Home > Notícias

Tablet: porque esse tipo de equipamento demorou tanto para emplacar

É provável que a Apple entre para a História como mãe do tablet. Poucos sabem, no entanto, que o termo foi criado há anos... Pela Microsoft

Keir Thomas, da PC World/EUA

19/11/2010 às 11h31

Foto:

Em uma sala fechada localizada na sede corporativa da
Samsung, o vice-presidente sênior da divisão de dispositivos para comunicação
móvel, Lee Don Joo, resolve conversar abertamente sobre o mercado de tablets.

Na
entrevista, Joo reproduz os ecos do lamento de uma indústria que há anos tenta
fazer do conceito de tablets algo lucrativo. Difícil negar que Joo tem razão em seus argumentos; mesmo
assim, suas declarações realistas não são nada animadoras.

História
A cena é de horror, algo chocante: O iPad não é o pai do
conceito de tablets. Esses dispositivos têm permeado o mercado há anos. Desde
os primórdios, empresas como a Microsoft têm se esforçado em desenvolver softwares capazes de rodar de maneira satisfatória nesses
dispositivos. O nome “tablet”, aliás, é de cunho da Microsoft.

Ocorre que, cada vez que ouvimos novidades sobre o impacto
da tecnologia sobre os negócios, a onda enorme arrebenta nas praias da
realidade em forma de marola.

Se avaliarmos os volumes de publicidade e de recursos
investidos no desenvolvimento dos tablets, seremos levados a perguntar por que sua adoção no meio corporativo tem ocorrido em ritmo tão lento. E o que, afinal, possibilitou à
Apple impor seu domínio no segmento - assim, como quem vai a uma festa e vira o centro das atenções.

As pessoas parecem esquecer que a Apple é uma empresa que produz bens para consumidores finais: essa é a chave de seus sucesso. Sim, a
empresa de Steve Jobs tem um pé no segmento corporativo - prova disso são suítes
como o iWorks. 

Mas, quando o assunto é publicidade, o que fica evidente através das
imagens que o marketing da Apple usa é um público jovem curtindo o iPad em
lugares nada formais e de forma descontraída. Esse público usa iPads para
jogar, para ler e assistir a filmes e fotos.

Em nenhuma ocasião é mostrado um executivo tomador de
decisão franzindo a testa enquanto analisa um gráfico na tela de 10 polegadas
sentado na sala de embarque da classe executiva de um aeroporto. Eu não posso
afirmar com certeza, mas garanto que todos os encartes que fazem propaganda de
tablets (com exceção para o iPad) vão mostrar alguém engravatado segurando um
cappuccino em uma mão e o tablet na outra.

Fato é que os fabricantes de tablets sempre foram obcecados pelo
mercado corporativo.

É onde entra o ingrediente usado pela Apple para impulsionar
o segmento de tablets: o consumidor. Isso não quer dizer que o iPad não é uma
tremenda ferramenta para trabalho, longe disso. A empresa simplesmente entendeu
que a aplicação corporativa não é um Norte a ser priorizado.

Questão de abordagem
Na perspectiva da Apple, a satisfação do usuário vem em
primeiro lugar. O gadget vem com uma série de programas instalados como padrão, mas
a verdadeira personalização fica a cargo do proprietário. Na App Store, ele
escolhe entre uma miríade de programas aprovados pela Apple – sem ser
pressionado a usar esse ou aquele conjunto de soluções.

Usuários corporativos são iguais aos domésticos quando o
assunto é liberdade de escolha.

Acredito que quem dá o melhor exemplo de como sabotar o sucesso de um tablet é o sistema Windows Phone 7. Por padrão, está tudo
integrado ao sistema. Facebook? Tem. Gmail? Também. É onde mora o exagero. O
Windows Phone 7 se esforça demais em um processo que deveria ser o mais
orgânico possível.

A primeira impressão que se tem é de que a Microsoft dá um
passo gigantesco rumo à usabilidade e integração. Mas uma análise mais
detalhada deixa claro que o usuário é, na verdade, conduzido para um ambiente
pronto, que impõe limites e demanda uma série de configurações tediosas.

Quem compra um computador ou dispositivo parecido deve poder
decidir o que quer e como quer.

Pioneirismo
A Apple tem por costume inaugurar mercados para outras
empresas entrarem nele mais tarde. Foi o caso do iPhone e o mercado de
smartphones, do iPad e dos tablets e do iPod e MP3 players.

Acredito que o erro de Joo consiste em direcionar o
marketing de seus produtos para mercados segmentados. Ele deveria concentrar os
esforços na produção de um tablet de alta qualidade e deixar que os usuários
definam a forma de sua aplicação.

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail