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Robô submarino é usado para semear corais na Austrália

O drone LarvalBot navega pela Grande Barreira de Corais distribuindo milhares de larvas microscópicas de corais para repovoar áreas danificadas nos recifes

George Nott, Computerworld Austrália

14/03/2019 às 12h11

Foto: Divulgação/Great Barrier Reef Foundation

Um robô submarino "semeador" foi testado na Grande Barreira de Corais australiana em uma iniciativa inédita para repovoar áreas de recifes de corais afetadas pelo branqueamento - quando um aumento da temperatura da água faz o coral expulsar as algas microscópicas (zooxantelas) que vivem em simbiose com ele. Além de serem sua principal fonte de alimento, as algas lhe dão a cor.

O projeto-piloto envolveu um drone submarino - apelidado de LarvalBot - que trabalhou liberando milhares de bebês de coral (larvas microscópicas de corais) com a finalidade de repovoar essas áreas. "Durante o teste, o robô ficou preso a um cabo, para que pudesse ser monitorado com precisão, mas nas futuras missões ele deverá operar independente, em uma escala muito maior", diz o professor Matthew Dunbabin da QUT (Queensland University of Technology).

A Grande Barreira de Coral australiana é uma imensa faixa de corais composta por cerca de 2.900 recifes, 600 ilhas continentais e 300 atóis de coral, entre as praias do nordeste da Austrália e Papua-Nova Guiné. Ela tem 2.200 quilômetros de comprimento, com larguras variando de 30 km a 740 km.

Como funciona o drone

“Usando um iPad para programar a missão, enviamos um sinal para o LarvalBot liberar gentilmente os filhotes de coral nas áreas afetadas. É como espalhar fertilizante no seu gramado. O robô é muito inteligente e, enquanto desliza, conseguimos ver onde as larvas precisam ser distribuídas para que novas colônias possam se formar e novas comunidades de corais possam se desenvolver”, explica Dunbabin.

O robô tem capacidade para transportar cerca de 100.000 larvas de coral em cada missão. As larvas foram criadas colhendo milhões de ovos de coral e esperma de áreas do recife que se recuperaram dos eventos consecutivos de branqueamento acontecidos em 2016 e 2017.

As "manchas de desova" foram coletadas usando grandes coletores flutuantes, depois levadas para locais de reassentamento, onde as larvas foram criadas em viveiros no formato de poças flutuantes. Os cientistas chamaram o processo de " coral IVF ", ou seja, literalmente um tipo de fertilização in vitro para corais.

A previsão é de que os corais que crescerão dessas larvas terão mais tolerância ao aumento da temperatura, sendo portanto mais capazes de sobreviver a futuros eventos de branqueamento. As larvas foram levadas para partes altamente degradadas do norte da Grande Barreira de Corais e liberadas em Vlasoff Reef, perto de Cairns, no norte de Queensland.

“O robô libera gentilmente as larvas em áreas de recifes danificados, permitindo que elas se estabeleçam e se desenvolvam com o passar do tempo em pólipos de coral ou corais bebês”, disse Dunbabin, acrescentando que o robô seria um tipo de “espanador de lavouras subaquáticas”.

Potencial transformador

O LarvalBot é um trabalho de reengenharia do RangerBot da QUT, um outro robô subaquático que usa visão computacional para navegar debaixo d'água identificando e exterminando estrelas do mar "coroa de espinhos", que são predadoras de corais e responsáveis por 40% da queda da cobertura de corais.

O projeto como um todo é uma colaboração em grande escala que reúne cientistas de todo o mundo. O trabalho no LarvalBot foi financiado com o prêmio de US$ 300.000 do  desafio Out of the Blue Box Reef Innovation Challenge, promovido pela Fundação da Grande Barreira de Corais (Great Barrier Reef Foundation).

"Com mais pesquisa e refinamento, essa técnica tem um enorme potencial para operar em grandes áreas de recife e em vários locais de uma forma que não era possível anteriormente", diz o líder do projeto de restauração de larvas, Peter Harrison, da Southern Cross University. "Estaremos monitorando de perto o progresso dos corais recém-nascidos nos próximos meses e trabalhando para refinar a tecnologia e a técnica para ampliar ainda mais em 2019", acrescentou.

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