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Sem medo do pinguim: um guia para novatos em Linux

Mudanças para o desconhecido geram insegurança. Encontre aqui informações que irão ajudá-lo nos primeiros passos com o Linux.

Neil McAllister, da PC World / EUA

23/01/2009 às 13h37

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penguim_medo_150Iniciar-se em Linux pode ser uma tarefa assustadora, principalmente para quem nunca mexeu em outro sistema operacional além do Windows.

Mas, na verdade, pouquíssimas coisas são difíceis de usar no Linux. Trata-se apenas de um sistema operacional diferente e com as suas peculiaridades. Uma vez que você entender o espírito dele, provavelmente não vai ter mais dificuldade de trabalhar nele do que no Windows ou no Mac OS.

Neste guia, iremos focar no Ubuntu, a distribuição mais popular do Linux hoje em dia e uma das mais amigáveis. Vale ressaltar que o Ubuntu é apenas uma dos várias e diferentes versões do sistema operacional. Literalmente centenas de distribuições estão disponíveis por aí, atraindo uma boa gama de usuários – de professores e programadores a músicos e hackers.

O Ubuntu é a mais popular, pois é mais fácil de instalar e configurar do que a maioria; vem até em versões diferentes, como Edubuntu e Kubuntu. Mas mesmo que você use outras distribuições como Fedora ou OpenSUSE, vai ver que muita coisa deste guia também diz respeito a você.

Bem-vindo ao Ubuntu
Já dissemos que a fácil instalação do Ubuntu faz com que seja a distribuição líder do Linux. Mas e depois que já está tudo instalado no PC?

A resposta é simples: o que você quiser. O Ubuntu pode ser gratuito, mas não é um brinquedinho qualquer de sistema operacional. Se for possível fazer algo no Windows e no Mac OS, dá pra fazer igual no Ubuntu.

No entanto, descobrir como fazer o que você quer nem sempre é fácil, e o Ubuntu possui, sim, seus próprios conceitos e particularidades que o distinguem de outros SOs.

Leia também: 
> Que tal instalar o Ubuntu no desktop ou notebook?
> Como converter CDs em MP3 no Linux
> Compreenda como funcionam os drivers no Linux
> Como rodar aplicações Windows em um PC com Linux
> Veja como fazer um podcast ou montar uma rádio virtual no Linux

A experimentação geralmente é a melhor professora, mas se você precisar de um empurrãozinho na direção certa, esse guia irá oferecer um tour pela área de trabalho do Linux para os novatos – ou seja, inicialize seu sistema Ubuntu e siga adiante!

Explore a interface
Uma das primeiras coisas que você vai perceber com relação ao Ubuntu é que é necessário logar toda vez que se inicia o sistema, usando o nome de usuário e senha que você determinou durante a instalação.

Se preferir – e se não estiver preocupado com terceiros acessando seu PC – você pode configurar o sistema para fazer login automaticamente na aba Segurança do painel Janela de início de sessão no menu Administração.

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Pode-se desativar a obrigatoriedade de informar
senha toda vez que se inicializa o Ubuntu

Mesmo que você faça isso, não se esqueça da senha; diferentemente do Windows, você vai precisar dela sempre que for instalar um software ou realizar tarefas administrativas mais delicadas. Ainda que isso pareça irritante, tal fato contribui para o ponto forte da plataforma: sua alta segurança.

A interface padrão Gnome GUI da área de trabalho do Ubuntu se baseou em diversas idéias de outros sistemas operacionais. O que isso quer dizer? Talvez ela lhe seja mais familiar do que você imagina.

A versão alternativa Kubuntu usa outro ambiente chamado KDE, que se parece mais com o Windows – enquanto a Gnome é mais similar ao Mac OS.

No Gnome, as barras superior e inferior, juntas, fazem funções equivalentes às do Windows. A barra superior contém menus para abrir aplicativos e configurar o sistema, enquanto a inferior monitora os programas que estão ativos.

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Interface Gnome: duas barras fundamentais, acima e abaixo da tela

Além disso, no canto esquerdo da barra inferior há um botão para esconder todas as janelas abertas; à direita ficam quadrados que representam “workspaces virtuais”.

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Canto esquerdo da tela: botão faz janelas darem
lugar à área de trabalho

A interface Gnome permite abrir duas ou mais workspaces, cada uma atuando como uma área de trabalho independente, como se você estivesse trabalhando em múltiplos monitores. Clicar nesses quadrados alterna de um workspace para outro. Você também verá o ícone da Lixeira à direita.

