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Segundo Oracle, futuro do Java inclui efeitos 3D e código aberto

Em palestra no Java One, executivo de produtos demonstra potencial da tecnologia JavaFX 2.0. Código será publicado sob licença open source

Robinson dos Santos, do IDG Now!*

21/09/2010 às 3h22

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O futuro do Java é livre, colorido, animado e tem três dimensões. É
o que sugeriu o vice-presidente executivo de desenvolvimento de produtos da
Oracle, Thomas Kurian, que apresentou na tarde de segunda-feira (20/9), durante
a conferência JavaOne, em São Francisco (EUA), os planos da empresa para a
tecnologia Java, parte de seu portifólio depois da aquisição da
Sun.

Mas, como se poderia esperar, os efeitos especiais são
apenas parte dos planos propostos pela Oracle para o Java – uma tecnologia cujo
futuro se tornou alvo de discussão e de dúvidas depois que a empresa decidiu
processar a Google pela criação de uma tecnologia similar, em uso no sistema
móvel Android.

À época, a decisão de processar a Google espalhou indignação
entre a comunidade de código aberto. O “pai” do Java, James Gosling – que deixou
a Sun
depois de sua aquisição pela Oracle – chegou a promover uma campanha contra
a empresa, onde propunha que a comunidade vestisse camisetas com a inscrição “Liberte
o Java” durante o JavaOne.

A camiseta de Gosling não apareceu. Em compensação, foram
distribuídas milhares de camisetas oficiais, com a inscrição “Eu sou o futuro
do Java”, à entrada da palestra de Kurian no Java One – que é realizada em
paralelo ao Oracle Open World. Nela, Kurian detalhou os planos para o Java em
diversas plataformas, que vão de potentes servidores a eletrônicos de consumo,
como tocadores de Blu-ray.

Novos hardwares
“Em relação a Java para servidores e desktops, há duas
coisas fundamentais”, explicou Kurian. “Queremos otimizar o Java para novos
hardwares e novos modelos de aplicação, e facilitar a monitoração e o
diagnóstico dessas aplicações, para dar mais produtividade aos desenvolvedores.”

O executivo citou três projetos em curso: o Projeto Coin,
para aumentar a produtividade dos programadores; o Projeto Lambda, para criar “closures”
para o Java e explorar o processamento de threads paralelas; e o Projeto Jigsaw, que põe ênfase na modularidade e na
diversidade de plataformas, do notebook mais simples ao servidor mais avançado.

“Queremos preparar o Java para as novas classes de máquinas
que estão chegando, com mais poder de processador, rede e memória”, ressaltou
Kurian. “Queremos fazer o Java explorar múltiplos processadores, fazer com que
ele suporte bytecode dinâmico e dar a ele um motor JavaScript mais rápido.”

JavaFX 2.0
Mas a estrela da sua apresentação foi a demonstração da
tecnologia JavaFX 2.0, que oferece ao programador Java acesso a recursos
gráficos sofisticados por meio de APIs – efeitos que podem ser conferidos
também via navegador web, por meio do HTML5. “Queremos interoperabilidade sem
restrições entre a máquina virtual e o browser”, revelou.

A demonstração - que foi comemorada com aplausos pela plateia do centro de convenções - mostrou uma aplicação construída inteiramente
em Java, com animação, renderização, música, vídeo e gráficos 3D. Uma xícara de
café foi construída com wireframe, sombreamento e efeito de vapor, construído
com formas geométricas translúcidas que se movimentavam independentemente, por
rotas predefinidas.

Em outra parte da demonstração, foi exibido um jogo feito
para telas sensíveis ao toque e, depois, um “videowall” com 60 vídeos miniaturizados,
rodando em paralelo, que se decompunham como tijolos de um muro que desmorona.
O mapa do futuro da tecnologia JavaFX foi publicado no site javafx.com/roadmap.

Diante de tudo isso, não deixa de surpreender a afirmação,
feita por Kurian, de que a tecnologia Java FX 2.0 terá seus controles
disponíveis como código aberto, numa evidente tentativa de tranquilizar quem
desconfia das intenções da Oracle em relação a esse tipo de tecnologia. “Existem
9 milhões de desenvolvedores Java, e queremos que eles nunca mais pensem em
escolher outro ambiente para trabalhar”, concluiu.

*O jornalista viajou a convite da Oracle Brasil

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