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Windows 8 melhora, mas ainda não sabe o que quer
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Windows 8 melhora, mas ainda não sabe o que quer

Primeira prévia do sistema para o consumidor final é mais estável e traz mais recursos, mas ainda não decidiu se quer ser um “PC” ou um “tablet”.

Rafael Rigues, PCWorld Brasil

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Lançado nesta quarta-feira o Windows 8 Consumer Preview, primeira amostra pública do próximo sistema operacional da Microsoft, é bem diferente do Developer Preview, voltado aos desenvolvedores e lançado em Setembro passado.

Nos últimos cinco meses o sistema amadureceu, ganhou estabilidade e recursos e agora é possível ter uma idéia muito mais clara da direção na qual a Microsoft está seguindo: ela quer deixar seu PC tão fácil e divertido de usar quanto um tablet, e está disposta a revirar tudo o que conhecemos nos últimos 27 anos de Windows para conseguir. A pergunta é: será que os usuários vão aceitar isso?

Antes de continuar, recomendo que leia nossa análise da versão Developer Preview do Windows 8, onde falamos mais sobre a interface Metro, seus novos conceitos e o desempenho do sistema. Aqui falaremos principalmente das mudanças em relação à versão anterior.

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O hardware

O Windows 8 Consumer Preview é um sistema bastante leve. Os requisitos mínimos são um PC com um processador de 1 GHz, 1 GB de RAM (na versão de 32 Bit, 2 GB para 64 Bit), 16 GB de espaço livre no HD e uma placa de vídeo compatível com DirectX 9. Ou seja, praticamente qualquer PC fabricado nos últimos anos pode rodá-lo, inclusive netbooks.

Só é preciso prestar atenção em um detalhe, a resolução de tela. Para ver a nova interface “Metro” é preciso ter um monitor com resolução de pelo menos 1024 x 768 pixels. Para rodar dois aplicativos Metro lado-a-lado na mesma tela será necessário um monitor com resolução de 1366 x 768 pixels.

Rodei o Windows 8 em um PC Desktop com um processador Intel Core 2 Duo de 1.83 GHz, 2 GB de RAM e HD de 120 GB, ligado a um monitor LCD Widescreen de 19 polegadas e resolução de 1600 x 900 pixels. É uma máquina que foi adquirida há mais de quatro anos, e o sistema se comportou muito bem.  Depois de instalado ele ocupou pouco mais de 12 GB de espaço em disco. Todo o processo não levou mais do que 20 minutos.

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A "Tela Iniciar" substitui o Menu Iniciar no Windows 8

Mas lembre-se de que o Windows 8 Consumer Preview é um beta, ou seja, software inacabado. Você não deve usá-lo como o único sistema operacional em seu PC, especialmente em uma máquina de trabalho. Em poucas horas de testes vi aplicativos se comportando de forma estranha, notei a ausência de recursos importantes e até mesmo vi um crash do sistema. Isso é comum em um beta, e não irei julgar o sistema por estes deslizes. Você foi avisado.

O que mudou?

A primeira mudança que notei foi logo no processo de instalação. Se você usa os serviços Windows Live (como Hotmail, Messenger, Skydrive) pode vincular sua conta ao sistema e usá-la para fazer o login. Com isso você ganha algumas vantagens: o programa de e-mail (Mail) e a lista de contatos (People) serão pré-configurados, seus documentos do Skydrive aparecerão como por mágica no PC e suas preferências como papel de parede, imagem da conta, configurações de privacidade e outras serão sincronizadas automaticamente entre todos os computadores onde você usar esta mesma conta.

Já dentro do sistema é possível notar que há muito mais aplicativos instalados. Entre eles o Bing Mapas, Photos (galeria de fotos, com integração ao Facebook e Flickr), Mail (e-mail, com integração ao Exchange), Calendar (calendário), Messaging (mensagens instantâneas), Video, Music, Xbox LIVE Games e Xbox Companion (os quatro não funcionam no Brasil), um cliente para o Skydrive, dois jogos (Pinball FX 2 e Solitaire) e uma das principais novidades, a loja de aplicativos (Windows Store).

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Photos: integração com o Facebook e Flickr

Assim como a App Store em um iPhone ou o Android Market em um smartphone Android, a Windows Store é seu ponto de partida para conseguir novos aplicativos para seu PC. Na verdade ela será o único local de onde baixar e instalar aplicativos adaptados à nova interface Metro. O catálogo contará com programas gratuitos e pagos, embora no momento apenas os gratuitos estejam disponíveis.

Usar a loja é muito fácil: ela é organizada em categorias, como jogos ou produtividade. Dentro de cada categoria há aplicativos, e cada um tem sua própria página com descrição, informações sobre o desenvolvedor, fotos do app rodando, notas e comentários deixados por outros usuários. Para instalar um app basta clicar no botão Install. Pronto! O sistema se encarrega de fazer o download, instalar o aplicativo e criar um ícone para ele na tela inicial. A loja também atualiza os aplicativos instalados, avisando quando há uma versão mais nova disponível.

Curiosamente alguns aplicativos que existiam no Developer Preview do Windows 8, como o cliente Twitter Tweet@rama e o Piano não existem mais, nem pré-instalados nem na Windows Store. Especialmente no caso do Tweet@rama isso é uma pena, já que não há nenhum cliente outro Twitter para o Windows 8 disponível.