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Canto direito da tela: alterne entre workspaces e acesse a Lixeira

A navegação por menus e janelas segue as convenções normais. O botão da esquerda do mouse seleciona itens, e um clique duplo abre ou executa tal item. Por consequência, o botão da direita abre um menu de contexto. Há ainda alguns atalhos universais pelo teclado, como Alt-Tab para alternar janelas, Alt-F1 para mostrar o menu de Aplicativos e F1 para ajuda.

Aplicativos
Algo muito interessante nas distribuições Linux é o fato de que elas incluem não só o sistema operacional propriamente dito, mas também uma série de aplicativos práticos e cheios de recursos. Ou seja, ao instalar um pinguim qualquer você vai encontrar um mundo de aplicações para sair usando. É provável que se pergunte: ué, por que no ambiente Windows não ocorre o mesmo?

No Ubuntu, você pode acessar esse conjunto de softwares a partir no menu Aplicativos, ao lado do logotipo em cima à esquerda da tela. Dentre as aplicações padrão, você irá encontrar:

> OpenOffice.org, um pacote de produtividade para escritório
> O navegador Mozilla Firefox
> Evolution, programa de e-mail similar ao Outlook
> O Gimp, programa de manipulação gráfica nos moldes do Adobe Photoshop
> O Rhythmbox, tocador de mídia equivalente ao iTunes ou ao Windows Media Player

E se não for o suficiente pra você, dá pra adicionar outros. Na verdade, há um substituto no Linux para quase todos os programas do Windows e do Mac OS X. Na parte de baixo do menu Aplicativos, você vai ver uma opção que diz Adicionar/Remover. 

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Tela Adicionar/Remover lista opções de aplicativos disponíveis para instalação

Clicar nele faz abrir uma janela de navegação com todos os softwares disponíveis na distribuição que você instalou. Para baixar e instalar novos aplicativos pela Internet é só marcar as respectivas caixas e clicar em Aplicar mudanças. Ao final, o novo software vai aparecer na devida categoria do menu Aplicativos após ser automaticamente instalado.

Nota: Esse método de instalação fácil funciona apenas para os softwares mais populares, mas muitos outros estão disponíveis.

Quando você estiver conectado à Internet, o sistema irá alertá-lo periodicamente sobre atualizações e patches de segurança para os programas instalados.

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Ícone vermelho de alerta avisa sobre atualizações disponíveis

Aplicar esses updates é simples: basta clicar no ícone de alerta, e o Gerenciador de Atualizações irá se abrir. Ele permite que você examine os patches disponíveis; baixar e instalá-los é questão de um clique. Muitas vezes nem precisa dar reboot.

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Gerenciador de atualizações lista updates aptos a serem instalados

Ajuste o sistema
Já falamos do menu Administração. Entre ele e o menu Preferências você pode executar facilmente a maioria das tarefas comuns de configuração de sistema. A divisão entre Preferências e Administração é um pouco arbitrária; pense que eles são, juntos, o equivalente ao Painel de Controle do Windows.

Por exemplo, o painel Aparência (você vai encontrá-lo em Preferências) permite que você personalize o visual de sua área de trabalho.

Pode-se ajustar formato e cores das bordas e botões das janelas, mudar o papel de parede e usar outras fontes para os aplicativos e janelas. Esse painel fica no mesmo lugar onde você ativa os modernos Efeitos visuais do Compiz Fusion – caso sua placa gráfica os suporte.

aparencia

Preferências de aparência: três níveis de complexidade dos efeitos visuais

Vá ao painel Impressão (em Administração) se estiver com problemas para imprimir. A maioria das impressoras USB será detectada automaticamente, e o sistema vai instalar os drivers para você. No entanto, caso você use porta paralela ou serial, ou mesmo se quiser imprimir via rede, será necessário ajustar as configurações manualmente.

impressoras

Impressoras USB são localizadas automaticamente;
portas paralela ou serial precisam de indicação manual

Em Preferências, você também vai achar o painel de Network Configuration (Configurações de Rede), que é onde se estabelece parâmetros das conexões com e sem fio, banda larga móvel, VPN e DSL (como o serviço Speedy, por exemplo).

