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Saiba o que há por trás da portabilidade entre redes sociais

Grupo que reúne Google, Microsoft, Facebook e outras empresas defende a livre movimentação de perfis por diferentes serviços.

Guilherme Felitti, editor-assistente do IDG Now!

13/05/2008 às 15h30

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A reclamação é geral sempre que o convite para uma nova rede social chega à sua caixa postal: já são muitos os serviços que pretendem mapear socialmente o usuário, seja de maneira generalizada, como fazem Facebook e Orkut, seja ao redor de algum tema específico, como Vinorati ou Chess.com.

Por que, ao invés de tentar atrair usuários para dentro de seus próprios reinos fechados, os responsáveis pelas redes sociais não promovem uma integração entre os serviços baixando os altos muros que cercam cada uma das redes que você usa hoje?

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A falta de conexão e, principalmente, relação entre serviços de interação, sejam eles redes sociais ou sites de categorização de conteúdo, que atraem, na maioria dos casos, os mesmos usuários é o que o crescente movimento de portabilidade de informações pretende combater.

Formado por empresas como Google, Facebook, Microsoft, Digg, Twitter, LinkedIn e Netvibes, o grupo Data Portability foi formado em janeiro para defender o uso de especificações abertas que facilitassem a movimentação dos dados do usuário por diferentes serviços.
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Pense na internet como um ambiente 3D, em que redes sociais, plataformas de publicação de conteúdo e serviços de divulgação estão dispostos em paralelo.

As especificações defendidas e incentivadas pelo DataPortability pretende conectar todos os serviços de forma que apenas o nome do usuário consiga apontar quais dos seus amigos inscritos em uma rede social também estão nesta nova, por exemplo.

Esta tridimensionalidade confere profundidade ao ambiente digital e é um dos primeiros passos para um ambiente em que serviços interconectados dêem um sentido maior à internet, conferindo-lhe uma (ainda básica) inteligência pelo cruzamento de dados, em um estágio primitivo do que é chamado de "web semântica".

Ao invés de repetir sempre seus dados pessoais, procurar sempre seus amigos e publicar sempre os mesmo conteúdos, o conjunto de especificações defendida pelo DataPortability permite que o usuário gerencie e leve sua identidade online de maneira unificada.

Nenhuma das especificações apoiadas pelo grupo é nova - a importância do DataPortability está exatamente no agrupamento e interconexão entre padrões e especificações abertas como APML, OpenID, RDF, Microformatos, OPML, RSS e Oauth que pretendem, cada um da sua maneira, abreviar a identidade digital do usuário a um único perfil, aplicado pelos serviços que suportam o grupo.

Maio vem sendo um mês dourado para a portabilidade de dados online. No começo do mês, o Digg implementou especificações para reconhecimento de usuários e dados pessoais por outras redes sociais, além de melhorias no RDFa, montando uma estrutura para páginas do serviço além de imagens e textos.

Uma semana depois, foi a vez de um consórcio de serviços, liderado pelo MySpace e pelo Yahoo, anunciar o atrelamento de contas por meio do projeto Data Availability (qualquer semelhança com o DataPortability não é mera coincidência), que envolverá, principalmente, a interligação dos dados pessoais do perfil do usuário no MySpace com serviços como eBay, Photobucket e Twitter.
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No primeiro momento, usuários poderão atrelar sua conta do MySpace com as dos três serviços citados, permitindo que atualizações no perfil da rede social sejam replicadas automaticamente em todos os serviços pareados. Em um segundo momento, o MySpace planeja usar um log-in único para todos.

Um dia após a Data Availability, o Facebook, principal rival do MySpace nos Estados Unidos, também revelou sua iniciativa para portabilidade de dados, pelo Connect, que deverá se beneficiar da popularidade da rede social entre desenvolvedores desde que abriu sua API, em agosto de 2006.

Segundo post no blog de desenvolvedores do Facebook, o Connect permitirá que aplicações externas se conectem e consultem dados do perfil do usuário dentro da rede social por meio de conexões seguras, como forma de replicar atualizações nos dados pessoais, conteúdos multimídia, eventos e amigos em serviços que suportem a plataforma.

O Facebook Connect estará disponível, segundo o post, "nas próximas semanas". Ainda que um bocado atrasado em relação a MySpace, Yahoo, eBay, Twitter e Digg, é mais um grande player do setor que diminui a altura das paredes que cercam seu serviço e dá a seus usuários a característica mais inerente à internet: liberdade.

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