das colunas de texto à largura da tela, mesmo quando você usa o zoom, o que evita a rolagem lateral da página. No Bada você pode dar dois toques em uma coluna de texto para dar “zoom” na página na medida certa para que ela ocupe toda a largura da tela, mas em alguns sites isso não é suficiente, e você fica se perguntando se os pontinhos pretos na tela são letras ou se alguma mosca passou por ali.

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Navegando no Wave: texto sem zoom muitas vezes é pequeno demais

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Com zoom o navegador não redimensiona a coluna de texto, que não cabe inteira na tela

Os widgets na tela inicial são bonitos e úteis, mas ocupam espaço demais. É fisicamente impossível colocar na mesma tela um calendário e uma caixa de buscas do Google, por exemplo, porque a caixa é grande mais. O resultado é que o usuário fã de widgets acaba tendo de criar um monte de telas iniciais (é possível ter até 10) com um widget por tela, cercado por um monte de espaço vazio.

Outros problemas são mensagens de erro incompreensíveis (como “Erro de Rede - 0xFF21”) ou alertas de falta de memória quando há muitos aplicativos abertos. Há várias formas de lidar com esta situação: smartphones Android simplesmente fecham aplicativos que não estão sendo usados há algum tempo. Já smartphones Windows Mobile geralmente congelam. O Bada faz como o Android, mas faz questão de interromper o usuário e deixar bem claro que “Ai meu Deus, faltou memória!!” com uma mensagem dizendo qual aplicativo foi fechado, e porque. Falta de informação é ruim, mas informação demais pode ser pior.

Autonomia de bateria

A duração da bateria é uma das principais reclamações dos usuários de smartphones, e nesse quesito o Wave surpreendeu. Tirei ele do carregador às 9 da manhã e o submeti a minha rotina normal de uso, que não é intensa: naveguei na internet via 3G por cerca de uma hora e meia, tirei meia dúzia de fotos, fiz algumas chamadas, enviei SMS. Durante todo o tempo a interface Wi-Fi estava ativada, procurando novas redes, e o aparelho foi configurado para baixar e-mails e mensagens do Twitter a cada meia hora. 

Com esse perfil, só recebi um alerta de bateria baixa às 01:17 da manhã, uma autonomia total de 16 horas e 17 minutos. Compare com aparelhos como o Motorola Dext, um smartphone Android que no mesmo perfil de uso chegou a 8 horas de autonomia. Não duvido que o Wave possa aguentar com folga um “dia útil” inteiro mesmo sob uso mais intenso. 

Conclusão

O Samsung Wave é sem dúvida um excelente smartphone, tecnicamente capaz de competir em pé de igualdade com os iPhones e Androids do mercado, mas tem um ponto fraco extremamente importante: a falta de aplicativos, combinada a um preço alto: R$ 1.899, sem subsídios de operadora.

Por apenas R$ 100 a mais é possível adquirir um Sony-Ericsson Xperia X10 (R$ 1.999), que tem tela maior (4 polegadas), câmera melhor (8.1 MP) e 65 mil aplicativos à disposição no Android Market, que o tornam muito mais versátil que o aparelho da Samsung.

O Samsung Wave e o sistema operacional Bada tem potencial, mas a não ser que você esteja satisfeito com os recursos e aplicativos inclusos “de fábrica”, recomendamos esperar para ver se esse potencial se concretiza.

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