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Será que o Android, do Google, fará do HTC G1 um iPhone?

Lançamento carrega o fardo de ser o primeiro aparelho a rodar o sistema operacional criado pelo gigante de buscas.

Tim Haddock, da Macworld.com

08/10/2008 às 15h26

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O Android, do Google, é um sistema operacional open-source que pretende dar mais uma opção de plataforma aos fabricantes de celulares para basear seus aparelhos. E está sendo considerado um desafiador ao sistema operacional do iPhone, da Apple.

Mas a base de usuários de iPhone está acostumada a pensar em hardware e software do telefone como uma única coisa. Logo, o primeiro smartphone com Android carrega o fardo de apresentar o novo sistema ao mundo. O G1 é uma mistura de hardware fornecido pela HTC, a plataforma Android e o serviço fornecido pela operadora T-Mobile, nos Estados Unidos. Como o G1, com lançamento planejado ainda para este mês, vai se portar em relação ao alto padrão gerado pelo iPhone?

“A Apple sempre está três passos à frente de todo o resto em seus negócios. Agora, a Apple está apenas dois passos à frente”, comentou o analista sênior Gene Munster, da Piper Jaffray, durante o anúncio do G1.

Hardware
A filosofia do G1 é direta ao ponto: tem uma tela sensível ao toque como o iPhone, com recursos que todos os críticos da Apple gostariam que o iPhone tivesse. E custa 179 dólares, ou 20 dólares a menos que o modelo inicial do iPhone 8 GB nos EUA.

Um trackball e o teclado QWERTY que surge abaixo da tela pode atrair executivos acostumados com o BlackBerry, e um slot permite trocar cartões de memória (padrão microSD). A bateria também é removível, sem contar a câmera de 3 megapixels, que pode ser considerada uma melhoria em relação à câmera de 2 megapixels do iPhone.  Claro que entradas adicionais, botões e teclado têm seu custo. O G1 é 25% mais grosso e 20% mais pesado que o iPhone.

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G1: acelerômetro é ativado quando o teclado está à mostra

E, claro, existem limitações. A tela do G1 não aceita multitoque, e o acelerômetro só entende que você quer deixar a tela em modo paisagem até que abra o teclado. E faz falta um conector 3,5 mm padrão para fones de ouvido: para ouvir músicas, é preciso usar um adaptador especial para fones. (O iPhone original tinha uma entrada padrão que precisava de adaptador para fones de outros fabricantes; o problema foi resolvido no iPhone 3G).

Finalmente, o slot de memória do G1 aceita cartões de até 8 GB apenas – não muito se comparado ao iPhone 3G, que já vem com 8 GB ou 16 GB integrados. Claro, dá para comprar diversos cartões para o G1 também.

A operadora
Felizmente, a T-Mobile vai lançar o G1 com um plano de dados de 1 GB/mês. Isso deve permitir utilizar ao máximo as capacidades do telefone. Só que, no lançamento previsto, em 22 de outubro, a rede 3G da T-Mobile vai cobrir apenas 22 áreas nos EUA, crescendo para 27 em novembro.

Em comparação, a rede 3G da AT&T (provedora do iPhone) cobre mais de 275 regiões, com previsão de chegar a 350 no final do ano. Como no iPhone, os donos do G1 poderão usar redes EDGE ou Wi-Fi.

O software
Como se poderia esperar de um telefone do Google, o G1 integra os aplicativos do Google como Gmail, Google Talk e Maps. O recurso Street View, do Google Maps, junto ao GPS do dispositivo, vai permitir que a imagem na tela seja semelhante à perspectiva do usuário conforme ele movimenta o aparelho, e o ajuda a se orientar com pontos de referência fotográficos. Rumores indicam que a próxima atualização de software do iPhone vai incluir o Street View também.

Os compradores do G1 podem se surpreender ao descobrir que o telefone não vem com diversos programas ou games instalados. Vem com poucos aplicativos, como o ShopSavvy, que permite comparar preços online ao escanear códigos de barras com a câmera embutida. O Ecorio ajuda a verificar suas emissões de carbono na atmosfera e, diferente dos aplicativos para iPhone, pode rodar em segundo plano. A loja de MP3 da Amazon vai permitir aos compradores norte-americanos navegar pela biblioteca de músicas pela rede 3G, mas os donwloads só serão feitos por Wi-Fi.

Também não espere sincronizar seu G1 com o iTunes, ou melhor, com nenhum computador, na verdade. Isso pode complicar a vida de usuários de Outlook e afastar potenciais clientes corporativos que se interessariam pelo teclado embutido do G1.

Novo software poderá ser baixado pela versão beta do Android Market, resposta do Google à App Store da Apple. O analista Gene Munster acredita que o processo de baixar e instalar aplicativos no Android será menos direto ao ponto que a experiência na App Store.

Para o desenvolvedor
A Apple é alvo de críticas dos desenvolvedores de software por conta de restrições na comunicação (embora tenha liberado algumas coisas) e toma decisões arbitrárias ao selecionar aplicativos que irão (ou não) ser vendidos na App Store. Os desenvolvedores mais frustrados vão migrar para o Android, com seu ponto de vista open source? Carl Howe, diretor de pesquisas de tecnologia da consultoria Yankee Group, acredita que o contrário pode acontecer.

“Para o desenvolvedor, a maior abertura do Android é atropelada por uma platafoma mais consistente”, afirmou Howe. “Com o iPhone, há apenas um tamanho de tela, uma interface, e seu kit de desenvolvimento de software torna fácil criar programas. Mas o mais importante é que eles criaram um modo de fazer o software dar lucro rapidamente”, disse.

Desse modo, o fato de ter código aberto e uma visão mais aberta ao mercado pode fazer com que desenvolvedores criem novas funcionalidades que as operadoras não queiram  - ou até mesmo que a Apple não deixaria ver a luz do dia.

Então, por que o Android é tentador para os fabricantes de celular? Ao optar pela plataforma aberta, os fabricantes economizam de dois a dez dólares por unidade, segundo Howe. “O Android é para fabricantes de aparelhos, e o iPhone é para usuários”, afirmou.

As possibilidades do Android são ilimitadas, por conta de seu caráter de código aberto, mas quais possibilidades e quando elas virão a acontecer ainda estão longe de ter uma resposta. Por enquanto, para um futuro mais próximo, a experiência direta do iPhone dá vantagem clara ao telefone da Apple.

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