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Zeebo é o “videogame para o próximo bilhão”
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Zeebo é o “videogame para o próximo bilhão”

Com preço acessível e jogos em português, console desenvolvido no Brasil consegue divertir

Rafael Rigues

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O Zeebo, console de videogame originalmente desenvolvido através de uma parceria entre a Tectoy e a Qualcomm e atualmente mantido pela Zeebo Inc, é controverso. Para os gamers mais ferrenhos, criados com um joystick de SNES na mão desde o berço, ele é um “fiasco”, com gráficos “ultrapassados” e jogos “chatos”.

Ignore-os, pois eles não são o público-alvo do console. O Zeebo foi desenvolvido para o próximo bilhão de pessoas que segundo estimativas entrarão na classe média nos próximos cinco anos, em países como o Brasil, Índia, Rússia e China. Pessoas com baixo poder aquisitivo, mas que querem se divertir e nem sempre tem acesso aos consoles “do momento” como o PlayStation 3, Xbox 360 e Nintendo Wii.

Mais especificamente, o público-alvo são crianças e adolescentes, para os quais o lema “jogue, navegue e aprenda” cai como uma luva. Além de jogar, é possível navegar na internet em um ambiente seguro (algo importante para os pais) e ter acesso a conteúdo educativo, entre eles quatro títulos com os personagens da Turma da Mônica, recentemente anunciados e que estão sendo produzidos em parceria com a Maurício de Souza Produções.

Sob essa ótica, e com precinho camarada de R$ 299 (incluindo três jogos), o console faz muito mais sentido. Em vez de bater de frente com os gigantes do setor de games, o Zeebo “come pelas beiradas”, preenchendo os buracos deixados pelos japoneses e norte-americanos.

A idéia é atraente, e o potencial de crescimento é enorme. Mas deixando o mercado de lado, a pergunta é: dá pra se divertir? Pode apostar que sim.

O pacote

O Zeebo à venda atualmente no Brasil é um pouco diferente do modelo lançado em Novembro de 2008. O console em si é exatamente o mesmo, o que mudou foi o pacote de acessórios. 

O modelo original incluía o console e um joystick batizado de Z-Pad, que lembrava o Classic Controller do Nintendo Wii. Mas recentemente chegou às lojas um novo pacote que troca o Z-Pad por um joystick mais ergonômico chamado “Dragon” e adiciona um teclado USB usado durante o acesso à internet. A boa notícia é que quem já tem um Zeebo poderá receber o novo joystick e o teclado gratuitamente, basta entrar em contato com o SAC (0800-9332627) e fornecer os dados para entrega.

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O "novo" Zeebo tem teclado e joystick ergonômico

Cada Zeebo vem com três jogos pré-carregados na memória interna: Zeebo Sports Vôlei, Zeebo Extreme Bóia-Cross e Treino Cerebral. Mais jogos podem ser adquiridos via download, através da rede online Zeebonet 3G.

O console é muito leve, e temos a impressão de que a maior parte do peso é o gabinete. A fonte de alimentação é externa, e lembra um carregador de celular. O joystick, com 4 botões frontais, dois gatilhos, duas alavancas analógicas, um direcional digital e botão Home também é muito leve. Achamos o cabo um pouco curto, mas aqui cabe um truque: o joystick é USB, então é possível usar qualquer cabo extensor USB (encontrado em lojas de informática) para resolver o problema.

O Zeebo é plugado à TV através de um cabo A/V (video composto) incluso. Nada de vídeo-componente ou HDMI aqui. Fora a alimentação e saída de vídeo, o único outro conector na traseira é uma porta USB, que pode ser usada por acessórios como o teclado. Há mais duas na frente do console, para os joysticks.

Falando em joysticks, é possível adquirir separadamente um controle com sensor de movimentos (acelerômetro) batizado de Booomerang, por causa de seu formato. Ele funciona sem fios, mas é necessário plugar um “receptor” (que lembra um pendrive) a uma das portas USB na frente do console. 

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Boomerang: controle com sensor de movimentos

Nem todos os jogos funcionam com o Boomerang, mas entre a lista de títulos suportados estão os da série Zeebo Sports (como Vôlei e Queimada) e Zeebo Extreme (Corrida Aérea, Bóia-Cross, Baja e Jetboard). Antes de jogar é necessário calibrar o controle, basta deixá-lo parado por alguns segundos sobre uma superfície plana. Mesmo com a calibração achamos o controle sensível demais, e foi difícil controlar o avião na Corrida Aérea, por exemplo.

