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Separação da divisão de PCs da HP pressiona Microsoft a “acertar” no Windows 8

PCs estão perdendo importância para os tablets, uma das plataformas na qual o novo sistema irá rodar

Gregg Keizer, Computerworld EUA

19/08/2011 às 15h08

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A venda ou separação do Personal Systems Group (PSG), divisão da HP responsável por computadores pessoais, do restante da empresa irá pressionar a Microsoft a “acertar em cheio” no Windows 8,disse um analista.
 
“É preocupante, não importa de que ângulo você observa”, disse Wes Miller, um analisa da “Directions on Microsoft”, uma empresa de Kirkland, no estado de Washington, que é especializada em acompanhar a gigante do software. “A HP foi uma forte parceira da Microsoft durante um período muito longo, então é necessário ponderar o porquê da mudança na sua estratégia”
 
A venda do PSG seria um indicador do declínio em importância do PC - e portanto do Windows, que roda a vasta maioria dos computadores pessoais - em favor de outros aparelhos, incluindo tablets e smartphones que rodam outros sistemas operacionais, disse Miller. E isso coloca pressão na Microsoft para lançar outro sistema operacional de sucesso. “Isto reenfatiza a necessidade da Microsoft de “acertar em cheio” no Windows 8”, disse Miller.
 
O Windows 8, que ainda não tem uma previsão oficial de lançamento, irá alterar radicalmente a aparência e o comportamento do sistema operacional, que já tem 21 anos, e também será capaz de rodar em tablets, segundo a Microsoft.
 
Na manhã da última quinta-feira (18/08) veículos como o Wall Street Journal e a Bloomberg citaram fontes “familiarizadas com a situação” que alegaram que a HP estaria planejando separar o PSG do restante da empresa, e que o anúncio seria feito durante o anúncio dos resultados financeiros do trimestre, no mesmo dia.
 
Durante o anúncio a HP confirmou que está encerrando a produção e comercialização de aparelhos baseados no sistema operacional WebOS - incluindo o recém-lançado tablet TouchPad, e procurando “alternativas estratégicas para o Personal Systems Group”, que podem incluir “uma separação total ou parcial do PSG do restante da HP, através da criação de uma nova empresa ou outra transação”.
 
“A HP vê um futuro onde o PC não é mais o foco”, disse Miller. “Assim como a IBM fez em 2005”. Seis anos atrás, a empresa vendeu sua divisão de PCs para a chinesa Lenovo. Mas uma venda ou separação do PSG - o maior vendedor de PCs no último trimestre, segundo dados do Gartner - não significa a morte do computador pessoal.
 
“PCs continuarão a ser estatégicos, porque rodam os aplicativos dos quais as empresas dependem”, disse Mark Margevicius, um diretor de pesquisa do Gartner. “O fato de todos estão lutando (para vender PCs) não torna a plataforma menos estratégica para as empresas. PCs são um mercado global de 100 milhões de unidades. Não vão morrer de forma alguma”.
 
As vendas de PCs atribuídas à HP não irão simplesmente evaporar porque a divisão foi separada da empresa ou vendida à uma rival, disse Margevicius. “No final das contas, alguém vai ficar com esse mercado”. Portanto, a curto prazo a Microsoft dificilmente irá notar qualquer diferença nas vendas do Windows. Entretanto, assim como Miller, Margevicius vê a decisão como sinal de uma tendência preocupante.
 
A HP irá reter o sistema operacional webOS que adquiriu no ano passado quando comprou a Palm, mas irá cessar o desenvolvimento e produção de tablets baseados no sistema operacional. O TouchPad chegou às lojas há pouco mais de um mês, e vários ex-executivos da Palm, incluindo o CEO Jon Rubinstein, tem altos cargos no Personal Systems Group da HP.
 
“A HP tentou usar o TouchPad como um desfibrilador no mercado de PCs, mas os resultados não foram o esperado”, disse Margevicius. “O paciente não morreu, mas está na UTI”. Ironicamente, Miller vê a retirada da HP do mercado de tablets como uma vitória para a Microsoft.
 
A HP deixou claro que estava apostando no webOS, em vez do Windows 8, como o sistema para seus tablets. Ao sair do mercado, isto significa que a Microsoft tem “um parceiro a menos” para convencer de que o Windows 8 é a escolha certa.
 
“Para que o Windows 8 tenha sucesso (nos tablets) a Microsoft precisa de um parceiro que tenha paixão, e que trabalhe em conjunto com ela para fazer um grande tablet”, disse Miller. Tanto Miller quanto Margevicius atribuem a decisão da HP de abandonar o mercado de PCs às pequenas e frágeis margens de lucro em computadores pessoais equipados com Windows.
 
“É básico”, disse Margevicius. ”Esta parte do negócio pode parecer atraente vista de uma perspectiva legada, mas é a divisão da HP que gera o menor lucro. A a HP é comandada por alguém que não tem nenhum vínculo forte com hardware. Leo Apotheker tem três coisas em mente: software, serviços e suporte, não necessariamente nessa ordem. Todos estes mercados são muito mais lucrativos que o de PCs”.
 
A HP contratou Apotheker, ex-CEO da SAP, gigante alemã do software, como seu presidente e CEO em Setembro de 2010.
 
Margevicius disse que Dell, a segunda colocada no mercado mundial de PCs, irá provavelmente colher os melhores frutos com a desistência da HP. “A Dell será vista como um fabricante confiável e sólido”, disse ele.

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