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Smartphones Android serão base de nova frota de mini-satélites da NASA

Programa PhoneSat espera revitalizar a exploração espacial de baixo custo. Primeiros satélites, controlados por um Nexus One, serão lançados ainda neste ano.

Leah Yamshon, PCWorld EUA

24/08/2012 às 19h03

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Embora recentemente a NASA esteja atraindo a atenção da mídia com seu rover Curiosity, que está explorando o solo de Marte, este não é o único experimento no qual a agência norte-americana está trabalhando. Uma equipe do Ames Research Center em Moffett Field, na Califórnia, está se preparando para o lançamento de satélites em miniatura baseados em um smartphone Android, o Nexus One. Batizado de PhoneSat, o projeto é parte de um experimento maior chamado CubeSat Launch Initiative, que incorpora eletrônicos de consumo em “nanosatélites”.

Ainda não há uma data exata para o lançamento do PhoneSat, mas três satélites deverâo rumar ao espaço no final deste ano. E há muitos motivos para aguardar ansiosamente pelo evento. Veja o que já sabemos sobre o programa.

Dois modelos

De acordo com informações fornecidas pelo Space Technology Program (Programa de Tecnologia Espacial) da NASA, a equipe construiu dois protótipos de nanosatélites, que originalmente seriam lançados em datas diferentes. O primeiro modelo, batizado de PhoneSat 1.0, tem recursos mínimos. A equipe quer apenas ver se um mini-satélite baseado em um smartphone pode sobreviver a um curto período no espaço.

A principal medida do sucesso será se o satélite conseguir enviar de volta dados sobre sua “saúde” e fotos enquanto ainda no espaço. Além de um Nexus One, os principais componentes da versão 1.0 incluem baterias externas e um localizador de rádio. Um circuito irá monitorar o sistema e “rebootar” o Nexus One se necessário. Tudo isso será montado em um chassis de 10 x 10 x 10 cm, não muito maior do que uma xícara de café, e três satélites 1.0 serão montados. Cada um pesa apenas 1.8 Kg. 

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Cubesat 1.0 sendo montado, e comparação com uma xícara de café
Crédito: NASA Ames Research Center

Um modelo mais avançado, o PhoneSat 2.0, irá ter recursos mais avançados e será baseado em um Samsung Nexus S, o segundo “Google Phone”. O satélite também irá incluir um rádio bidirecional operando na Banda S, painéis solares, um receptor GPS e será controlado do solo através do rádio. Os painéis solares tornarão possível uma missão de longa duração. O PhoneSat 2.0 também terá magnetorquers (bobinas eletromagnéticas que interagem com o campo magnético do nosso planeta) e flywheels, permitindo controlar a orientação do veículo no espaço. 

De acordo com um representante de relações públicas da NASA, duas unidades do PhoneSat 1.0 e uma do PhoneSat 2.0 estão programadas para serem lançadas a bordo do vôo inaugural do foguete Antares, da Orbital Sciences Corporation. O lançador é capaz de levar até 6.8 toneladas à Órbita Terrestre Baixa (LEO - Low Earth Orbit) e seu primeiro vôo deverá ser feito ainda neste ano.

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PhoneSat sobre uma mesa. A fita métrica é uma antena!
Crédito: NASA Ames Research Center

Progresso atual

A equipe PhoneSat está se preparando para esta missão há alguns anos, e executando testes para levar o Nexus One aos seus limites. Em Julho de 2010 dois aparelhos foram lançados em foguetes para determinar como se comportariam sob alta velocidade e grande altitude. Um dos foguetes caiu e destruiu o smartphone, enquanto o outro pousou com o aparelho perfeitamente intacto. O PhoneSat 1.0 também foi testado em uma câmera de vácuo, em mesas de choque e balões de grande altitude, sempre com grande sucesso.

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PhoneSat preso a um balão de grande altitude
Crédito: NASA Ames Research Center

A filosofia por trás do projeto é bastante similar à mentalidade empresarial do vale do silício: “lançar o satélite de menor custo e mais fácil construção que já foi ao espaço”, como diz um documento de demonstração de vôo. Cada protótipo de um PhoneSat custa cerca de US$ 3.500,00. Os engenheiros da NASA usaram componentes comerciais em seu projeto, sem nenhuma modificação. E nenhuma nova tecnologia foi criada especificamente para a missão: eles trabalham usando apenas materiais e tecnologia amplamente disponíveis.

Qual o próximo passo?

Estas unidades de baixo custo não só mostram como eletrônicos de consumo comuns podem ser usados em experimentos de exploração do espaço, mas também irão reduzir os custos de desenvolvimento de futuros projetos de pequenas espaçonaves da NASA. A equipe planeja usar os PhoneSats em futuras missões envolvendo a exploração da Lua, observação da Terra com baixo custo e o teste de novas tecnologias e componentes para o vôo espacial. Outra missão planejada para 2013 espera usar um PhoneSat 2.0 para conduzir experimentos em heliofísica.

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