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Sete dias com um tablet Windows 8

Novo sistema operacional da Microsoft, e o hardware que o acompanha, promete unir o melhor dos tablets e dos notebooks em um único aparelho. Será que dá certo?

Sandro Villinger, ITWorld EUA

13/08/2012 às 15h46

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Comprei o primeiro iPad e ele é meu aparelho favorito para uso casual desde então. Levo ele em viagens pessoais, a trabalho e até mesmo para a cama para ler notícias, assistir minhas séries favoritas ou simplesmente conversar com os amigos. É um computador realmente “pessoal” e vai para onde eu for. O problema, entretanto, é que ele é puramente um aparelho para “consumo” de conteúdo. E só é bom para fazer uma tarefa de cada vez.

E então surge o Windows 8, prometendo um sistema operacional desktop completo combinado a uma moderna interface otimizada para telas sensíveis ao toque, no que pode ser descrito como “o melhor de dois mundos”. Decidi fazer uma experiência usando um tablet Samsung Series 7 cedido pela Microsoft durante o evento TechEd, que ocorreu no final de Junho em Amsterdam, na Holanda. As possibilidades são intrigantes, mas será que o Windows 8 cumpre o que promete?

Antes de mais nada, um aviso: haverá dois tipos de tablets Windows 8 nas lojas. Os equipados com um processador Intel, como o Series 7 que testamos para este artigo, irão rodar o “Windows 8 Pro”, e terão além da interface Metro o tradicional ambiente desktop e compatibilidade com todos os aplicativos Windows que você já usa. Já aqueles baseados em processadores ARM irão rodar o “Windows RT” e não serão compatíveis com os aplicativos Windows atuais. Terão apenas a interface Metro, e serão capazes de rodar apenas aplicativos desenvolvidos especificamente para o Windows 8.

1º Dia: Instalação e compatibilidade de software

Tenho em todos os meus PCs e notebook com Windows um conjunto de cerca de 80 a 100 aplicativos (incluindo o Office 2010, Live Essentials, WinRAR, Adobe Reader, TeamViewer, um conjunto de Benchmarks, etc.) que instalo e dos quais dependo no meu dia-a-dia. Como de costume instalei cada um deles, e me surpreendi ao ver como tudo ocorreu sem problemas. Mesmo o Ulead PhotoImpact X3, um aplicativo há muito abandonado e que sequer foi desenvolvido para o Windows 7, funcionou sem problemas. Só tive um pequeno contratempo com um pacote de codecs que uso para reproduzir aquivos MKV e DiVX, mas instalar o Shark007 Windows 8 Codec Pack corrigiu o problema. 

Gostei especialmente do recurso de integração com a nuvem. Quando mudei de minha conta local para minha Conta Microsoft o tablet automaticamente importou todas as configurações de minha máquina desktop, incluindo o papel de parede, senhas salvas, preferências de idioma, configurações de aplicativos e mais. Isso economiza muito tempo.

2º Dia: Organizando com os dedos

Temi o momento em que teria que lidar com arquivos e configuração fora da interface Metro e usando apenas a tela sensível ao toque. E embora não tenha sido o ideal, copiar arquivos, rodar instaladores, mover e renomear pastas foi bom o suficiente. A Microsoft claramente aprimorou a detecção e tolerância a falhas, e normalmente seus dedos conseguem acertar o alvo, não importa o quão pequeno seja.

O que me incomoda imensamente é o menu contextual. Para dar um clique com o “botão direito” sobre um item você tem que tocá-lo, aguardar dois ou três segundos e tirar o dedo. Isso requer uma dose de paciência que não tenho na hora de lidar com muitos arquivos ou usar o menu contextual em um aplicativo.

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"Ribbon" (no topo da janela) facilita o uso do gerenciador de arquivos numa tela sensível ao toque

O Windows 7 tinha uma solução melhor para isso, permitindo um roque com os dois dedos sobre um objeto para simular o clique com o botão direito. A boa notícia: o novo gerenciador de arquivos no Windows 8 usa a “Ribbon” do Office com comandos comummente usados, como Mover ou Copiar, algo que faz muito sentido em uma tela sensível ao toque e realmente economiza tempo no dia-a-dia.

3º Dia: Cadê meu espaço em disco?

O Samsung Series 7 tem um disco de estado sólido (SSD) de 64 GB. Quando o tirei da caixa, havia cerca de 40 GB livres, e quando terminei de instalar todos os meus aplicativos e o Skydrive (que baixou automaticamente 28 GB de músicas do iTunes, fotos e documentos) o gerenciador de arquivos já tinha marcado o disco em vermelho. E ao longo de três dias o Windows 8 acumulou um monte de lixo incluindo vários pontos de restauração do sistema (3.9 GB), além de arquivo de memória virtual (pagefile.sys, 4 GB) e de hibernação (hiberfil.sys, 3 GB). Ou seja, em pouco tempo eu já estava vendo avisos de falta de espaço em disco.

Esse é o momento em que o fato de que você está rodando um sistema operacional completo se torna muito aparente. Por si só o Windows ocupa 15 GB, e adicione a isso todos itens que mencionei e chegamos rapidamente a 30 GB só para o sistema operacional. Assumo e espero que os tablets com Windows 8 incluam unidades SSD de pelo menos 128 GB, porque nas máquinas atuais ter apenas 20 ou 30 GB de espaço livre para seus arquivos pessoais não é algo incomum.

4º Dia: Socialmente inepto

Este foi o dia em que realmente mergulhei de cabeça no Windows 8. Instalei e configurei todos os aplicativos disponíveis na Windows Store, bem como aqueles que são parte do sistema, e os usei noite e dia. E descobri o seguinte sobre os aplicativos mais populares.

Internet Explorer: a navegação em tela cheia funciona perfeitamente na versão Metro do IE 10. É fluida, consegui acertar mesmo os menores links usando apenas os dedos e o “gesto de pinça” para ampliar ou reduzir a página funcionou como esperado. O que detestei foi o fato de que a barra de favoritos desapareceu completamente.

No ambiente Metro o IE 10 não tem nenhum tipo de “favoritos”. Ao abrir uma aba você pode escolher entre sites visitados recentemente ou aqueles que você “fixou” ao menu. Mas não é isso que eu quero, já que não dá para organizá-los. Esse é o motivo pelo qual eu uso a versão desktop do IE mesmo quando estou no sofá. Uma coisa que adorei: animações e vídeos em Flash e HTML5 funcionaram sem problemas em todos os sites que testei.

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Pessoas: Não gosto desse aplicativo, que combina todos os meus contatos do Exchange, LinkedIn, Google, Facebook e Live Messenger em uma única lista. Ele me dá uma visão agregada de tudo o que está acontecendo com meus amigos e colegas.

Talvez seja a forma como eu penso e trabalho, mas eu odeio essa confusão de informação combinada. Se eu quero saber o que está acontecendo com meus contatos do Facebook, eu vou ao Facebook. Se estou interessado em ler Tweets, vou ao Twitter. E por aí vai. A Microsoft resolver um problema que, em minha opinião, não existe. A idéia de ter tudo em um só lugar pode parecer boa, mas a implementação não tem uma estrutura clara.

Calendário: é um aplicativo fácil de usar, mas sua falta de recursos e design sem graça me lembram os aplicativos do Windows 3.1.

Fotos: o melhor de todos os aplicativos. Agrega tanto imagens locais quanto remotas (Facebook, SkyDrive, unidades de rede) em uma belíssima visualização. A idéia é a mesma do aplicativo Pessoas, mas dessa vez a implementação é estruturada e fácil de usar.

5º e 6º Dias: Eu amo o Metro

A interface do Windows 8 (antigamente chamada “Metro”) é uma obra de arte, simples assim. E embora nem todos os aplicativos da Microsoft sejam bonitos ou funcionem bem, muitos aplicativos de terceiros tiram todo o proveito de seus recursos e design (veja nossa lista com os 15 melhores aplicativos para o Windows 8 para ver alguns exemplos). 

Gosto particularmente da capacidade que os aplicativos tem de colocar informações em suas “Tiles” (os blocos coloridos da tela Iniciar), permitindo que você consulte a previsão do tempo ou as últimas notícias sem abrir um aplicativo. Também gosto da facilidade de alternar entre aplicativos abertos com um simples deslizar dos dedos da esquerda para o centro da tela, e da capacidade de dividir os apps em “categorias”, facilitando a organização.

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A tela inicial do Windows 8

Outro recurso útil, e um do qual senti falta quando voltei ao iPad, é a capacidade de rodar dois aplicativos lado-a-lado, permitindo que você veja uma foto ou assista a um vídeo enquanto conversa com amigos no Live Messenger.

No geral, mesmo amando meu iPad posso dizer com segurança que a interface do Windows 8 é muito mais elegante e moderna. A grade de ícones e a multitarefa desajeitada do iPad parecem uma relíquia do passado.

7º Dia: o hardware

Sabem porque o Windows 8 e o hardware que irá acompanhá-lo devem brilhar? Porque dessa vez temos uma combinação de tablet e PC que realmente funciona.

O Samsung Series 7 tem uma dock que funciona como carregador mas também tem portas Ethernet, HDMI e USB. Basta plugá-lo à dock e o Windows extende o desktop para minha tela de 24”, e posso usar meu teclado e mouse como em um PC desktop. Se eu tirá-lo da dock e apertar o botão Windows, estou de volta ao meu desktop com todas as minhas ferramentas do dia-a-dia. 

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Samsung Series 7: tablet híbrido com Windows 8

Mas ele é o melhor dos dois mundos? Não, mas é uma boa mistura deles, e a Microsoft fez um belo esforço para oferecer recursos que não existiam em nenhum deles. Para um usuário comum, um tablet Windows 8 Pro pode ser mesmo a máquina que “faz tudo”.

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