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Sem suporte no Brasil, 4G/LTE do iPhone 5 também desagrada europeus

Os três modelos incluem suporte para diversas frequências, mas deixam de fora duas importantes na Europa. Pré-venda começa hoje nos EUA e mais seis países.

Computerworld/EUA

14/09/2012 às 8h11

Foto:

Ao passar a suportar LTE, a quarta geração de telefonia móvel (ou 4G), o iPhone 5 revelou os verdeiros focos da Apple: a América do Norte e
os mercados asiáticos mais avançados (o Japão e a Coreia do Sul, principalmente), deixando as bandas de LTE mais
importantes na Europa para trás, assim como a banda escolhida pelo Brasil.

O iPhone 5 virá em três versões, equipadas para usarem diferentes
conjuntos de frequências: dois modelos para a família de tecnologias GSM
e um para CDMA, que também inclui bandas GSM para roaming.

Em cima dessas frequências, cada modelo inclui bandas selecionadas para
a mais rápida tecnologia LTE, realçada pela Apple para a venda do
iPhone 5. No entanto, a nova linha deixa de fora duas faixas – dos 800
MHz e dos 2,6 GHz – que serão fundamentais para o serviço LTE na Europa,
de acordo com Phil Marshall, analista da Tolaga Research - e 2,5GHz e 2,6MHz, usadas no Brasil.

Operadoras na Alemanha, Suécia, Itália e
outros países europeus já têm ou esperam implementar a LTE em 800 MHz
e/ou 2,6 GHz.

A Apple inclui a banda dos 1,8 GHz para o LTE em dois dos cinco modelos
do iPhone, o que pode permitir o uso da LTE nalgumas partes da Europa,
disse Marshall. Este conjunto de frequências, também chamada de Banda 3,
é usado em cerca de 25% dos operadores de LTE em todo o mundo, segundo a
Tolaga. Esta é uma das bandas LTE que não foi incluída no iPad 3,
lançado no início deste ano, uma lacuna que levou a uma ação legal na
Austrália sobre a publicidade da Apple ao dizer que o tablet suportava
“4G”. A empresa retirou essa afirmação da sua publicidade depois de uma briga na justiça.

Mas o suporte para as principais bandas de LTE na Europa, aparentemente,
vai ter de esperar por uma nova versão do iPhone, considera
Marshall.

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“Eles produziram um dispositivo focado nos mercados norte-americanos e asiáticos,
além de incluírem várias frequências de 3G em todos os três modelos para
o roaming", explicou Marshall. "Isto pode ser uma estratégia inteligente quando se
trata de investir em novas versões do produto. A Europa, de um ponto
de vista do LTE, não ganhou tanto impulso como os EUA e os
mercados asiáticos”, explica.

Equipar um telefone para muitas frequências diferentes – o CDMA no
iPhone 5 pode ser usado para 16 bandas diferentes, dependendo do
operador – não é uma tarefa impossível, mas representa um desafio para
os fabricantes de chips e de subsistemas, tais como amplificadores e
filtros, bem como para o fornecedor do telefone, disse Marshall. Isto
pode mesmo ditar escolhas sobre como a “motherboard” do telefone é
colocada, para um isolamento adequado das ondas de rádio das diversas
bandas.

Ao fabricar mais de um modelo do iPhone 5, a Apple pode estar tentando
controlar os custos desse desenvolvimento. Começando com o
iPhone 4, a empresa lançou versões separadas para CDMA e GSM, mas a
fragmentação de diferentes frequências utilizadas para a LTE elevou a
complexidade nesta versão.

“Eu anteciparia que eles vão continuar a fazer estes múltiplos
[produtos] em vez de tentarem juntar tudo em um único dispositivo”, refere
Marshall. Mas após várias gerações do smartphone, as redes LTE também já
poderão ter amadurecido ao ponto de terem um conjunto óbvio de bandas LTE para
incluir num único dispositivo vendido em todo o mundo, acrescentou.

As muitas peças diferentes de espectro utilizadas para a LTE é um
problema que vai além da Apple, e não se espera que os viajantes sejam
capazes de usar essas redes rápidas em países estrangeiros no curto prazo.

Os modelos
O modelo GSM A1428 parece ser destinado à AT&T, a operadora original do
iPhone e um pilar do negócio de telefonia celular da Apple nos EUA. Foi construído para
usar a LTE nas bandas 4 e 17, ambas implantadas pela AT&T. A rede
de LTE planeada pela T-Mobile USA também estará na banda 4, porém isso
não significa que um iPhone 5 da AT&T vá funcionar ou mesmo
necessariamente ter roaming na T-Mobile, apenas torna possível ter
dispositivos para essa rede.

O GSM A1429 parece adequado para as principais operadoras asiáticas: tem
bandas utilizadas pela NTT DoCoMo do Japão (em 2,1 GHz) e pela
sul-coreana SK Telecom e LG UPlus (nos 850 MHz), junto com a banda mais utilizada, de 1,8 GHz.

Há apenas um modelo concebido para CDMA, o tipo de rede 3G utilizada
pela Verizon Wireless e pela Sprint Nextel nos EUA. Este
modelo, o CDMA 1429, inclui as duas bandas de LTE japonesas e
sul-coreanas, além da banda 13, utilizada pela Verizon, e da bands 25,
usada pela Sprint nos Estados Unidos.

Todos os três modelos incluem suporte para as quatro faixas normalmente
utilizadas para o GSM e mais quatro para as suas variantes mais rápidas
que dão pelo nome de HSPA. A unidade CDMA inclui três bandas
especificamente para a sua variante de 3G, chamada EVDO.

Frequências brasileiras

Em todo o mundo a
quarta geração de telefonia celular (4G) está começando com
uma banda baixa (o dividendo digital, também conhecido como 700 MHz) e
uma alta (2
,5 GHz). Dizem ser uma combinação perfeita.

Começaremos a implantação de 4G, por aqui,
pela banda alta, de capacidade. Isto se encaixa bem no objetivo central
do Governo de prover serviços de 4G na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016. Serão 12 cidades cujas áreas centrais de
transporte, turísticas e esportivas poderão ser cobertas com 2,5 GHz,
prevendo um período de grande utilização durante estes eventos
esportivos, mas deixando um legado importante para essas populações
urbanas.

Portanto, no Brasil, a frequência utilizada inicialmente para o LTE será entre 2.5 GHz e 2.69 GHz. O que fará com que vários aparelhos fabricados lá fora não funcionem em $G aqui. A questão não é exclusiva do iPhone 5 e outros aparelhos anunciados como
4G podem ter o mesmo problema, nomeadamente o Galaxy SIII da Samsung,
os Lumia 920 e 820 da Nokia, o One XL da HTC e o Ascend P1 da Huawei.

 A Motorola foi a primeira empresa a anunciar a produção local de um smartphone 4G em 2,5GHz. Batizado de "RAZR HD", ele é uma evolução dos já conhecidos RAZR e RAZR MAXX. Outros fabricantes deverão fazer o mesmo, já que a Qualcomm assumiu o compromisso de fabricar chips com as frequências LTEs usadas no país.

E o governo planeja licitar a faixa de 700 MHz (usada pelo iPhone 5 no mercado americano) já em 2013. O processo será demorado, porque a destinação da faixa de 700 MHz para as prestadoras de serviços móveis não poderá, em momento algum, fazer com que cidadãos brasileiros corram o risco de ficar sem o mais universal de nossos serviços, que é a televisão, presente em pelo menos 95% de nossos domicílios.

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