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Será que já não é hora de a Microsoft acabar com o Internet Explorer?

O navegador perde mercado a cada mês. É preciso que a empresa desenvolva algo inovador, se quiser continuar a liderar essa guerra.

Jason Cross, da PC WORLD/EUA

14/01/2010 às 18h08

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ie1_150.jpgPode demorar, mas sempre acontece. Toda empresa, independentemente da relevância e da dominância que seus produtos possam ter, precisa repensar suas estratégias e, às vezes, recomeçar do zero.

Ao analisarmos a trajetória Internet Explorer, cuja primeira versão foi lançada em julho de 1995 (há 15 anos), vemos que paralelamente ao seu sucesso - o navegador, que já teve 90% de participação de mercado, fechou dezembro de 2009 com 62,7% de market share - o software tem um longo histórioco de vulnerabilidades e bugs. Isso nos leva a concluir que pode já ter chegado a hora de a Microsoft repensar o projeto sob uma nova perspectiva: criar um novo navegador e não apenas atualizações.

Não queremos dizer que a Microsoft deva sair desse segmento. Ao contrário, entendemos que a empresa ainda tem muito a oferecer. Recursos como o Webslice e o modo de navegação anônima são bons avanços, além da tecnologia anti-phishing, na qual está na vanguarda. Mas novas versões do IE não irão ajudar a gigante do software.

Retrato histórico
Para que você possa entender o comportamento dos internautas ao longo do tempo, em 2009, 53,4% dos leitores que visitaram o site de PC World, o fizeram com o Internent Explorer (qualquer versão do navegador); 36,34% usaram o Firefox; 6,73% o Google Chrome; 1,7% o Safari e 1,34% o Opera. Em 2008, os percentuais foram os seguintes: Internet Explorer (64,89%); Firefox (30,84%); Google Chrome (1,35%) e Safari (1,34%). Ou seja, no período de um ano, pela amostra utilizada, vimos que o browser da Microsoft perdeu 11,5 pontos percentuais para outros navegadores.

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Nos últimos meses, segundos dados de mercado, o IE está perdendo 1% do mercado ao mês em todo o mundo e, pelo visto, isto é só o começo. Em um futuro não muito distante, as perdas mensais vão se acentuar e não será o lançamento do Internet Explorer 9 que irá deter essa queda. É claro que a Microsoft vai incluir muita coisa boa no IE9 - um vídeo do Channel 9 (é necessário ter o Silverlight instalado para assistir) mostra um pouco disso.

Usar o Direct2D para suavizar o design de janelas de aplicativos web é algo tão atraente? Mas isso pouco importa se o navegador não apresentar recursos realmente inovadores. É hora de um browser novo, quem sabe até com outro nome.

Apontamos a seguir, seis caminhos que a Microsoft pode seguir para manter-se à frente do mercado de navegadores para internet.

1. Deixar de lado o nome Internet Explorer

Desenvolver uma nova versão do IE em 2010 seria como se a Ford quisesse lançar um novo modelo do Taurus. Isso evoca lembranças dos velhos tempos do Netscape, quando a Internet era outra. Por que não chamá-lo de Navegador Bing? Essa marca está indo bem e os usuários parecem gostar do serviço de buscas da Microsoft, ao menos aqueles que o têm usado.

2. Redesenhar a interface a partir do zero
Não é possível entregar um produto novo com a cara de uma versão de 2008 e alterar o nome simplesmente (ver item 1). Quem sabe não deixar o projeto de design nas mãos da atual equipe do Internet Explorer, do Office ou do Windows. É preciso buscar novos projetistas, como os que desenvolveram o Zune, por exemplo. Esse aplicativo é clean e não utiliza ícones estáticos e barras de rolagem comuns ao Windows.

Não estamos sugerindo que o navegador precisa ser igual ao Zune. Considere que o Zune faz o que o Media Player faz (organizar e tocar arquivos de música e vídeo), mas com interface e funções renovadas.

Por exemplo, pode-se retirar do navegador os botões e menus tipo drop-down tanto à esquerda quanto à direita. Quem usa ainda o botão Home (página inicial)? As pessoas já têm à disposição as guias em que elas mesmas podem escolher as páginas padrão.

É preciso deixar o máximo de espaço útil da tela, pois há uma invasão desses netbooks com telas pequenas. A caixa de pesquisa também pode ser eliminada: o navegador deve ser suficientemente inteligente para buscar a URL automaticamente nos favoritos, no histórico e na própria web.

E enquanto estiver na página, o navegador pode retirar automaticamente a barra de títulos e de status, maximizando a área visualizada.

