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Seis mitos sobre HDTV explicados

Procurando uma TV de alta-definição? Pois saiba que complexidade, confusão e armadilhas em potencial o aguardam. Analisamos os seis mitos mais comuns sobre esta tecnologia para ajudá-lo a evitar o papo de vendedor e comprar com confiança.

Zack Stern

20/04/2010 às 18h30

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Quer esteja você comprando sua primeira TV de alta-definição ou trocando um modelo mais antigo, saiba que seu novo aparelho provavelmente terá imagem melhor do que aquela com a qual você está acostumado. Mas escolher a TV certa pode ser um processo confuso, especialmente por causa da avalanche de mitos que cercam a tecnologia.

Alguns eram verdade na primeira geração de aparelhos, mas hoje tem pouca relevância. Outros continuam válidos, e alguns nunca foram verdade. Neste artigo, vamos esmiuçar as declarações mais comuns feitas pelos vendedores e oferecer dicas na escolha do aparelho, como instalá-lo em casa, como escolher o melhor conteúdo e mais.

1. HD é sinônimo de qualidade

MENTIRA. Embora HD signifique "High Definition" (alta-definição, em inglês), as TVs de alta-definição estão disponíveis em várias resoluções, e de qualquer forma não é a resolução do aparelho o principal fator determinante na qualidade da imagem na tela.

Para começo de conversa, o tamanho da tela varia bastante. Outros fatores que afetam a imagem incluem a fonte do sinal: TV aberta, a cabo, satélite ou vídeo em streaming através da internet, e até mesmo a origem do material que está sendo exibido. Estas variáveis explicam porque a qualidade de imagem pode variar tanto entre fontes de conteúdo em alta-definição como o iTunes, YouTube, TV a Cabo ou um disco em Blu-ray.

No Brasil, por exemplo, sinais de TV digital aberta seguem o padrão ISDB-Tb (ou SBTVD), e o conteúdo pode assumir várias formas. A imagem pode ter desde a proporção "quadrada" (4:3) em definição padrão, com resolução de 640 x 480 pixels, até a proporção widescreen comumente usada em filmes e alta definição.

As resoluções mais comuns para imagens de alta-definição são 720p (1280 x 720 pixels, também conhecida como HD) e 1080i (1920 x 1080 pixels). O p significa "progressive scan" (varredura progressiva), o que quer dizer que a TV cria a imagem redesenhando cada quadro continuamente, linha por linha.

Já o i significa "interlaced" (entrelaçado), o que quer dizer que a TV desenha uma metade do quadro por vez, primeiro as linhas pares, depois as ímpares, 60 vezes por segundo, e seu cérebro combina as duas imagens em uma só que parece estar sendo desenhada a 30 quadros por segundo. Dada a mesma resolução, uma imagem em progressive scan parece mais nítida que uma equivalente entrelaçada.

Transmissões de TV aberta tem resolução máxima de 1080i. Para chegar ao máximo em alta-definição, que é a resolução de 1080p ou "Full HD" (1920 x 1080 pixels em progressive scan) é necessário recorrer a outras fontes de sinal, como filmes em Blu-Ray e consoles como o XBox 360 e o PlayStation 3.

Compressão e a taxa de bits (bitrate) também afetam a qualidade de imagem. Um filme em Blu-ray provavelmente terá melhor qualidade de imagem que uma transmissão na TV a cabo na mesma resolução, porque discos Blu-ray tem maior largura de banda, ou seja, conseguem transmitir mais informação de uma só vez, que o cabo.

Quando for escolher qualidade de imagem, lembre-se: 1080p está no topo da lista, 720p e 1080i são similares e qualquer coisa abaixo disto não é alta-definição e não vai ficar tão bom na tela. Mantenha estes termos em mente: eles são definições oficiais, e não apenas "marketês".

2. DRM pode impedir certo conteúdo de tocar em sua TV

VERDADE. Ferramentas de DRM (Digital Rights Management) impedem a cópia ou "uso não autorizado" de conteúdo sob copyright, e um sistema batizado de HDCP (High-bandwidth Digital Content Protection) faz o papel de fiscal.

O HDCP é um protocolo de autenticação que é uma das bases para os sistemas de DRM. Ele funciona com discos Blu-ray, vídeos baixados da internet e outras fontes, e monitora a integridade da conexão entre a fonte do sinal (como um player de Blu-ray) e sua TV.

Se tal integridade for violada, seja porque você está usando uma conexão analógica ou instalou um splitter (divisor de sinal) no caminho, o HDCP detecta a situação e, valendo-se do DRM, pode reduzir a qualidade da imagem ou simplemente impedir a reprodução do conteúdo.

Para se certificar de que o DRM não vai te impedir de assistir seus programas favoritos, use um cabo HDMI ou DVI para ligar seus aparelhos à TV. Se você já usa HDMI, não tem com o que se preocupar, mas se usa um cabo DVI com um monitor mais antigo, certifique-se de que ele suporta HDCP para evitar problemas. O mesmo vale para receptores, splitters e qualquer outro aparelho entre a TV e sua fonte de sinal. Certifique-se de que eles são compatíveis.

3. Barras pretas ou imagens estáticas podem "manchar" a tela

MENTIRA. Manchas não são mais um problema em TVs de alta-definição. Anos atrás, imagens estáticas como a marca d'água da emissora, barras pretas em filmes ou placares em jogos de videogame poderiam marcar a tela se exibidos por horas a fio, e aparecer como "fantasmas" mesmo depois de você mudar de canal. A primeira geração de TVs de plasma era particularmente suscetível a este problema.

LCDs e outras tecnologias de tela não tem este problema, conhecido como "burn-in", e novas gerações de telas de plasma incorporam medidas efetivas para combatê-lo. Se você está comprando uma nova TV, não se preocupe com ele.

Proprietários de TVs de Plasma podem notar uma "retenção temporária da imagem", que se parece com o burn-in, mas não é um problema sério. Imagens estáticas podem marcar a tela de forma similar ao burn-in, mas a "mancha" desaparece com o uso normal. Você pode acelerar o processo sintonizando um canal que está exibindo estática, usado um utilitário como o JScreenFix (jscreenfix.com) ou ativando um dos modos de correção embutidos na própria TV para se livrar do problema.

4. Cabos "de marca" valem a pena

MENTIRA. Nunca cobre cabos com base apenas na marca. O tipo do conector, comprimento e bitola do fio são os fatores mais importantes na qualidade do sinal e, consequentemente, da imagem.

Use um cabo digital sempre que possível, como o HDMI ou DVI. Todas as TVs de alta definição modernas tem pelo menos um conector deste tipo. Tais cabos conseguem transportar um sinal em 1080p, compatível com DRM e que não vai sofrer interferência no caminho até sua TV, como aconteceria com um cabo analógico.

Se não for possível usar um cabo digital (por exemplo, você tem um Nintendo Wii, um XBox 360 de primeira geração ou um player Blu-ray mais antigo), ainda é possível conseguir uma imagem em alta-definição (até 1080p) usando cabos componente. Mas se você optar por cabos inferiores, como S-Video os tradicionais cabos RCA para vídeo composto, pode dizer adeus à alta-definição. 

No mínimo, sua TV HD deve ter conectores componente e HDMI (às vezes, DVI ou RGB, comuns para conectar um PC e usar a TV como monitor). Além deles geralmente há conectores S-Video ou RCA que devem ser evitados, a não ser que você precise ligar a ela equipamentos mais antigos, como videocassetes ou videogames de gerações mais antigas. 

Seja qual for a conexão, use os cabos mais curtos possíveis. No caso de conexões analógicas, cabos mais longos podem captar interferência e causar degradação no sinal, especialmente no caso de cabos que "serpenteiam" por uma sala inteira. Cabos mais grossos podem fazer a diferença, que é mais notável em cabos de áudio: nestes casos opte por cabos mais grossos se a distância entre os aparelhos for superior a 15 metros ou mais.

Na hora da compra, economize fazendo pesquisas em várias lojas de sua região e na internet. Um cabo HDMI "genérico" custa cerca de US$ 30, enquanto alternativas "de marca" como Monster Cable podem chegar a R$ 300 ou mais, pelo que é essencialmente o mesmo produto.

5. Uma TV com taxa de atualização mais rápida tem qualidade de imagem melhor que uma TV mais "lenta".

VERDADE. Já faz alguns anos que os fabricantes vem colocando no mercado TVs com taxas de atualização de 120 Hz, 240 Hz e além. Estes aparelhos são capazes de introduzir novos quadros na imagem através de um processo conhecido como interpolação, usando técnicas avançadas de processamento de imagem para suavizar movimentos rápidos.

Testes de TVs de alta-definição feitos pela PCWorld demonstraram uma correlação entre altas taxas de atualização e maior "suavidade" nos movimentos. Mas ocasionalmetne encontramos um ou outro aparelho cujas imagens parecem tão "tremidas" quanto nos modelos de 60 Hz. A discrepância ocorre porque, para obter o melhor resultado, é necessário combinar um painel de alto desempenho com algoritmos adequados no software da TV. Se um dos dois falhas, tudo vai por água abaixo.

À medida em que as TVs 3D chegam ao mercado, a taxa de atualização vai se tornar um fator cada vez mais importante na qualidade de imagem. Uma das técnicas usadas para produzir efeitos 3D requer a recepção e reprodução de um sinal a 120 Hz. O problema é que praticamente a maioria das TVs atualmente no mercado só aceita a entrada de sinais a 60 Hz, independentemente da taxa de exibição anunciada pelo fabricante. Na hora da compra, procure por marcas como "3D" e entrada de sinal a 120 Hz se quiser se preparar para esta tecnologia.

6. Se você não comprar uma TV "Full HD" (1080p), está jogando dinheiro fora

MENTIRA. Muito provavelmente você quer uma TV Full HD, e deve mesmo optar por uma se o tamanho da tela for maior que 32 polegadas, o mínimo necessário para que você possa notar a diferença na qualidade de imagem através da sala. Também não há motivos para não preferir uma TV Full HD se a diferença de preço entre ela e um modelo com resolução menor não for significativa. Minha regra é: ela for de aproximadamente R$ 300, prefira o Full HD (se puder pagar, claro).

Mas em uma TV de tela menor, você provavelmente não conseguirá ver nenhuma diferença entre uma imagem a 1080p e outra a 720p. E pode ser que você não tenha nenhuma fonte de sinal 1080p para aproveitar: transmissões de TV digital, abertas ou a cabo, geralmente são feitas a 720p, quando muito a 1080i.

Se você está comprando uma TV de tela grande ou ligando a ela fontes de sinal em 1080p como um player de Blu-ray, um XBox 360 ou PlayStation 3, um modelo Full HD é a melhor opção. Mas em outros casos, um modelo a 720p, mais barato, é tão bom quanto.

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