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Saiba por que Bill Gates trabalha a favor das tecnologias verdes

Startup do Vale do Silício, que trabalha na combinação de TI com tecnologias de energia limpa, pode ser parte da resposta

Computerworld/EUA

10/06/2010 às 20h01

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Não surpreende que alguns titãs da indústria de tecnologia - incluindo o ex-CEO da Microsoft, Bill Gates – estejam pressionando o governo americano a aumentar substancialmente seus gastos com tecnologias de energia limpa. A ligação de TI com as tecnologias verdes torna-se mais forte a cada dia e, se o lobby que Gates e o investidor de risco em TI John Doerr fazem em Washington for bem sucedido, o Vale do Silício certamente sairá ganhando.

Um caso que serve de exemplo para as múltiplas conexões entre TI, financiamentos do governo e tecnologias verdes é o de Gene Wang, CEO da People Power Co.

Com um ano e meio de vida, a empresa de Wang desenvolveu o que ela chama de Open Source Home Area Network (OSHAN), que interliga eletrodomésticos e outros aparelhos alimentados por eletricidade a um portal web, para rastreamento de energia. Há um kit, disponível por 150 dólares, chamado SuRF – sigla de Sensor Ultra-Radio Frequency -, que os desenvolvedores podem usar para criar sensores de energia sem fio.

A empresa de Wang, com sede em Palo Alto, na Califórnia, nasceu com fundos de capital de risco, mas também com ajuda federal – por meio de uma bolsa do programa Small Business Technology Transfer, do Departamento de Estado norte-americano. 

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Wang tem uma longa história de atuação em TI, incluindo o cargo de vice-presidente de marketing da unidade de negócios de handheld da Hewlett-Packard. Ele também é partidário do código aberto.

Corrida de investimentos
Em uma entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (10/6) para lançar um relatório sobre tecnologia verde, Doerr e Gates disseram que os Estados Unidos precisam triplicar seus gastos em pesquisa e desenvolvimento, de 5 bilhões para 16 bilhões de dólares, se o país quiser atingir a liderança global nessa área, assim como já fez em biotecnologia e TI.

Doerr, Gates e outros líderes empresariais tinham uma reunião agendada para esta quarta-feira com o presidente dos EUA Barack Obama.

Wang disse que a China, em especial, tem investido bilhões de dólares em tecnologias verdes. “Nós temos a imagem da China como uma país que fabrica bens de baixo custo mas que não tem bons engenheiros. Embora haja alguma verdade nesta concepção, sabemos que este certamente não é o caso. O que deveríamos fazer é prestar bastante atenção e duplicar ou triplicar nossa prioridade”, disse.

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Mas os EUA também têm uma obrigação com o mundo de adotar tecnologia verde por causa de seu alto consumo de energia per capita, argumentou Wang.

Os EUA têm investido maciçamente em tecnologias de redes de distribuição e medidores inteligentes mas, para Wang, essa abordagem é muito estreita. “Os medidores inteligentes, na verdade, reduzem empregos e beneficiam basicamente as empresas de eletricidade”, enfatizou.

Wang vê vantagens na coleta de dados pela rede em vez de confiar na leitura de medidores, mas “este não é o tipo de inovação de impacto de que precisamos”, disse.

Fundos não bastam
Se os EUA incrementar seus gastos com pesquisa e desenvolvimento em tecnologias verdes, o Vale do Silício se beneficiará. Atualmente o Vale capta um terço de todo o capital de risco norte-americano, disse Stephen Levy, diretor e economista sênior do Center for Continuing Study of the California Economy (CCSCE), em Palo Alto. Dinheiro federal representa alguma parte desse financiamento de risco, lembrou o diretor.

“Os fundos de pesquisa e desenvolvimento são bons, mas o grande impacto virá das empresas que começarem efetivamente a pesquisar e a desenvolver”, disse Levy. “O Vale do Silício só cresce porque funciona como um espaço onde se cria a próxima onda de inovação”, e a tecnologia verde e a eficiência de energia são certamente “candidatas à próxima onda de inovação”.

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