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Smartphone “Moto X” deve ser anunciado ainda nesta semana

Aparelho será o primeiro fruto da união entre a Motorola e a Google, e deverá oferecer flexibilidade no hardware para destacar serviços e software

Mike Elgan, ComputerWorld EUA*

08/07/2013 às 13h43

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São muitos os rumores, “vazamentos” e especulação sobre o Moto X, primeiro smartphone da Motorola a refletir a união da empresa com o Google. E um dos mais improváveis foi confirmado nesta última semana.

Um anúncio de página cheia em vários jornais dos EUA dizia “o primeiro smartphone projetado, implementado e montado nos EUA está chegando” e que ele seria o “primeiro smartphone que você mesmo pode personalizar”.

Como você irá personalizar seu próprio smartphone? E porque o Google deixaria você fazer isso?

A guerra da “comoditização”

A “guerra termonuclear” declarada por Steve Jobs contra a Google se transformou uma guerra de comoditização. Este é o processo pelo qual produtos se tornam indistinguíveis aos olhos dos consumidores. Óleo para aquecedores é um perfeito exemplo de um commodity: os consumidores não ficam pesquisando os atributos e qualidades de seu óleo preferido, eles simplesmente compram óleo, já que “todos são iguais”.

A descomoditização é o processo de pegar algo que é um commodity e lhe dar atributos desejados pelos consumidores. Por exemplo, nos últimos 40 anos o café foi descomoditizado. Era simplesmente pó em um pacotinho, mas agora as pessoas procuram grãos orgânicos, torras especializadas, de cooperativas que investem em responsabilidade social ou com origens exóticas. 

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O teaser do Moto X. Clique para ampliar

A Apple vende hardware e software. Para a Apple os serviços são coisas gratuitas oferecidas para apoiar a venda de seu hardware e software. Portanto a Apple quer descomoditizar o hardware e software, e comoditizar os serviços.

É por isso que a empresa está sempre processando todo mundo. Ao impedir que outras empresas criem hardware e software que os consumidores possam ver como “igual” ao da Apple, a empresa pode enfatizar seus elementos de design exclusivos.

E também é por isso que o iOS 7 tem uma aparência e comportamento tão diferentes. Só o fato de “ser diferente” é um atributo importante quando você está tentando vender uma interface de usuário que não é um commodity.

Da mesma forma, a Apple se mostra ansiosa em igualar muitos dos recursos do Google Now. A mensagem é: “Ah, sim, fazemos isto também”. Estes assistentes virtuais são um commodity, e portanto tem pouco valor.

A Google, por sua vez, é uma empresa de serviços que produz hardware e software para suportar tais serviços. Portanto a Google quer descomoditizar os serviços, e comoditizar o hardware.

Na visão de mundo da Google a busca, GMail, Google+, Google Now, Docs e todo o resto, trabalhando juntos, são algo único, especial e valioso. O software que os faz funcionar e o hardware no qual rodam são apenas commodities.

Mas na realidade isso não é verdade. Hardware e software não são commodities. Os fabricantes de tablets e smartphones Android trabalham duro para descomoditizar ambos, através de novos designs de hardware, novos materiais e inovações na interface do software.

E parte desta descomoditização deixa o Google de fora da jogada. A Amazon, por exemplo, usa o Android como sistema operacional de seus tablets, mas o sistema foi modificado para levar os usuários para as lojas de apps, filmes, músicas e livros da Amazon, não da Google.

Outros, como a Samsung, tratam os produtos da Google como um commodity e seu próprio hardware e software como algo único. A empresa está até participando no desenvolvimento de uma alternativa ao Android, chamada Tizen, que é apenas uma de muitas alternativas baseadas em Linux (entre elas o Sailfish OS da Jolla, o Firefox OS da Mozilla e o Ubuntu Touch da Canonical) que estão chegando ao mercado neste ano. E com cada alternativa, o Android fica mais próximo de se tornar um commodity.

Este é um problema para a Google, tanto de um ponto de vista idealista como do ponto de vista de um negócio. A empresa acredita que a melhor experiência com um smartphone está no uso do Google Now, Translate, Busca... ou seja, uma longa lista de serviços Google trabalhando juntos em um dispositivo móvel.

