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Será a sobrecarga de tecnologia um perigo para nossas mentes?

Pesquisas recentes revelam que a fixação por tecnologia e pela vida online leva à perda de foco e de memória.

Robert X. Cringely, da Infoworld/EUA

08/06/2010 às 21h03

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Esta semana é, obviamente, marcada pela Apple Worldwide Developers Conference – outra festa de amor e admiração patrocinada por Steve Jobs, na qual ele costuma desfilar as últimas tecnologias que mudarão sua vida, para deleite e delírio de seus fãs de plantão.

Mas antes que entre nesse assunto, quero falar sobre os artigos de domingo (6/6) que o New York Times publicou em seu site – uma série de textos sobre como a tecnologia vem mexendo com os circuitos de nossos cérebros, e não é de maneira positiva.

Ao que parece, a sobrecarga de tecnologia arruína sua capacidade de concentração e faz com que você se repita. Ela também acaba com sua capacidade de concentração e faz com que você se repita.

(Acho que já li isso em algum lugar.)

Quanto mais tecnologia você consome, quanto mais você faz várias coisas ao mesmo tempo, quanto mais gadgets você tem e usa, quanto mais mensagens de e-mail, Facebook, Twitter e SMS você envia e recebe, e quanto mais você faz tudo isso ao mesmo tempo, mais seu cérebro começa a se parecer com um pedaço envelhecido de queijo suíço – pelo menos é o que diz o NYT.

Ação na Justiça
Tudo que posso dizer é: graças a Deus. E eu culpava todos aqueles salgadinhos que comi durante os anos de faculdade. Mas não, agora sei que se trata de sobrecarga de informação e de tecnologias. Em outras palavras, os problemas do meu cérebro são realmente algo que daria motivo para entrar com uma ação na Justiça do Trabalho.

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De acordo com o NYT, “em 2008, as pessoas consumiram três vezes mais informação por dia do que em 1960. E elas mudam sua atenção constantemente. Os usuários de computador no trabalho mudam de janelas ou verificam e-mail ou outros programas aproximadamente 37 vezes por hora, mostra uma nova pesquisa”.

Fascinante, não? Espere um segundo enquanto eu tuíto isso para minha turma. Ei, sou a 66.ª pessoa a recomendar este artigo, e parece que recebi algumas novas DMs. Você sabia que é possível ganhar milhares de dólares de renda extra com o Twitter em seu tempo livre? Opa, também quero.

Onde eu estava? Ah, sim.

Testes online
Não sei direito o que diz o resto do artigo porque havia um link nele para um game que testava minha capacidade de ignorar distrações, usando um punhado de retângulos azuis e vermelhos. Estava indo bem até que notei outro teste que media minha capacidade de saltar entre tarefas. O novo teste mostrava uma letra e um número lado a lado; depois perguntava se a letra era vogal ou consoante, ou se o número era par ou ímpar.

Estava indo bem neste teste até que meu celular tocou. Eu não reconheci o número, por isso continuei ouvindo até a pessoa me deixar um correio de voz.  Sim, outro assessor de imprensa ligando para saber se eu recebi seu press release – ainda bem que não atendi.

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Admito: frequentemente me sinto como aquele cara em “Memento” (qual era mesmo o nome dele?) que não tinha nenhuma memória de curto prazo e sobrevivia tatuando informações importantes em partes do seu corpo, o que explica por que eu encontrei, escrito na minha perna, o recado “Leite, ovos, lâmpadas” – ou, ao menos, espero que explique.

De volta ao artigo do NYT.

Torre de controle
Uma parte do cérebro age como uma torre de controle, ajudando a pessoa a manter o foco e definir prioridades. Partes mais primitivas do cérebro, como aquelas que processam visão e som, demandam atenção para novas informações, bombardeando a torre de controle quando são estimuladas.

Assim, enquanto seu cérebro tenta conduzir aquele Boeing 737 no ar (quer dizer, dirigir rumo ao trabalho), Bruce Willis aparece do nada, correndo como um louco (novas mensagens SMS), e tenta derrubá-lo no chão.

Pelo menos é o que eu acho que isso quer dizer. O resto daquele parágrafo continuava na página três daquele artigo, e eu nunca cheguei a sair da página dois.

Outro link naquela página levava a um artigo que ligava o vício em tecnologia aos distúrbios da alimentação:

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“O problema é semelhante ao de um distúrbio de alimentação, diz a Dra. Kimberly Young, professora da Universidade de St. Bonaventure, em Nova York. Ela liderou uma pesquisa sobre a natureza viciante da tecnologia online. A tecnologia, tal como o alimento, é parte essencial do cotidiano, e aqueles que sofrem de desordem no comportamento online não podem desistir dela inteiramente. Em vez disso, precisam aprender a usá-la de forma moderada e controlada.”

O que explica por que, toda vez que eu leio Mashable ou TechCrunch, imediatamente sinto como se estivesse pondo tudo para fora. Eu devo ser infobulêmico.

Sinais de alerta
Também não terminei de ler este artigo. No entanto, cliquei em um link que levou a um gráfico que lista alguns dos sinais que advertem se você está viciado em tecnologia. Entre eles:

::Você sempre verifica seu e-mail antes de fazer qualquer outra coisa;

::Você tenta esconder o quanto tem ficado online;

::Você prefere gastar tempo online em vez de sair com outras pessoas;

::Você pesa 200 quilos e vive num quartinho na casa de seus pais.

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Ok, eu inventei esta última. Mas as outras três – bem, eu não me encaixo nelas, mas conheço um amigo próximo e, cara, ele tem esse problema.  Você tem de separar o teclado das mãos dele com uma espátula.

Por acaso, enquanto eu escrevia este texto, 132 de meus amigos no Facebook clicaram em “Gostei” no mesmo artigo do NYT. E três dessas pessoas eu conheço pessoalmente. A tecnologia não é o máximo?

Hum, tenho a impressão de que havia mais alguma coisa que gostaria de comentar, mas esqueci. Bem, uma hora dessas eu lembrarei.

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