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Santa Ifigênia: XP faz companhia a versões anteriores do sistema

Uma visita à região da Santa Ifigênia revela: além de não respeitar o prazo da MS, camelôs ressuscitam Windows 98, Me e 2000.

Guilherme Felitti, editor-assistente do IDG Now!

30/06/2008 às 13h40

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Não é só pela estratégia das fabricantes, camufladas por termos de marketing, que o Windows XP continuará disponível para os brasileiros após esta segunda-feira, 30 de junho.

Em passeio pela Santa Ifigênia, região central de São Paulo conhecida pela venda intensa de hardwares e softwares (nem sempre de maneira legal), o IDG Now! constatou que o Windows XP deverá se juntar a versões anteriores do sistema operacional.

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Em uma banca montada com uma grande chapa de papelão com as pontas unidas por um pedaço de fita durex numa espécie de alça improvisada, a reportagem encontrou não apenas cópias das capas do Windows XP (atualizado com o Service Pack 3), mas também do Windows 98, Me e 2000.

Ainda que as duas primeiras versões do popular sistema estejam sem suporte oficial da Microsoft desde julho de 2006 (o suporte estendido da terceira acaba em 2010), o camelô de barba por fazer e boné preto enterrado na cabeça entrega que todos ainda são “muito bem vendidos”.
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“Mas o mais vendido ainda é o Windows XP”. O repórter pergunta o por que. Ele, ressabiado ao saber que participava de uma reportagem jornalística, diz não saber e tentar encurtar a conversa dizendo (num tom de adivinhação) que “ainda tem gente que tem computador nem tão bom assim, né?”.

O encontro, acompanhado de longe pelos olhos de outros camelôs tanto ressabiados quanto aquele que responde as perguntas, acontece em um trecho da região onde os esforços pela modernização da Santa Ifigênia parecem não ter surtido qualquer efeito.

Nas imediações do 3º Departamento de Polícia, no cruzamento entre a rua Aurora e a avenida Rio Branco, as esquinas, limpas de vendedores ambulantes e bancas de papelão, dão claros indícios do enrijecimento da fiscalização feita pela Policia nas últimas semanas.

Com uma jaqueta de couro sobre uma camisa de treino do São Paulo, o ambulante pára o repórter na rua oferecendo softwares e games com um sussurro. Explica que, com mais policiais nas ruas, camelôs tiveram que aposentar e tentar atrair clientes pela aproximação física sem chamar tanta atenção.

A dois quarteirões, um sujeito com agasalho preto com listras brancas e aparelho nos longínquos dentes da frente explica que, após a chamada “revitalização”, há um novo epicentro para softwares piratas.

É lá, entre na rua Aurora após o cruzamento com a rua Santa Ifigênia e em ruas paralelas, como Vitória e Timbiras, que a reportagem encontra a antiga região de venda de softwares pirateados em plena rua.
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É ali que, ressabiado, o camelô com o boné vermelho conta as vantagens das suas cópias do Windows (seja ele 98, Me, 2000, XP ou Vista), todas com as atualizações mais recentes oferecidas pela mesma Microsoft que está fechando a torneira do XP.

Aos trancos e barrancos, a estratégia da Microsoft para substituir o Windows XP pelo Vista ganha uma nova ressalva – não importa o quão revitalizada, a Santa Ifigênia continua a ressuscitar os programas que a fabricante gostaria de tirar das prateleiras.

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