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Steve Jobs detona Flash em carta aberta

Documento publicado no site da Apple lista seis razões para não utilizar a tecnologia da Adobe em softwares para iPad ou iPhone; confira nossa análise

Macworld / Reino Unido

29/04/2010 às 13h14

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Steve Jobs escreveu uma carta entitulada “Toughts on Flash” (“Pensamentos sobre o Flash”) e  publicou no site da Apple. A carta é uma tentativa de Jobs e de sua empresa de esclarecer a posição da Apple em relação ao Adobe Flash.

A relação entre as duas empresas está ainda mais abalada após a Apple banir o uso de ferramentas rivais de programação, incluindo uma que a Adobe estava prestes a lançar, na criação de apps para iPhone e iPad, e da troca de farpas por conta da ausênca de Flash nos equipamentos da Apple.

A carta começa reconhecendo a “longa relação” entre as companhias. Steve Job diz: “nós conhecemos os fundadores da Adobe quando eles ainda estavam em sua notória garagem. A Apple foi seu primeiro cliente grande, adotando sua linguagem Postcript em nossas então novas impressoras Laserwriter. A Apple investiu na Adobe e possuiu cerca de 20% da companhia por muitos anos.” Ele então pega mais leve: “Atualmente, as duas companhias ainda trabalham juntas para servir seus clientes com interesses comuns – usuários de Mac compram cerca de metade dos produtos do Adobe Creative Suite – mas além disso existem alguns interesses em comum.”

Ele continua: “Eu gostaria de falar rapidamente alguns dos nossos pensamentos sobre os produtos  Flash para que os clientes e os críticos possam entender melhor a razão de não permitirmos Flash em iPhones, iPods e iPads. A Adobe classificou nossa decisão como sendo principalmente ligada a negócios – eles dizem que nós queremos proteger nossa App Store – mas na verdade é baseada em questões tecnológicas. A Adobe alega que somos um sistema fechado, e que o Flash é aberto, mas a verdade é o contrário disso. Deixe-me explicar.”

Jobs então assinala seis pontos para explicar a razão de proibir a presença do Flash em seus aparelhos móveis. São elas:

1.    Aberto
Steve Jobs afirma: “Os produtos  Adobe Flash são 100% proprietários. Eles estão disponíveis apenas pela Adobe, e a Adobe possui controle exclusivo quanto a preços, desenvolvimento, etc...” Ele então lembra que a Apple possui “muitos produtos proprietários também”, mas eles não são relacionados à web. “Nós realmente acreditamos que todos os padrões pertencentes à web deveriam ser abertos. Em vez de usar Flash, a Apple adotou o HTML5, CSS e JavaScript – todos padrões abertos.”

2.    Toda a web
"A Adobe tem dito repetidas vezes que os aparelhos móveis da Apple não conseguem acessar “toda a web” porque 75% dos vídeos da web estão em Flash,” explica Steve Jobs (temos de admitir, essa é uma alegação da Adobe que já se provou em parte verdadeira por nossas próprias experiências). “O que eles não dizem é que quase todos esses vídeos também estão disponíveis em um formato mais moderno, H.264, e podem ser vistos em iPhones, iPods e iPads. O You Tube, com uma estimativa de possuir 40% dos vídeos da web”, continua Jobs.

O que ele parece estar dizendo é que apesar de muitos, mas não todos, vídeos da web estarem em Flash isso está mudando para o formato mais moderno H.264. Nosso entendimento é que, sim, muitos vídeos estão mudando para H.264, mas isso acontece por causa da oposição da Apple – em vez de ser a razão para a Apple não incluir Flash em primeiro lugar.

A carta então continua: “Outra afirmação da Adobe é que os aparelhos da Apple não conseguem rodas games em Flash. Isso é verdade. Felizmente, existem mais de 50 mil jogos e títulos de entretenimento na App Store”.

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Jobs: o Flash não é mais necessário

3.    Terceiro, há confiança, segurança e desempenho
“Recentemente a Symantec destacou o Flash por possuir um dos piores recordes de segurança em 2009. Nós também sabemos em primeira mão que o Flash é a razão número um para crash nos Macs”, diz Steve Jobs.

Esse é um ponto que é difícil discutir, já que o Flash é provavelmente também a razão número um para o crash em nossos browsers na internet. Apesar de não estarmos totalmente certos sobre o aspecto de segurança, nossos Macs parecem bastante seguros com ou sem o Flash, ao menos contra vírus e malware. É difícil imaginar o Flash rodando em um ambiente que não seja fechado em aparelhos móveis da Apple.

4.    Vida da bateria
“Para alcançar um tempo maior de vida de bateria quando estão reproduzindo vídeos, aparelhos móveis precisam decodificar o vídeo em hardware; decodificá-lo em software usa muita energia.”, conta Steve Jobs. “Apesar de o Flash ter adicionado recentemente um suporte para H.264, os vídeos em quase todos os sites com Flash requerem, atualmente, uma geração mais antiga de decodificador que não está implementada em chips móveis e precisa ser executada em software. A diferença é enorme: em um iPhone, por exemplo, os vídeos H.264 podem ser reproduzidos por cerca de 10 horas, enquanto vídeos decodificados em software rodam por menos de 5 horas antes da bateria estar totalmente descarregada.”

Como nós nunca rodamos Flash no iPhone, vamos ter de acreditar em sua palavra sobre o assunto. Mas nós sabemos que o Flash é um formato que consome energia e não é difícil imaginar que possa gastar bastante carga da bateria. Para conhecimento, existem muitas coisas que nós fazemos no iPhone que gastam bastante bateria – jogar Real Racing, por exemplo, navegar o dia todo na internet com o 3G ativado; capturar vídeo no iPhone 3GS. A carga da bateria é um problema para o iPhone, assim como a escolha do consumidor.

5.    Toque
Jobs faz uma observação interessante sobre telas sensíveis a toque. “O Flash foi desenvolvido para computadores que usam mouse, não para telas sensíveis que usam dedos. Por exemplo, muitos sites em Flash dependem do “rollover”, que abrem menus ou outros elementos quando a seta do mouse passa sobre um local específico. A interface revolucionária multitoque da Apple não utiliza um mouse, e não há conceito de rollover (rolamento). A maioria dos sites Flash precisará ser reescrita para suportar aparelhos baseados em tecnologia touch. Se os desenvolvedores precisam reescrever seus sites Flash, por que não usar tecnologias modernas como HTML5, CSS e JavaScript?”

Nosso pensamento aqui é que alguns irão, outros não. Por que não habilitar um aparelho para tirar vantagem deles? Aqui, mais uma vez, parece que a Apple está tentando forçar o mercado para sua rota preferida, em vez de oferecer um benefício fundamental ao usuário final.

6.    “A razão mais importante”
Jobs afirma que “nós discutimos os aspectos negativos de se usar Flash para reproduzir vídeos e conteúdo interativo de sites, mas a Adobe também quer que os desenvolvedores adotem Flash para criar apps que rodem em nossos aparelhos móveis.”

Isso chega ao âmago da questão, e talvez aprofunde o e-mail que Steve Jobs enviou para um cliente da Apple, que dizia: “Nós já estivemos lá antes, e intermediar camadas entre a plataforma e o desenvolvedor ultimamente produz apps de padrão mais baixo e impede o desenvolvimento e progresso da plataforma.”

Ao final, Steve Jobs escreve uma conclusão que reproduzimos aqui. Vale a pena ler:

“Conclusões.
O Flash foi criado durante a era do computador pessoal – para PCs e mouses. O Flash é um negócio de sucesso para a Adobe, e nós podemos entender porque eles querem colocá-lo em outros lugares além de computadores. Mas a era móvel é sobre aparelhos com menos energia, interfaces de toque e padrões abertos de internet – todas áreas onde o Flash é pequeno.
A avalanche de aplicativos  para aparelhos móveis da Apple demonstra que o Flash não é mais necessário para assistir a vídeos ou consumir qualquer tipo de conteúdo para web. E os 200 mil apps da App Store provam que o Flash não é necessário para dezenas de milhares de desenvolvedores criarem aplicativos com riqueza de gráficos, incluindo games.
Novos padrões abertos criados na era móvel, como o HTML5, irão triunfar em aparelhos móveis (e PC´s também). Talvez a Adobe devesse se focar mais em criar ótimas ferramentas HTML5 para o futuro, e menos em criticar a Apple por deixar o passado para trás.”

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