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Startup japonesa quer levar células de combustível às massas em 2014

Tecnologia usa hidrogênio sólido como combustível para gerar energia, e pode ser adaptada de carregadores de celulares a sistemas de grande porte para uso após desastres.

Martyn Williams, IDG News Service

02/10/2013 às 13h37

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Uma startup japonesa diz ter refinado uma tecnologia que finalmente pode transformar as células de combustível em uma realidade para o consumidor comum. Se bem sucedida a empresa, batizada de Aquafairy, poderá criar um negócio onde empresas muito maiores fracassaram.

Protótipos da célula de combustível baseada em hidrogênio desenvolvida pela empresa estão sendo mostrados nesta semana na feira de tecnologia CEATEC, no Japão, onde o presidente da empresa, Mike Aizawa, afirmou que espera ter os primeiros produtos à venda no próximo ano.

A promessa das células de combustível é atraente: eletricidade instantâneamente disponível, obtida a partir de um cartucho de combustível seguro e descartável. Elas são tipicamente vistas como uma forma de fornecer eletricidade onde não há rede elétrica, quando o fornecimento foi interrompido ou de forma portátil para recarga de smartphones e tablets.

As principais fabricantes de eletrônicos no Japão passaram por um período de vários anos, começando por volta de 2005, onde mostraram protótipos de células de combustível, mas nenhum deles chegou ao mercado e boa parte da pesquisa nesta área parece ter sido encerrada.

"Todos fracassaram porque usavam Metanol”, disse Aizawa em uma entrevista ao IDG News Service. “Elas não conseguiram descobrir uma forma de fazer isso com eficiência. Se eu acreditasse que elas poderiam ter sucesso, nunca teria fundado minha empresa”.

A Aquafairy foi criada em meados de 2006 e vem desenvolvendo uma célula de combustível baseada em hidrogênio. A substância é tipicamente um combustível extremamente reativo, mas segundo Aizawa a empresa desenvolveu uma técnica que a converte em uma forma sólida que pode ser manuseada com segurança, mas ainda é útil como combustível.

Na CEATEC a empresa tem três protótipos de células de combustível à mostra. O primeiro (na foto acima) é um modelo “de bolso” que gera o maior interesse entre os visitantes. Ela produz 2.5 Watts, tem quase o mesmo tamanho de um smartphone mais pesa um pouco menos, cerca de 89 gramas. Através de uma porta USB, ela é capaz de recarregar a maioria dos “gadgets” portáteis.

Um segundo carregador já está em testes de campo no Japão e pode produzir até 200 Watts. Ele pesa 7 quilos, é um pouco menor que uma bateria de carro e é alimentado por um cilindro contendo hidrogênio sólido que se parece com os cilindros de gás usados em fogões de acampamento. Desenvolvido em conjunto com a New Energy and Industrial Technology Development Organization (NEDO - Organização para o Desenvolvimento de Nova Energia e Tecnologia Industrial) no Japão, ele tem duas portas USB e duas tomadas convencionais, e é visto como algo que pode ser usado após desastres como o terremoto e tsunami que atingiram o Japão em 2011.

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Este carregador de grande porte da Aquafairy pode ser usado para fornecer energia em áreas de desastre

O último modelo é um sistema de longa vida projetado para uso em áreas remotas, como montanhas e florestas. Ele produz apenas meio watt, mas pode fazer isso pode 6 meses, o que promete reduzir o número de viagens necessárias para substituir baterias em equipamento científico, por exemplo.

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O modelo de "longa vida" pode ser usado para alimentar sensores remotos por meses

A Aquafairy está trabalhando com a japonesa Rohm em circuitos de controle para os carregadores e para levar os produtos ao mercado, mas diz que também está procurando parcerias com outras empresas e organizações.

Aizawa não informou o custo de sua tecnologia, mas disse que sabe que ela tem que ser acessível ao consumidor: “Essa é minha tarefa para o ano que vem”, completou.

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