Muitos de seus consumidores concordam. Mas esta visão não é compartilhada pelas empresas que fazem o hardware. Porque elas deveriam continuar a produzir aparelhos com margens de lucro cada vez menores para que a Google fique com a maior parte da renda em publicidade móvel?

Deixe-me colocar isto de forma bem clara. A Google depende de outras empresas para realizar sua visão para a computação móvel. Mas estas outras empresas em um forte incentivo financeiro para reduzir ou eliminar a visibilidade e importância da Google nos aparelhos que vendem. Elas fazem isso descomoditizando seus produtos, e comoditizando os da Google.

Surge o Moto X

Acredito que o Moto X irá tentar comoditizar o hardware dos smartphones. E fará isto através de um recurso que permitirá aos usuários “projetar” seu próprio aparelho.

Sem dúvida a Google irá vender o aparelho online. E quando comprar um, você provavelmente terá a opção de um modelo padrão. Ou poderá escolher uma variedade de opções de personalização - uma cor diferente, mais memória ou outras opções. A versão “básica” terá um preço bastante acessível, mas recursos adicionais terão um custo extra.

A estratégia da Samsung é lhe oferecer qualquer tipo de smartphone que você quiser. Quer um modelo barato? Ela tem dúzias deles. Quer um poderoso, ou grande, ou com uma caneta? A empresa tem tudo isso. E eles não são commodities, mas sim agressivamente anunciados com nomes como Galaxy S4, Galaxy Mega e Galaxy Note. 

A “versão Google” desta estratégia é reduzir a importância de recursos diferenciais tornado-os opções fáceis. A abordagem “faça você mesmo” preenche um espaço entre as estratégias da Apple, que tem um modelo para todo mundo, e da Samsung.

A coisa boa sobre o modelo da Samsung é que eles tem algo para todo mundo. A ruim é que todas estas opções dão às pessoas o que os economistas chamam de “paralisia da escolha” (“Não consigo me decidir!”), ou levam o consumidor a se arrepender (“Talvez eu devesse ter escolhido o outro!”).

Já no modelo da Apple ambos os problemas não existem. A ruim é que se você quer algo diferente, eles não vendem. Por exemplo, você pode até querer um iPhone com tela grande, mas ele não existe.

Com a estratégia da Google você consegue o melhor dos dois mundos. Há apenas um modelo, mas com os opcionais que você quiser.

Com uma tela de alta qualidade e um processador incrivelmente rápido formando a base do aparelho, um Moto X bem feito poderia comoditizar o hardware dos smartphones. A maior partes dos recursos que as outras empresas tentam promover como argumentos de venda seriam só opções a marcar ao pedir um Google X. 

A mensagem da Motorola e Google ao mundo é: “estes recursos não são nada de outro mundo. Você quer? Nós temos”. O que importa não é a velocidade, memória, cor ou outras opções de hardware. O que importa são os serviços da Google, que sem dúvida serão o ponto central do Moto X.

Prevejo que, de fato, haverá características de hardware descomoditizantes no Moto X, mas a maioria destas será em favor dos serviços da Google. Por exemplo, creio que eles irão tornar super fácil usar o Google Now sem apertar um botão sequer.

Estas são minhas previsões, especulações e análise. Mas não teremos que esperar muito para descobrir o que a Google está tramando. A empresa convidou alguns jornalistas (estou entre eles) para ir ao seu campus em Mountain View na próxima semana para conhecer o novo aparelho.

E Rafael Silva, colunista de tecnologia da Oi FM, descobriu recentemente que um aparelho da Motorola chamado XT1058 recebeu um certificado de homologação da Anatel na última quinta-feira (04/07), curiosamente o mesmo dia em que os anúncios do Moto X começaram a circular nos EUA. Poderia ser qualquer aparelho, mas o certificado lista um local nos EUA como uma das unidades fabris, e a fabricação nos EUA é um dos destaques do Moto X. Ou seja, as portas para um rápido lançamento no Brasil, após seu anúncio no exterior, estão abertas.

Portanto, se você está pensando em comprar um smartphone neste mês, recomendo esperar até ver que plano maluco a Google e a Motorola estão preparando. Pode ser algo muito bom.

*Com informações de Rafael Rigues, PCWorld Brasil

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