Distribuição digital

O CEO da Sony Computer Entertainment, Kaz Hirai, disse recentemente que a distribuição totalmente digital de jogos só irá acontecer em 10 anos, e que os gamers terão de conviver com discos até lá. Guardadas as devidas proporções, ele deveria dar uma olhada no Zeebo.

O console nacional não tem slot para cartuchos, nem drive óptico para CDs. Tem portas USB, mas elas são usadas apenas para periféricos como teclado e joysticks. Um slot para cartões SD, na frente da máquina, não é usado para absolutamente nada. 

Os jogos são única e exclusivamente adquiridos via distribuição digital através de uma rede batizada de “Zeebonet 3G”. O usuário não precisa ter acesso à internet em casa: como o nome diz, o console usa uma conexão 3G à rede de telefonia celular (em parceria com a operadora Claro) para acessar a Zeebonet. O uso da rede é gratuito, e o usuário não precisa se preocupar com mensalidades ou planos de dados.

Para adquirir os jogos é necessário ter Z-Credits, a moeda oficial na Zeebonet. Eles podem ser adquiridos usando o próprio console via cartão de crédito, boleto bancário ou débito em conta, ou em cartões pré-pagos encontrados em LAN Houses credenciadas ou nas mesmas lojas que vendem o console.

Os Z-Credits são fornecidos em “pacotes” de 2.000, 3.000 ou 5.000 créditos, e a taxa de câmbio é de 100 pra 1, ou seja, R$ 20, R$ 30 ou R$ 50 por pacote. Os jogos variam entre 990 e 2490 Z-Credits (R$ 9,90 a R$ 24,90) cada, com boa parte deles na faixa de 1690 Z-Credits.

Ao escolher um jogo no catálogo na tela o console pede para o usuário confirmar a compra e imediatamente começa o download. O tempo varia de jogo para jogo, e também de acordo com a cobertura da Zeebonet 3G em sua região. O console não informa o tamanho (em megabytes) de cada jogo, mas dá um tempo estimado para a conclusão do download.

Em São Paulo, em um local com ótimo sinal (4 barras no indicador na tela) o download do jogo Resident Evil 4, estimado em 2 minutos e 40 segundos, foi completado em 1 minuto cravado. Não há problemas caso o download seja interrompido antes da conclusão, já que os créditos só são debitados da conta após o jogo ter sido baixado e instalado com sucesso.

Jogos

O catálogo de jogos do Zeebo é modesto (40 títulos até o momento), mas variado. Há títulos de empresas de renome como Capcom (Resident Evil 4), Namco (Pac-Man e Tekken 2) e Popcap (Zuma’s Revenge), bons jogos desenvolvidos no Brasil (As séries Zeebo Sports e Zeebo Extreme) e clássicos de arcade da Data East e Tecmo como Karnov’s Revenge e Double Dragon. Gêneros como estratégia e RPG estão bem representados com títulos como Galaxy on Fire e Zenonia. Resumindo: há de tudo um pouco.

Os gráficos também são modestos. A qualidade varia de jogo para jogo, com Rally Master Pro e a série Zeebo Extreme como os mais sofisticados, mas ainda assim num nível equivalente ao primeiro PlayStation.

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Corrida Aérea: bastante ação através de canyons e cavernas

Mas, francamente, gráficos excepcionais não fazem parte da proposta do console. Se você faz questão de altíssimas resoluções e quantidades absurdas de polígonos e partículas na tela com física realista, compre um PC poderoso com uma GeForce ou Radeon topo de linha e seja feliz. A proposta do Zeebo é diversão com preço acessível, e há bastante diversão por aqui.

Para testar o apelo do Zeebo junto a seu público-alvo (crianças entre 8 e 13 anos, segundo Brett Bissell, gerente de operações no Brasil) solicitei a ajuda de meu enteado, Gabriel Alexandre, de 11 anos. Gabriel praticamente cresceu jogando videogame e não se importa com a plataforma: se diverte tanto com um jogo de Atari 2600 ou em Flash em um site qualquer quanto com Super Mario Galaxy 2 em um Wii. E qual foi o resultado?

O Zeebo passou no teste. Para Gabriel, jogar no console “é tão divertido quanto no Wii”. Seus favoritos foram Crash Bandicoot Nitro Kart e Zeebo Extreme Corrida Aérea, que satisfazem seu espírito competitivo. A idéia de ter todos os jogos ao alcance imediato também agradou, e à medida em que “folheava” o catálogo Gabriel ia marcando mentalmente os jogos que queria. No final, acabou baixando seis jogos.

Comparado aos consoles tradicionais, o Zeebo tem outra vantagem: os jogos estão em português, desde aqueles com imensas quantidades de texto como Zenonia aos títulos mais simples. Action Hero 3D, por exemplo, é cheio de piadinhas (como os inimigos reclamando que “ganham 1 real por hora”) que passariam desapercebidas se não fosse a tradução.

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Zenonia: RPG ao estilo "Legend of Zelda", em português

Acesso à internet

O Zeebo tem um navegador para acesso à internet, que na verdade é uma versão do Opera Mini encontrado em celulares. O acesso à internet é gratuito até 31 de Outubro, mas após esse período será pago: os preços vão de R$ 3,90 por duas horas de navegação a R$ 7,90 por quatro horas, pagos com Z-Credits.

Curiosamente a medição é feita por “tempo de download”, e não tempo corrido, então um pacote de duas horas na prática dura muito mais que isso. Explico: ao solicitar o carregamento de uma página o “relógio” começa a correr, pára quando a página é completamente carrregada e só volta a correr caso uma nova página seja solicitada. Ou seja, mesmo que você passe cinco minutos lendo uma notícia, vai ser cobrado apenas pelos poucos segundos necessários para carregá-la.

O acesso à rede é filtrado: só é possível visitar 50 sites divididos em várias categorias, como educação, notícias, serviços, etc, entre eles os grandes portais e a Wikipedia. Buscas no Google estão temporariamente desabilitadas, já que a Zeebo Inc. descobriu que com um pouco de criatividade era possível usar o buscador para burlar o filtro.

Segundo a empresa o filtro existe para garantir aos pais que seus filhos não terão acesso a conteúdo inapropriado para menores. Usuários podem sugerir a liberação de novos sites, basta informar a URL. Se o conteúdo for considerado adequado, ele será adicionado à lista de sites permitidos.

O navegador é bastante simples: assim como o Opera Mini em celulares ele não suporta animações em flash nem vídeo em sites como o YouTube. Ele tenta mostrar os sites como seriam vistos no PC, inicialmente em uma “visão geral”. Movendo uma “lupa” com o joystick analógico é possível ampliar uma parte da página e ler seu conteúdo. Os gatilhos L e R no joystick funcionam como acesso aos menus do navegador.

Não tivemos problemas ao ler notícias em sites de portais como o UOL e G1 e e-mails no GMail, mas vimos o navegador congelar (e levar o console junto) uma vez ao tentar compor um e-mail usando o serviço do Google. Tivemos de tirar o console da tomada para conseguir voltar a utilizá-lo.

Vale a pena?

A primeira reação de muitos ao ver o Zeebo é compará-lo a um console popular como o PlayStation 2, o que é um erro especialmente quando o argumento é o preço. Claro, um PlayStation 2 pode custar apenas R$ 350 hoje em dia, mas esse é o preço de um console que veio ao país através de importação ilegal, sem assistência técnica e “desbloqueado” (às vezes de forma mal-feita) para rodar jogos piratas gravados em mídia de baixa qualidade que, com o tempo, podem acabar danificando o leitor óptico. Que atire o primeiro joystick quem nunca virou um PlayStation de cabeça pra baixo ou de lado para tentar forçá-lo a ler um disco.

Já o Zeebo, por R$ 299, tem garantia, assistência técnica, jogos originais por preços acessíveis (um original de PlayStation 2, no site da Sony, sai por R$ 69,00) e em português. E com a Zeebonet 3G não há jogos difíceis de encontrar ou fora de estoque, tudo está ao alcance do joystick.

E como bônus, o Zeebo tem acesso à internet. Claro, não é nem de longe um substituto para um PC, mas é algo muito útil para quem não tem um PC em casa e depende de LAN Houses. E a Zeebo Inc. promete para breve um aplicativo que permitirá acesso a redes sociais como Facebook, MySpace, MSN e Twitter diretamente a partir do console.

Os jogos podem ser simples e o catálogo pequeno (a Zeebo Inc. promete expansão para 60 jogos até o final do ano), mas a diversão é garantida. Não tenho nenhuma dúvida ao recomendar o Zeebo para quem procura o primeiro videogame.

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