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Spore: o jogo da vida e da morte

Como a vida, Spore não é perfeito, mas se classifica como um dos games mais originais e interessantes dos últimos tempos.

Andrew Dagley, GamePro/EUA

05/09/2008 às 17h38

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Como em todos os games de Will Wright, Spore é imenso em todos os sentidos da palavra – no escopo, na sua ambição e em sua duração o jogo tenta e, na maior parte, consegue atingir suas ousadas metas. É um título incrivelmente inovador que tenta recriar a vida do seu início infantil até o final. E, como a própria vida, não é exatamente perfeito. Tem alguns problemas que evitam de cumprir por completo seu vasto potencial, mas é um dos games mais originais e interessantes deste ano e dos últimos tempos.

>>>Veja as telas de Spore

O que importa: Spore é um ótimo jogo com algumas pequenas falhas e mecânica de jogabilidade que não vai atrair a todos. Mas há muito o que explorar no game e, se gosta deste tipo especial de jogabilidade aberta, com certeza vai se divertir.

Há muito tempo a vida no planeta Thoria surgiu da meleca primordial. Nos anos seguintes, uma civilização de répteis carnívoros de quatro patas – criados cuidadosamente no esquema da evolução sob minha supervisão – dominou o planeta; eles até conseguiram sair do planeta, encontrando espécies alienígenas em estrelas ao redor do meu lar original. Logo, eu espero levar minhas criações ao centro da galáxia.

Essa foi a minha primeira experiência com o Spore, assim que eu levei as criaturas da lama para as estrelas e para a galáxia infinita. Mas a melhor parte é que, em breve, você pode encontrar meus conquistadores em seu próprio Spore e conhecer sua ira, graças à parte multiplayer do jogo. Criar a vida digital é uma coisa, mas perdê-la mundo afora para vê-la prosperar e multiplicar é outra coisa.

A jogabilidade de Spore é difícil de descrever resumidamente. Você cria vida em cinco fases distintas de desenvolvimento – célula, criatura, tribo, civilização e espaço. Cada fase tem suas próprias metas que precisam ser cumpridas antes que sua espécie consiga evoluir e seguir em busca de coisas melhores e maiores.

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E o que determina como isso vai acontecer é o que a sua forma de vida come. Se ela é herbívora, vai se desenvolver como uma espécie amigável e diplomática que vai seguir seu caminho usando boa vontade e de acordo com as regras. Se ela come carne, bem, ela vai encontrar um meio mais violento de resolver os conflitos de qualquer modo.

A primeira fase de Spore se passa no oceano, com células. Nesse estágio inicial, você cresce como espécie ao nadar ao acaso e comer outras criaturas, o que vai te levar para a terra firme como um bicho mais avançado. Aqui você começa a inserir os detalhes finais que vão definir como sua espécie se parece e age.

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Durante a fase de criatura, você vai descobrir novas partes do corpo, como tipos diferentes de braços, pernas, olhos e armas que você pode usar para personalizar seus seres antes de entrar na fase tribal, quando as criaturas começam a criar cidades primitivas e evoluir. Além de tudo, cada um dos estágios iniciais oferece uma grande variedade de opções, e o criador de criaturas é quase um game próprio, e muito fácil de usar.

Depois disso, você atinge a fase tribal, a primeira das três finais do desenvolvimento de Spore, e que levam a distintos passos evolutivos – é um pulo de decisões básicas como qual braço usar para uma mecânica mais complicada baseada em games de estratégia em tempo real.

Nas fases tribal e civilização, o objetivo não é apenas sobreviver e evoluir, mas também tomar conta do mundo – literalmente. Você começa em um local e começa a tomar controle de tudo, usando diversos métodos – da diplomacia à guerra ou, no estado de civilização, métodos econômicos ou religiosos. E depois é com você conquistar o mundo e deixar sua influência como marca.

Infelizmente ambos desses estágios pareceram leves demais para mim. Sem o sistema de evolução de criaturas inicial, as fases de tribo e civilização parecem um game básico de estratégia montado de última hora. Você precisa ter a habilidade de lidar com tarefas simples como criar veículos e prédios, mas, no geral, essas atividades não tem a profundidade e a diversão do criador de criaturas. Ainda bem que são fases rápidas e o jogador se livra delas em três ou quatro horas.

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Então o que faz uma espécie depois de deixar para trás suas origens primitivas e subir na escala evolutiva até conquistar o mundo? Ir para o espaço, é claro. A fase espacial, que é o final do game, é onde está o filé do Spore. Após se tornar soberano do seu planeta, você vagueia pela galáxia em uma nave – projete a sua ou use uma feita pela Maxis ou outros jogadores- em busca de pequenas metas pré-definidas. Siga em missões para eliminar planetas, colônias e buscar espécies individuais, mas isso tudo é opcional.

Aqui está o que foi tão dito nos previews do Spore. As missões são desnecessárias e só servem para encher seus cofres com consertos para a nave e adicionar novas partes. Existe muito a explorar ao chegar ao centro da galáxia Spore, o que leva semanas: são milhares e milhares de sistemas solares entre seu planeta natal e o centro. Ver cada um leva muito tempo.

E tem ainda o lado social do game. Por padrão, todas as criaturas que você acessou desde o começo do jogo foram projetadas pelos criadores do game. Entretanto, cada jogador pode contribuir para o índice de criaturas chamado Sporepedia. E com inúmeros jogadores enviando seus projetos, a galáxia compartilhada vai ser preenchida com inúmeras novas criações.

Após passar algum tempo com o game, cheguei à conclusão de que o Spore não é algo que todos vão concordar. Não há dúvidas de que muitos gamers vão odiar as fases iniciais por serem muito simplistas. Embora os estágios individuais sejam interessantes, não são tão cheios de recursos como pensamos que eles seriam. Mas tenho certeza de que alguns jogadores vão gostar de cara do seu modo único de jogabilidade fácil. No geral, o Spore cumpre sua missão e, embora tenha algumas falhas, quem gosta deste estilo de jogo vai encontrar muitas razões para se viciar nele.

>>>Veja as telas de Spore

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