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Assim como o Zune não é nada parecido com o WMP,
o novo navegador não deve ser nada parecido com o IE

3. Empilhar visualmente a enxurrada de sites no histórico
As pessoas não querem buscar o histórico de páginas, abrindo um menu e vendo uma lista imensa para encontrar uma URL já acessada. Melhor seria contar com uma guia chamada Histórico que exiba miniaturas classificáveis dos sites visitados anteriormente.

A própria Microsoft já possui uma aplicação, chamada Pivot, desenvolvida por meio de um projeto chamado Microsoft Live Labs. Ela executa algo muito semelhante. O que queremos dizer é que funções básicas como a busca de sites favoritos, abrir histórico, abas e novas janelas devem ser funções o mais automatizadas possível.

4. Desenvolver um novo, robusto e fácil modo de usar complementos
As pessoas gostam do Firefox porque ele é mais rápido? Talvez. Mas pelo menos metade dos usuários do navegador da Mozilla com quem conversamos gosta dele por causa dos add-ons.

Existem complementos para o IE. Mas convenhamos: são muito fracos quando comparados aos do Firefox e também do Chrome. Os desenvolvedores devem ser capazes de criar clientes FTP, organizadores de favoritos, gerenciadores de senha e até mesmo scripts que bloqueiam sites indesejados, como os de publicidade.

5. Esquecer a retrocompatibilidade
A Microsoft já está trabalhando duro para tornar o próximo IE compatível com os padrões mais novos da linguagem HTML e novas funcionalidades como  a aceleração Direct2D, desempenho maior em Javascript e assim por diante.

Então é hora de esquecer o modo de compatibilidade presente no IE8. Se as pessoas ainda querem ver algo como antigamente, então que continuem a usar a versão anterior do browser.

O novo navegador deve ter um único modo de cumprimento de normas. Sim, algumas páginas podem aparecer com problemas. Mas pergunte a qualquer desenvolvedor e eles dirão que cada navegador apresenta desafios de formatação.

E o que eles querem é uma tantativa honesta de unir as diferentes formas para não punir os sites existentes. Os sites são constantemente otimizados para funcionar corretamente com um navegador ou outro. Portanto, a Microsoft não estará “quebrando as pernas” de ninguém se retirar esse modo de 'retrocompatibilidade' do seu navegador.

Se quiser ganhar alguma credibilidade com os geeks, que influenciam as pessoas sobre qual a melhor ferramenta a ser usada e qualquer outro software, então é melhor tentar usar ferramentas de teste como o Acid 3 e o pacote CSS Selectors.

Sim, objetivamente é mais importante usar as tecnologias novas, que estão presentes nos sites mais populares, mas os usuários finais não podem testar tudo.

O que eles fazem é usar o navegador de modo prático e, quando cair no modo de compatibilidade, rapidamente julgar que a Microsoft não entende a importância de uma padronização. Injusto? Talvez, mas é a realidade.

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A Microsoft deveria utilizar o teste Acid3,
mesmo que ela pense que não é importante

6. É preciso caminhar compassadamente
O próximo navegador da Microsoft será avaliado sobre o quanto ele será rápido para iniciar, carregar páginas e passar por benchmarks de Javascript. Além disso, queremos ver como ele se comporta quando está com várias abas abertas, como se fosse uma operação multitarefa - o que, aliás, é o que todo usuário faz.

Não se deixe enganar pela atual liderança do IE na quota do mercado. Funciona como o mercado de ações: não importa se a empresa está em alta ou em baixa, mas sim, se ela está movimentando o mercado, subindo e descendo. E o IE está com o gráfico se movendo apenas para baixo - e há muito tempo.

É necessário pensar no Firefox e no Chrome (imagine o desempenho das futuras versões). O IE já não está rápido o suficiente para competir com esses navegadores. A aceleração Direct2D já é um bom começo.

Com a enxurrada de netbooks no mercado, será essencial que o navegador tenha a capacidade de carregar as páginas de uma forma eficiente para economizar energia. Anote: sites especializados que realizam testes de equipamentos, inclusive testes de duração de bateria de laptops, logo estarão usando navegadores para testar a bateria. Afinal, a computação em nuvem está aí e veio para ficar.

A Microsoft pode brigar mais fortemente no mercado de navegadores, mas terá que mudar sua estratégia. Não basta uma camada de tinta de diferente e pronto: eis uma nova versão do IE.

É necessário desenvolver com vontade e paixão, com o objetivo de criar algo realmente novo. É preciso um novo nome, novo visual e novos recursos. A Microsoft precisa desenvolver um navegador como se nunca tivesse feito nenhum outro. E diferente e melhor do que qualquer outro. E que faça pelo menos o que os outros fazem - e se possível melhor e mais rapidamente.

Os engenheiros da empresa podem dar conta dessa tarefa? O Zune HD e Xbox 360 são exemplos de como a Microsoft pode virar a mesa, basta aplicar a mesma mentalidade usada nesses produtos em um novo navegador.

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