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Suposto lobista do Google Brasil na CPI da Pedofilia é preso

Executivo de consultoria contratada pelo buscador no Brasil é flagrado por câmeras vendo documentos restritos a membros da CPI.

Lygia de Luca, repórter do IDG Now!*

26/06/2008 às 16h15

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A Polícia do Senado Federal (Seseg) deteve nesta quinta-feira (26/06) um executivo que teve acesso indevido a documentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia e assumiu trabalhar para uma consultoria contratada pelo Google Brasil.

Identificado como diretor de Informação e Monitoramento Legislativo da ArkoAdvice no site da consultoria, Rildson Moura afirmou que era jornalista e gravaria todas as atividades da CPI para enviar à direção do Google em São Paulo, segundo informações da Agência Senado e de fontes próximas ao caso ouvidas pelo IDG Now!.

Moura freqüentava o Congresso Nacional com um crachá da Câmara vencido desde junho de 2005 e foi surpreendido pelo circuito interno de segurança mexendo, antes do início da sessão oficial da CPI da Pedofilia, em documentos restritos a senadores e técnicos que compõem oficialmente o grupo de trabalho da comissão.

Os documentos continham informações sigilosas como perfis de usuários da rede social Orkut que deveriam ter seus sigilos quebrados por suspeitas de conteúdos criminosos e requerimento de convocação para que o presidente do Google Brasil, Alexandre Hohagen, deponha novamente na CPI.

Os documentos continham ainda informações pessoais sobre crianças que foram vítimas de abusos sexuais cujo contato inicial foi feito pelo Orkut e que serão ouvidas pela comissão em sessões secretas para preservar a identidade das vítimas e seus familiares.

O Google, por meio de sua assessoria de comunicação, admitiu ter contratado a consultoria ArkoAdvice. Segundo a assessoria, como o serviço é terceirizado, a empresa não tem controle sobre a ações de seus funcionários.
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Fontes ouvidas pelo IDG Now! afirmam que Moura circulava entre senadores e membros da CPI da Pedofilia  há semanas alegando ser jornalista e realizando entrevistas sobre o andamento dos trabalhos da comissão com políticos e técnicos.

No início da sessão, cuja íntegra do áudio está disponível no site do Senado, o presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-ES), pediu investigação da ação do suposto lobista do Google Brasil no Senado, acusando-o de "não publicar notícia em lugar nenhum".

Segundo o presidente da Comissão, Moura admitiu após ser detido que repassaria as informações descobertas ao manusear os documentos sigilosos aos executivos do Google Brasil em São Paulo.

O Google já forneceu o conteúdo de 3.261 álbuns privados e, de acordo com a assessoria em São Paulo, a companhia está em dia com os compromissos assumidos com a CPI  da Pedfofilia, tendo entregue todos os dados requisitados.

Nesta quinta-feira (26/06), a CPI aprovou a quebra de sigilo de 23 páginas hospedadas no Universo Online (UOL). O provedor, que já prestou depoimento sobre uso de chats por pedófilos, deverá fornecer os dados de registro dos proprietários dos sites.

Na semana passada, a Comissão apresentou um projeto de lei para fortalecer o combate à pedofilia online. Os trabalhos da CPI foram prorrogados até fevereiro de 2009.

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