Home > Notícias

Seria a Oracle o novo vilão do mundo da tecnologia?

A Microsoft já não ocupa o posto de arquivilão com autoridade; Google, Apple e Oracle aparecem como candidatas para substituí-la.

InfoWorld/US

16/08/2010 às 18h16

Foto:

Todo mundo ama odiar um arquivilão. No mundo da tecnologia, está claro que a Microsoft não ocupa mais o posto – ela já não é uma grande ameaça – portanto, o lugar está vago para candidatos. Será o novo eleito a Apple? Os problemas com a antena do iPhone 4 e a política de restrições em sua loja de aplicativos a tornam uma forte candidata. E a Google? Mostra que não veio a passeio com sua relação duvidosa com o governo chinês e a negociação para corromper a neutralidade da rede. O Facebook até que vem a cabeça, mas, convenhamos, a rede social ainda não é uma gigante da indústria tecnológica.

Em seguida, temos a Oracle. Ao entrar com um processo contra a Google e seu sistema Android, devido a uma suposta violação das patentes do Java, a empresa confirmou os piores temores daqueles que questionavam o modo como ela administrava o formato. Em uma tacada ousada, a Oracle atacou a melhor alternativa ao iPhone, ignorou o legado de seu produto e desprezou a comunidade open-source – esses dois últimos ao reforçar as patentes do Java e, em uma atitude digna de Coringa, insinuar descartar o OpenSolaris e seu futuro desenvolvimento (clientes do MySQL, como se sentem?).

Mas será que a Oracle tem pernas para esse papel de arquivilão? Fora do mundo da tecnologia, ninguém ouve seu nome, a não ser quando ela anuncia uma aquisição como a da PeopleSoft, Siebel, BEA ou Sun. Deixando essa parte de lado, a Oracle é uma companhia muito discreta para o quanto vale: 113 bilhões de dólares.

Começar um conflito com o popular Android pode mudar esse cenário de desconhecimento, principalmente se o litígio judicial durar anos, aos olhos do público. E há mais possíveis destaques, como a compra da Sun e as muitas demissões promovidas logo depois. Aliás, isso já é visto como um padrão: No Vale do Silício, a Oracle é conhecida como o Triângulo das Bermudas dos predadores, devorando todo tipo de empresa promissora e sendo pouco gentil com os funcionários da companhia adquirida. Vamos ver: adicione um CEO extremamente combativo, taxas exorbitantes de manutenção de software e uma cultura empresarial dura, e temos um vencedor?

Creio que não, não ultimamente. Assim como a Microsoft, a Oracle domina setores do mercado de software que não possuem muita perspectiva – exceção feita ao seu programa de banco de dados, soluções para servidores é uma categoria ainda menos excitante que sistemas para desktop. Quem pode culpar a companhia por juntar seu portfólio e arranjar um jeito de, na falta de uma palavra melhor, rentabilizá-lo (e quem sabe, conseguir um pedaço do bolo dos dispositivos móveis)? Estamos em um momento interessante no qual os velhos leões da tecnologia parecem desprovidos de novas ideias, mas, como a lei da selva nunca muda, farão de tudo para permanecerem no topo.

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail