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Segundo co-fundador da ARM, Intel “está morta no desktop”

Declaração de Hermann Hauser ao Wall Street Journal levanta a questão: será que a mobilidade e computação em nuvem tornaram o PC irrelevante?

Keir Thomas, da PC World/EUA

24/11/2010 às 15h42

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A Intel está condenada, afirmou Hermann Hauser em uma
entrevista ao Wall Street Journal. Não sabe quem é Hauser? Trata-se de
um dos fundadores da ARM – provavelmente, para a Intel, a concorrente mais
perigosa no setor de semicondutores, se deixarmos de fora AMD e Via.

A ARM cria projetos para chips que equipam quase todo
aparelho móvel que você já viu ou usou – tem de tudo, de celulares a tablets e leitores de e-book.

Por causa de seus vínculos, Hauser não é a mais imparcial
das fontes. No entanto, ele oferece dois argumentos atraentes. O primeiro é que
a ARM licencia projetos para terceiros, o que significa que a Intel compete não
apenas contra a ARM mas contra todos os fabricantes de chips ARM no mundo.

Ocorre que a Intel tem lutado sua própria "guerra dos clones" –
talvez, ironicamente, não muito diferente da computação desktop da década de
1980, que matou todos os computadores que não eram clones de um IBM PC com
processador Intel.

Em segundo lugar, Hauser vê a história da computação como uma
sucessão de ondas, sendo que a primeira foi a do mainframe, em 1950. Cada onda
trouxe à superfície várias empresas que, depois, sumiram sem deixar vestígio
(DEC? Apollo? Sun?).

Natureza móvel
Hauser sustenta que a era do desktop está agora no fim e que
a próxima onda terá natureza móvel. Ele diz que “agora é a arquitetura móvel
que será a principal plataforma de computação, pelo menos no lado do terminal”,
possivelmente fazendo uma referência à computação em nuvem.

Analistas têm dito que a ARM se posiciona nas duas pontas do
setor de cloud computing, tanto em aparelhos portáteis como em data centers –
assim, a declaração faz sentido.

Mas a verdade talvez seja menos definitiva do que sugere Hauser.
Depois que qualquer empresa passa a dominar o mercado, as pessoas começam a
dizer que seus dias estão contados, e a queda do monopólio Wintel já tem sido
prevista há algum tempo.

É fato que a Intel tem perdido terremo para os chips ARM, e
a Microsoft enfrenta uma competição igualmente perturbadora de sistemas como o
Google Android, que conquista praticamente todo computador que não seja um
desktop ou servidor PC.

Irrelevância
Contudo, o principal problema é da ordem da irrelevância. À
medida que o tempo passa, Microsoft e Intel começam a importar cada vez menos.
Nós podemos culpar o open source, que tem provado de forma consistente que a
arquitetura computacional tem menos importância do que pensamos: afinal, o Linux não se
importa se está rodando num PowerPC, x86 de 32 ou 64 bits, ARM ou qualquer
outra coisa. Só para lembrar, o Android é baseado no Linux.

O Android também tem mudado sutilmente o propósito de um
sistema operacional. Para a Google, o Android é um meio para um fim. Quanto
mais completo se torna o Android, mais dados passam pelas mãos da Google. E
dados são a razão de viver da empresa.

Para comparar, o Windows é uma razão em si mesma – um ponto
de chegada. A Microsoft pouco ganha com o Windows além de suas licenças de
software, que começa a soar como um modo de pensar bastante antigo se comparado
à era dos dispositivos móveis e das nuvens de dados.

A Microsoft e a Intel não tem com que se preocupar no curto
prazo. Embora Hauser possa estar provavelmente certo quando diz que rumamos a
um mundo de dispositivos móveis, não surgiu nada que possa substituir o
computador de mesa ou portátil em termos de usabilidade.

O futuro
O dispositivo móvel do momento é o tablet, que é excelente
para diversão e tarefas simples, mas criar uma apresentação detalhada num deles
pode ser classificado como uma forma de tortura.

O futuro pode estar nos aparelhos híbridos, e em particular
num velho favorito da computação: a docking station. Tenho poucas dúvidas de
que, agora mesmo nos laboratórios do Vale do Silício, vários projetos
experimentais que misturam tablets, laptops e desktops estão em
desenvolvimento.

A tela será o cérebro da unidade, e será efetivamente um
tablet que pode ser desencaixado e carregado por aí. Para trabalhos mais
profundos, os usuários serão capazes de encaixá-la novamente à base do laptop e
utilizá-la com um touchpad e um teclado.

De qualquer modo, esta é minha visão de futuro – e, quando
ele chegar, lembre-se de que você leu sobre isso primeiro aqui.

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