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Tecnologia pode levar à criação de gadgets que funcionam sem bateria

Memórias fabricadas com nanotubos são mais velozes e exigem quantidade de energia cem vezes menor, que pode ser fornecida pela luz solar.

ComputerWorld/EUA

16/03/2011 às 10h31

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Engenheiros da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, desenvolveram uma tecnologia para memórias de consumo ultrabaixo de energia, o que pode levar à criação de aparelhos portáteis capazes de passar semanas sem precisar de recarga das baterias.

Os estudos, supervisionados pelo professor assistente Eric Pop, foram divulgados no final da semana passada na publicação Science Express.

Por enquanto, a equipe logrou êxito no armazenamento de algumas dezenas de bytes nesse tipo de memória. A intenção é chegar a um modelo de blocos de memória que possam operar em conjunto.

PCM
Toda a pesquisa foi baseada em tecnologias preexistentes conhecidas por phase change memory (PCM). Mas, no lugar de usar condutores metálicos como resistores, os cientistas aplicam nanotubos de espessura 10 mil vezes inferior à de um cabelo humano e que demandam menos energia que as PCM padrão.

A tecnologia PCM ainda engatinha no mercado. Enquanto espera que o mercado a adote em produtos de larga escala, sua fabricação está enclausurada em fábricas isoladas. Entre as organizações que já se renderam à tecnologia PCM estão companhias como a Intel, a STMicroeletronics e a Numonyx, que iniciou a entrega de sua linha Omneo de PCMs de 128 Mbits compatíveis com a tecnologia NOR.

Já a fabricante de eletrônicos Samsung anunciou, também em 2010, um chip de memória RAM de 512 Mbits para aplicação em dispositivos móveis.

Segundo os tecnólogos da Universidade de Illinois, a nova tecnologia posiciona uma pequena porção de PCM com um espaçamento minúsculo dentro de um nanotubo de espessura igual a dez nanômetros. A passagem de corrente entre os elementos PCM permite que recebam instruções do tipo “on” e “off” , ligar e desligar, sim e não, respectivamente.

Eles também afirmam que a tecnologia desenvolvida é mais veloz e requer cem vezes menos energia elétrica – ideal para desenvolver dispositivos móveis com baterias de ultralonga duração.

No limite?
O departamento de engenharia também afirma que é possível reduzir esse consumo ainda mais.

“Já conseguimos evidenciar que é possível aprimorar o consumo de energia de forma radical, mas temos certeza de que ainda não chegamos ao limite do fisicamente possível. Como não chegamos ao limite dessa tecnologia, acreditamos que será possível reduzir o consumo em outros 90%”, celebra Pop.

O cientista imagina construir aparelhos que usam baterias muito pequenas ou, ainda, dispensam totalmente o uso de baterias, armazenando a carga em repositórios térmicos, mecânicos ou alimentados por células de energia solar.

“Acho que qualquer pessoa que é obrigada a recarregar seu celular diariamente não tarda a enxergar as vantagens de uma tecnologia que permite o funcionamento ininterrupto de dispositivos por semanas a fio”, diz Pop.

"Ladrões" de energia
Apesar de as baterias atuais alimentarem predominantemente os monitores de smartphones e de laptops ultraportáteis, uma parte nada desprezível da carga é destinada à memória dos gadgets.

“Cada vez que um aplicativo é iniciado, ou que uma música em formato MP3 é executada, a bateria é exigida”, diz o graduando, Albert Liao, coautor dos estudos. “ A memória e o processador trabalham duro no processamento dos dados. Como as pessoas usam os celulares cada vez mais para outras finalidades que não a chamada telefônica, é importante otimizar operações de transporte de dados. Nossa pesquisa se fundamenta nessa perspectiva”, diz o estudante.

A equipe afirma que a tecnologia pode ser estendida a todos os dispositivos alimentados por baterias, o que inclui satélites, equipamentos de telecomunicação remota e aplicações militares e científicas.

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