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Windows Store: aplicativos otimizados para a nova interface

Também há algumas mudanças na interface. A mais importante delas é que pela primeira vez em 17 anos não existe mais um “Menu Iniciar” no Desktop. Para voltar à tela inicial basta jogar o cursor do mouse no canto inferior esquerdo da tela. Aliás todos os cantos servem como atalhos: o canto superior esquerdo abre uma lista de aplicativos em execução (como o Alt + Tab), e os cantos superior e inferior direito abrem a barra de atalhos com opções como busca, compartilhamento de conteúdo e acesso às preferências do sistema (Settings)

Tudo integrado

Uma coisa que me chamou a atenção foi a integração entre os aplicativos e entre conteúdo online e offline. Um exemplo: se você configurar sua conta do Flickr no aplicativo Photos, suas imagens estarão disponíveis para todos os aplicativos do sistema. Eles não precisam saber “conversar” com o Flickr: elas simplesmente vão aparecer junto com as outras imagens armazenadas localmente. O sistema se encarrega de fazer o “meio de campo”.

Também é possível encadear aplicativos para realizar uma tarefa, o que é muito útil no dia-a-dia. Outro exemplo: quero editar uma foto das férias e mandar por e-mail para uma amiga. Abro um editor de imagens como o Ashampoo ImageFX (grátis na Windows Store) e clico em File Picker para abrir a foto. Mas em vez de escolher uma foto no HD, posso abrir dali o aplicativo Photos para escolher uma das fotos que estão em minha galeria do Flickr.

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Integração entre aplicativos é transparente

Escolho a foto, aplico alguns efeitos e só falta enviar. Como? Basta abrir a barra de atalhos, clicar em Share e surgirá uma lista com todos os aplicativos que podem ser usados para enviar uma imagem. Escolho Mail e automaticamente um painel se abre na lateral direita da tela, com uma nova mensagem de e-mail e a imagem em anexo. Só preciso dizer para quem enviar e clicar em Send.

Usei três aplicativos nesta tarefa, mas eles são integrados de forma transparente e parece que fiz tudo de uma vez só. No Windows 7 o processo seria algo como “abra o navegador, acesse o Flickr, baixe a imagem, abra o editor, abra a imagem, aplique o efeito, salve a imagem, abra o e-mail, crie uma nova mensagem, clique em anexar arquivo, escolha o arquivo...”

Entre dois mundos

Uma coisa que notei no Developer Preview, e que ainda acontece no Consumer Preview, é que o Windows 8 se comporta como se fosse dois sistemas operacionais diferentes. Um é colorido, modernoso, com cara de tablet e cheio de animações. O outro é o Windows de sempre, com um desktop, ícones e barra de tarefas.

Isso não seria um problema tão grande se fosse possível escolher um deles e ignorar o outro. Mas não é assim que as coisas funcionam: no dia-a-dia o usuário vai se ver constantemente “mudando de lado”, o que pode gerar muita confusão, especialmente nos menos experientes.

Vou dar um exemplo: você começa o dia na interface Metro, lê alguns e-mails no Mail e navega por seus sites de notícias favoritos usando o IE. Aí se lembra de que precisa copiar alguns arquivos de um pendrive pro micro e clica no Windows Explorer. BAM! Em um clique a interface Metro desaparece da tela, e em seu lugar surge o desktop tradicional.

Você se recupera do susto, termina a cópia dos arquivos, aperta a tecla Windows no teclado e... BAM! O desktop (e todas as janelas que estavam abertas) desaparece da tela e a interface Metro volta à ativa. Você escreve alguns e-mails e um colega de trabalho lhe chama no MSN (Messaging) para cobrar uma proposta atrasada para um cliente. Você abre o Office para dar os retoques finais na proposta e... BAM! Está de volta à interface desktop. É necessário manter dois “mapas mentais” de onde estão as coisas, o que é suficiente para deixar qualquer um perdido.

Cada interface tem sua própria organização e comportamento, sem falar no visual completamente diferente. Quer abrir um programa na interface Metro? Dê um clique na tile dele na tela inicial. Na interface Desktop? Dê dois cliques no ícone. Precisa selecionar múltiplos itens no desktop? Shift + Clique em cada um deles. Na Metro? Clique com o botão direito. Desinstalar um programa no Desktop? Use o painel de controle. Na Metro? Clique com o botão direito na tile correspondente e escolha Uninstall. Até os papéis de parede das duas interfaces são independentes!

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O Desktop ainda existe, mas é um mundo à parte

Sem falar nas coisas que estão espalhadas: a interface Metro tem um painel de controle com ajustes básicos (jogue o cursor do mouse para o canto superior direito da tela, clique na engrenagem e em “More PC Settings” no rodapé da barra lateral), mas muitas opções não estão lá. Quer mudar a resolução de tela, adicionar uma impressora ou configurar uma nova conexão de rede? Você vai ter que fazer isso no Painel de Controle da interface Desktop.

É fato que muitos usuários menos experientes já se perdem quando um simples ícone muda de lugar. Imagine o que vai acontecer se eles virem a interface inteira mudar?

Veredito

O Windows 8 certamente é inovador e promissor, e traz vários recursos que podem simplificar o dia-a-dia, como o encadeamento de tarefas. Mas o “vai e vem” entre o velho e o novo me preocupa. Um colega de redação resumiu esse comportamento perfeitamente: o Windows 8 é bipolar. E até a Microsoft arranjar uma cura para isso, prepare-se para ouvir muitas reclamações e pedidos de ajuda.

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