Por padrão, o Ubuntu tenta configurar sua conexão ethernet com fio via DHCP, o que deveria ser o suficiente para vários modems de cabo e DSL, mas uma configuração manual pode ser mais precisa.

Será preciso instalar outros softwares antes de configurar uma conexão VPN – busque por “vpn” no Gerenciador de Pacotes Synaptic, disponível em Sistema, Administração (para fazer a busca, é necessário ir até a opção Editar, Procurar).

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Ubuntu tenta configurar conexão ethernet com fio
via DHCP automaticamente por padrão

Nem todo cartão Wi-Fi irá funcionar com o Ubuntu. Mas, caso o seu seja suportado, você terá o prazer de ver que a configuração sem fio é simples e comporta tanto padrões de segurança WEP quanto WPA.

Uma ferramenta muito útil é o applet Gerenciador de Rede, que você pode localizar à direita da barra superior do Gnome. Ele permite que você gerencie diversas conexões a partir de um menu simples, além de mostrar o nível do sinal da rede wireless.

Será necessário instalar módulos extras para gerenciar conexões VPN com o Gerenciador de Redes; faça uma pesquisa por “gerenciador de rede vpn” no Gerenciador de Pacotes Synaptic.

Ambiente multiplataforma
Na maioria dos casos, o Ubuntu convive bem com outros sistemas operacionais e seus respectivos dispositivos de hardware. Às vezes, alguns fabricantes podem optar por não divulgar as especificações de seus equipamentos, o que pode tornar o suporte para Linux difícil ou impossível – mesmo assim você vai se surpreender com a quantidade de periféricos que o Linux consegue gerenciar automaticamente.

O Ubuntu lê a maioria dos cartões de memória, drives USB, CDs, DVDs e discos flexíveis sem problemas. Ele tenta até lidar automaticamente com toda partição de Windows que localizar na máquina.

Repare, no entanto, que isso não funciona da maneira inversa: um Windows ou um Mac OS X não consegue ler suas partições Linux sem ajuda de software adicional.

O Ubuntu também pode se conectar ao ambiente de rede do Windows a partir do Navegador de Arquivos, que você acessa por meio de Rede no menu Locais.

É possível acessar outros tipos de servidores de rede – incluindo sites FTP e WebDAV  – escolhendo Conectar ao Servidor.

servidor

Acesse diversos tipos de servidores de rede usando o Conectar ao Servidor

Se compatibilidade entre plataformas é seu foco, é importante prestar atenção ao formato dos arquivos quando for criar documentos no Linux. Por exemplo: o OpenOffice.org, por padrão, salva arquivos no formato OpenDocument (.odf), que o Microsoft Office não consegue ler – pelo menos não por enquanto. Você vai precisar especificar o formato do MS Office em que quer salvar, caso queira compartilhar seu material com usuários de Windows.

Pode acontecer de um programa para Windows sem o qual você simplesmente não conseguiria viver não possuir um equivalente para Linux. Para casos como esse, um software chamado Wine – disponível pelo Gerenciador de Pacotes Synaptic – pode ajudar.

O Wine é um emulador que permite rodar softwares nativos de Windows no ambiente Linux. Não funciona para 100% dos aplicativos, mas a lista de programas suportados está sempre aumentando.

Precisa de ajuda?
Esse guia é somente a ponta do iceberg quando pensamos no enorme mundo do Ubuntu e do Linux. Outras matérias continuarão sendo publicadas em PC WORLD sobre o assunto, mas se você quiser mais informações imediatamente, a melhor opção são os fóruns sobre Ubuntu, onde iniciantes e entendidos se reúnem para resolver e discutir problemas.

Ao fazer uma pergunta nesses fóruns, é possível que peçam a você para postar o conteúdo dos logs de sistema ou até os arquivos de configuração, para ajudar os gurus a diagnosticarem seus problemas.

Isso envolve pesquisa no temível mundo das linhas de comando do Linux (acessíveis via Terminal, na Accessories heading do menu Aplicações). Não tenha medo! É só seguir as instruções que receber, mas fique atento – quanto mais você aprende sobre o Ubuntu, mais perto você fica do status de guru!

E, por fim, aproveite! A maior força do Linux é a comunidade ao redor dele, e ao escolher o Ubuntu você ingressou num grupo crescente e progressivo de usuários de um dos sistemas operacionais mais poderosos e empolgantes disponíveis.

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