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Sistema operacional do Google pode afetar comunidade de software livre

Há pelo menos cinco bons motivos que farão o Chrome OS alvo de críticas dos defensores de aplicativos de código aberto.

Keir Thomas, da PC World/EUA

10/07/2009 às 12h05

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Embora esperado, o anúncio do Chrome OS, sistema operacional do Google que deve estar disponível na segunda metade de 2010, vem gerando muita especulação na indústria da tecnologia, a maior parte se referindo a um possível embate entre a plataforma do gigante de buscas, o Windows e o Ubuntu, embora o próprio Google negue esse tipo de concorrência.

Já os representantes da comunidade de software livre - e é bom lembrar que o Chrome OS será uma plataforma open source - demonstraram certa simpatia à iniciativa por acreditarem que ela fortalece o movimento do código aberto e não acreditam que o sistema venha a tirar mercado de sistemas bem estabelecidos, como o Linux.

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Mesmo assim, pode ser que o Google seja obrigado a tomar atitudes que provoquem antipatia dessa comunidade.

Confira abaixo as cinco razões que podem levar a esse cenário.

1 – Inclusão de código proprietário no Chrome
O sistema Linux ainda é passível de falhas: não possui uma ferramenta Flash de código livre e depende de codecs de terceiros. Para manter a alta qualidade, o Google terá de licenciar algumas ferramentas, algo que a comunidade de software livre rejeita categoricamente.

Outro problema são as fontes: a Microsoft conta com fontes que não estão no Linux. O Google seria obrigado a pagar pelo uso das fontes e a comunidade pode não concordar com o fato de o pacote de fontes não ser distribuído livremente.

2 – Assim como o Google, o Chrome pode comprometer a privacidade
Os mais neuróticos por privacidade acreditam que, quem utiliza os serviços gratuitos do Google, pagam caro com sua “alma virtual”, ou seja, com absolutamente todas as informações sobre sua vida que acabam na rede. E, como todos sabem, o maior ativo que uma empresa de internet pode ter é base de dados de usuários.

Ao utilizar um sistema operacional de uma empresa acostumada a coletar informações de usuários, a situação pode ficar ainda pior.

3 – O Google é visto como um gigante e pode ser "do mal"
Defensores do código livre sempre desconfiam das grandes corporações. Alguns deles chegam ao extremo de não comprar em grandes redes de supermercados por se recusarem a colaborar com controle de mercado que elas exercem. Quando uma empresa resolve controlar um sistema operacional, aplicativos e principais ferramentas da web, o ódio contra ela pode se alastrar rapidamente.

4 – Sistema do Google pode encolher distribuições Linux para desktop
Embora a própria comunidade de software livre não acredite nisso, ninguém sabe o que o futuro reserva. Não se sabe até que ponto, mas o fato é que o Chrome OS tem potencial para tirar o Ubuntu e outras distribuições da jogada. Tudo vai depender de como o Google vai controlar seu desenvolvimento. E isso pode levá-lo a ganhar uma série de novos inimigos e se tornar uma empresa tão criticada quanto a Microsoft foi nos anos 1990.

5 – O Chrome OS não é uma comunidade Linux
O sistema operacional do Google será um produto, tanto como é o Google Earth, Picasa e Gmail. Por mais que ele seja livre e aceite modificações, quem está no controle é o Google. O usuário comum só obterá o que eles quiserem fornecer.

O Ubuntu, por sua vez, é completamente dirigido pela comunidade. Se um novo recurso aparece nas atualizações, é porque a comunidade o requisitou e desenvolveu. Diante disso, é fácil concluir que o Chrome OS terá muito mais coisas em comum com os sistemas proprietários do que com os livres.

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