Home > Notícias

Revolucionário, Apple Lisa completa 30 anos: conheça sua história

Apesar das contribuições, como o uso da interface gráfica de usuário com mouse, computador "nasceu morto" pelo preço muito alto e chegada do Mac, mais barato.

Macworld / EUA

21/01/2013 às 11h37

applelisa_43501.jpg
Foto:

Durante seu encontro anual de acionistas em 19 de janeiro de 1983, a Apple anunciou novos produtos que teriam um papel essencial no futuro da companhia. Por isso, hoje vamos falar do Apple Lisa, o computador original baseado em GUI (interface gráfica de usuário) e o precursor do Macintosh. Além disso, outro produto lançado naquela ocasião, o Apple IIe, também teve grande importância para a Apple por representar uma evolução natural em relação ao altamente bem-sucedido Apple II.

Apesar das novidades importantes que trouxe, o Lisa fracassou no mercado pelo altíssimo preço, por trazer um processador de velocidade baixa e pela chegada pouco tempo depois do primeiro Mac, com preço mais em conta. Confira abaixo um breve histórico da máquina revolucionária que "nasceu morta".

Relembrando o Lisa

O Lisa introduziu um paradigma completamente novo – a interface gráfica de usuário direcionada pelo mouse – no mundo dos computadores pessoais. (Note que o lançamento da estação de trabalho Xerox Star em 1981 marcou a estreia da interface gráfica de usuário com mouse.) O alto preço do Lisa na varejo, 9.995 dólares no lançamento (atualmente seriam cerca de 23,103 dólares corrigidos), processador lento (5MHz), e drives de discos customizados problemáticos dificultou muito a vida da máquina revolucionária assim que ela chegou ao mercado.

Apesar desses pontos negativos, o Lisa fez um grande barulho no mercado em 1983 graças ao seu sistema operacional gráfico que utilizava ícones, menus pull-down, e janelas sobrepostas para representar e manipular informações em vez da convenção então muito comum de digitar comandos baseados em texto. A interface lançou uma revolução na maneira como os consumidores interagiam com os computadores pessoais.

O impacto da interface gráfica do Lisa foi tão profundo que dezenas de empresas “subiram no mesmo barco” com produtos imitadores e “de carona” nesse espaço da GUI com mouse. Sendo que uma delas foi ninguém menos que a Microsoft, que anunciou o Windows em novembro de 1983, dez meses após a estreia do Lisa.

applelisa_43502.jpg

Lisa sofreu com preço muito alto. (imagem: Taringa.net)

Talvez ainda mais profundo tenha sido o impacto do Lisa na própria Apple. Apesar de o desenvolvimento do computador ter começado sob o olhar de Steve Jobs, o cofundador da empresa depois foi retirado do projeto. Isso fez com que Jobs assumisse o controle de outro projeto de computador na Apple, o aparelho de baixo custo de Jef Raskin, o Macintosh.

Sob a guia fervorosa e singular de Jobs, o Macintosh, lançado apenas um ano depois, tornou-se um concorrente de baixo custo para o prório Lisa, o que selou o destino do computador estranho e muito caro.

O restante desse pedaço da história da Apple deve ser ao menos um pouco conhecido dos leitores. Algumas das conquistas do Lisa que o Macintosh emulou incluem o mouse e a tela com mapa de bits (bitmapped), o paradigma do desktop, os ícones representativos, as fontes proporcionais, os menus pull-down ao longo da parte superior da tela, e janelas sobrepostas (algo que o Windows não ofereceu até sua versão 2.03 em 1987).

Mas o Lisa tinha mais alguns truques na manga que permaneceram únicos ao sistema por anos. Por exemplo, ele oferecia multitarefa cooperativa (que o sistema Macintosh OS não trouxe até 1987 como uma parte opcional do System Software 5); memória protegida (que não apareceu até o Mac OS X em 2001); um protetor de tela embutido; e a habilidade de utilizar cartões de expansão, discos rígidos, e até 2MB de RAM (o primeiro Mac era limitado a 128kb).

O Lisa também marcou a estreia de alguns recursos que o Mac nunca imitou completamente. Em seu exemplo mais dramático, o Lisa OS (também conhecido como Lisa Office System) lidou com arquivos gerados por usuários de uma maneira completamente centrada. Ou seja, não lançava um aplicativo e então abria um arquivo dentro desse app, como é comum no Mac OS X e no Windows atualmente. Em vez disso, ele “arrancava” um documento em branco de uma pilha virtual de “papel”, que criava um documento editável para o usuário no sistema de arquivos que o usuário então daria um clique duplo para abrir no aplicativo apropriado. 

De certa maneira, a abordagem centrada para documentos do Lisa é o exato oposto do paradigma avançado pelo iOS atualmente, em que o usuário lida apenas com aplicativo no nível do sistema e não com documentos individualmente. Além disso, em um passo significativo à frente para a conveniência do usuário, o Lisa incluiu a primeira chave de energia “suave”. Quando apertada, ela iniciava uma sequência automática de desligamento que salvava e fechava todos os documentos de modo seguro antes de desligar o sistema.

Após o lançamento do Macintosh em 1984, o Lisa ficou para trás nas vendas, e ficou claro que o Mac representava o futuro da Apple. Então teve início a absorção do Lisa ao ecossistema do Macintosh. Primeiro, o Lisa adotou recursos “no estilo Mac” como um drive de disco de 3,5 polegadas e um novo design externo que apareceram em uma muito necessária revisão de 1984 normalmente chamada de Lisa 2. Depois o Lisa ganhou de rodar software do Macintosh por meio do ambiente emulador MacWorks.

Em 1985, o Lisa teve seu último suspiro: a Apple renomeou seu último lote de computadores Lisa 2 como Macintosh XL, e o Lisa foi colocado para descansar eternamente.

Até hoje, o Lisa continua sendo uma das “plataformas mortas” mais fascinantes da Apple, especialmente uma vez que sua morte prematura literalmente enterrou conceitos pioneiros de interface que ainda não foram completamente replicados em nenhuma plataforma da Apple.

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail