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Teste: iPad contra todos

Veja se o novo aparelho da Apple pode substituir seu notebook, e-reader, smartphone, tocador de música ou mesmo jornal e revista

PC World / EUA

03/05/2010 às 16h56

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O que precisamente é o iPad? Em comparação aos seus antecessores iPod e  iPhone, essa é uma pergunta surpreendentemente difícil de responder. Funciona com o mesmo sistema operacional do iPhone – mas você não pode fazer ligações de telefone. Tem sido anunciado como o gadget que pode salvar a publicidade – apesar de seu software e-reader (leitor eletrônico), que não vem pré-instalado, não exibir jornais e revistas (para essas funções, é preciso instalar outros aplicativos. Possui uma tonelada de jogos – mas não é aparelho compacto como o Nintendo DSi.

O mais confuso de tudo é que o iPad pega uma parcela do público de netbooks Windows ou até computadores mais completos, apesar de não rodar todos os apps da Web. Ou imprimir. Ou possuir um sistema de arquivos que permite que você acesse todos os seus documentos em qualquer app. Esses atalhos tornariam o conceito de competição com PCs risível, se não fosse pelo fato de seu tamanho pequeno, interface sensível ao toque, e bateria com duração impressionante tornarem o tablet da Apple um dos melhores aparelhos já construídos para consumo de conteúdo de todos os tipos, de página de internet a livros e filmes.

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Será que o tablet consegue aposentar todos esses produtos?

Ele é mais limitado do que um computador, mas representa um rápido olhar no que deve ser o futuro das interfaces – que é a razão de torná-lo, mais provavelmente, um complemento aos seus outros computadores do que um substituto para qualquer um deles.

Em resumo, o tablet compete com um esquadrão de aparelhos existentes sem imitar nenhum deles. E a melhor maneira de descobrir se é uma alternativa real para um computador, um e-reader, um videogame ou qualquer outro aparelho é usar todos esses equipamentos. E foi o que fizemos. Veja a seguir o que descobrimos.

iPad X PC
O iPad não vai ser o seu único computador. Você percebe isso logo na primeira vez que liga o aparelho, e ele pede para ser conectado via USB para um PC ou Mac rodando o iTunes. Mesmo que você não queira comprar música, filmes e apps em um computador e transferi-los para o tablet, vai querer sincronizá-los de tempos em tempos. Especialmente, porque que essa é a única maneira de fazer backup em um iPad.

Por isso, a questão não é se você quer um iPad no lugar de um computador – mas se você vai querer os dois. Se você está contente com o atual formato do computador, talvez ache as limitações do iPad assustadoras, especialmente se você está criando mais conteúdo do que consumindo. O teclado na tela é provavelmente o melhor já criado, mas ainda não é páreo para um real QWERTY, quando o assunto é conforto e rapidez para digitar.

Tudo é operado no modo de tela cheia e, com algumas exceções, só é possível rodar um app por vez – o que é um choque se você está acostumado a pular entre navegador, processador de texto, e e-mail, por exemplo.

O tablet não consegue rodar aplicativos padrão de produtividade de computadores, e nem sempre é possível encontrar substitutos adequados nas opções aprovadas pela Apple na App Store. O aparelho ainda nem possui um pacote de escritório sólido.

A lista continua: não tem câmera, não suporta Adobe Flash, não possui impressão direta e não tem slot para o cartão de sua câmera digital (já existem muitos bons editores de foto para o aparelho, mas mesmo a maneira mais simples de se passar fotos para iPad exige um adaptador, que custa US$ 29). O tablet com mais espaço tem apenas 64 GB, muito pouco se comparado aos 500GB encontrados em muitos laptops com preços razoáveis.

Mas a sua personalidade totalmente diferente de um PC acaba por se tornar sua maior virtude também. Seu tamanho pequeno, design fino e peso baixo o tornam muito mais portáveis até do que um netbook. A tela colorida de 9.7 polegadas pode ser pequena, mas sua tecnologia IPS (In-Plane Switching) faz com que a visualização seja boa em qualquer ângulo. E sua revolucionária bateria – com uma duração honesta de mais de 10 horas no modelo Wi-Fi e 9 horas no 3G – chega para deixar todos mais tranquilos.

Graças à sua interface simples acionada com o toque, seu rápido desempenho, e seu uso quase imediato, o aparelho muitas vezes se parece com uma alternativa mais rápida, eficiente a um PC com Windows ou um Mac. É absolutamente impossível que os apps mostrem mensagens chatas sem sua permissão, e as duras restrições que a Apple coloca sob aplicativos terceirizados tornam a segurança algo tranquilo para o momento.

Diferentemente de um PC ou um telefone, o iPad não é uma necessidade. Muitas pessoas que o acham intrigante irão comprá-lo e ficarão felizes. Mas se recusar a comprar um é uma opção viável. Como sempre, na tecnologia e na vida, as coisas boas chegam para aqueles que esperam: a biblioteca de apps do tablet irá  melhorar e o iPhone OS 4.0 trará multitasking e outros benefícios.

VEREDICTO: Os PCs são melhores em "ser PCs" do que o iPad é. Mas o tablet é algo novo, útil, e importante – e você não deveria rejeitá-lo antes de realizar um teste.

iPad X Kindle
Quando a Amazon.com recebeu seu primeiro Kindle, em 2007, o e-reader inovador parecia ser o futuro dos livros. No entanto, ao ficar lado a lado com iPad, o Kindle parece agora um pouquinho retrô. A Apple prova isso quando você baixa o seu app iBooks, com um livro gratuito que possui um recurso que o Kindle não consegue enfrentar: imagens coloridas.

Na verdade, o novo tablet não torna o Kindle irrelevante. O gadget da Amazon (US$ 259), custa apenas um pouco mais do que a metade que um modelo básico do iPad – e esse preço inclui uma banda larga wireless, que permite que você faça o download de livros sem ter que pagar uma taxa mensal de serviço. E, pelo menos até o momento, alguns livros do Kindle custam um pouco menos do que seus equivalentes do iBooks.

Em parte graças à sua tela de 6 polegadas, o Kindle é um mais leve  (com cerca de 280g) e menor do que o iPad, que pesa 680 gramas, em sua versão wireless. O uso da tecnologia E-Ink pelo e-reader permite que ele funcione por duas semanas com uma carga e o mantém legível sob a luz do sol direta; em contraste, a mesma luz irá “lavar” a tela do aparelho da Apple. E alguns usuários do e-reader acham que a tela E-Ink é mais cômoda para os olhos.

Mas essa mesma tela também é sua maior desvantagem. É monocromática – texto cinza escuro em um fundo cinza claro – e a falta de backlight o torna difícil para leitura em locais mais escuros. Fotos e outras imagens tendem a parecer sem vida e a atualização da tela é naturalmente demorada.

Já o iPad possui uma das melhores telas coloridas de aparelho portátil; mostra um texto preto nítido em um fundo branco; e você pode viajar pelas páginas do livro eletrônico tão rápido quanto as pontas dos seus dedos permitirem. Em resumo, se parece mais com um livro real.

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O iPad possui a vantagem de exibir imagens coloridas, além do texto preto sobre fundo branco.

A iBooks Store foi lançada com 60.000 títulos, apenas um sexto da seleção fornecida para o Kindle. Mas no mesmo dia do início das vendas do tablet, a Amazon lançou um aplicativo que permite tornar" o aparelho da Apple em um Kindle, dando acesso para os usuários a todos os 480.000 volumes oferecidos em sua loja virtual.

Além disso, o iPad permite acesso a milhares de livros grátis, no formato ePub, que não podem ser lidos no Kindle.

E nós já mencionamos que aplicativos terceirizados permitem que o tablet faça milhares de outras coisas além de ler livros? Ou que talvez seja o melhor aparelho para relaxar e navega na Web? (O browser do Kindle é tão rudimentar que a Amazon ainda o chama de “experimental”, mesmo dois anos e meio após seu lançamento).

Por ultimo, os dois são aparelhos estilosos, mas apenas quem for um nerd extremo por tecnologia iria considerar comprar e usar ambos. E centímetro por centímetro e dólar por dólar, o iPad te dá um retorno melhor.

VEREDICTO: Para leitores eletrônicos e afins, é mais vantagem ter um iPad – a não ser que você esteja com um orçamento apertado ou seja um fã devotado da E-Ink.

iPad X revistas e jornais
O Kindle permite que você assine 58 revistas e 120 jornais, com entrega grátis via wireless. Mas a apresentação com texto é pouco atraente, que lembra a CompuServe dos anos 1990. Na teoria, o iPad deveria mudar tudo. Executivos de empresas jornalísticas – que começaram dando seu conteúdo na Web há 15 anos e desde então se arrependem – têm até  vertigem ao pensar sobre as novas possibilidades que o formato do tablet oferece.

O app iBooks e o aplicativo do Kindle para iPad não incluem revistas ou jornais, por isso cada editor de periódicos precisa descobrir o iPad por si mesmo. O software da revista Time enche a tela com fotos, faz com que você desça a tela para ver texto e coloca itens selecionados online em uma área separada. O GQ mostra slideshows com as imagens e “desliga” as legendas por padrão. Outras revistas – incluindo a PCWorld – estão disponíveis no tablet por meio do app Zinio, que diminui os layouts impressos para que caibam na tela menor do aparelho.

No entanto, nenhuma dessas abordagens melhora de forma decisiva a velha forma de ler as notícias no papel, uma tecnologia que ainda funciona lindamente para uma leitura apressada ou aprofundada. Mais ainda, alguns recursos de computador não conseguem igualá-la – assim como busca por texto completo – geralmente não disponíveis em publicações eletrônicas para o iPad. No Brasil, o aplicativo do Estadão também não tira proveito de recursos multimídia, tendo basicamente texto.

Três dos maiores jornais norte-americanos – New York Times, USA Today e Wall Street Journal – estão no iPad, e todos fazem, entre eles, os melhores trabalhos ao “traduzir” o papel para o formato digital. Eles se remodelam para as duas formas de leitura (retrato ou paisagem), habilmente costuram textos e fotos, e também não tentam se tornar muito espertos.

Mas os modelos de preços para essas versões eletrônicas, assim como as interfaces do usuário, ainda estão em progresso. E alguns tendem a cobrar um preço um tanto quanto alto. A revista Time cobra US$ 4.99 por edição, e cada cópia é um aplicativo separado. O acesso total ao Wall Street Journal sai por US$ 3.99/semana, mesmo que você já pague pela versão online ou impressa. O app Editor´s Choice do New York Times é gratis, mas não inclui todo o conteúdo.

É claro que, com algumas exceções, como o volume do Wall Street, a maioria do conteúdo dos apps está disponível gratuitamente pelo navegador do tablet, o Safari – normalmente atualizado mais frequentemente e com recursos extras, como a habilidade de postar comentários. Se os editores querem convencer os usuários a pagarem pelos periódicos do iPad, é preciso produzir materiais que sejam melhorias sobre  Web, e não apenas sobre a versão impressa.

VEREDICTO: O iPad tem potencial para fazer por revistas e jornais  o que o iPod fez pela música. Mas, em primeiro lugar os editores terão de criar produtos que aproveitem ao máximo a tela e a interface do tablet. Ainda não chegamos lá.

iPad X BlackBerry
Filmes, música e redes sociais estão todos muito bem nos aparelhos móveis, mas o clássico aplicativo móvel permanece sem glamour e valor: o e-mail. E os telefones BlackBerry da RIM ainda são sinônimo de e-mail móvel. Seria o iPad um substituto possível para esse aparelho? Definitivamente, não, se você é um viciado que checa suas mensagens a cada minuto.

O iPad é melhor utilizado quando você está sentado, e não se presta a rápida espiadas em sua caixa de entrada. Além disso, enquanto todo BlackBerry é um aparelho sempre com dados que fornece acesso ao e-mail em qualquer lugar que você tiver um sinal para celular, o iPad 3G será o único a igualar esse recurso. Com os modelos apenas Wi-Fi, você terá de caçar um hotspot ou investir em um roteador portátil, como o Mi-Fi.

No entanto, para um acesso ao e-mail relativamente sem pressa, o tablet funciona bem – e é mais rápido do que ligar um laptop e entrar no Outlook. A tela mais espaçosa e o teclado on-screen superam o BlackBerry para ler e escrever mensagens que sejam maiores do que um parágrafo, e os visualizadores de arquivo embutidos funcionam bem para checar documentos Office e PDF. Usuários do Gmail podem escolher entre o software Mail da Apple e o ótimo browser da Google, baseado em cliente Gmail, que lhe fornece acesso imediato para gygabytes de e-mails.

O app Mail possui algumas limitações. Por exemplo, enquanto você pode configurar múltiplas contas de e-mail, não é possível fundi-las em uma caixa de entrada, e você só pode ter uma conta Microsoft Exchange por vez.

Também não é permitido abrir arquivos anexados, com exceção das visualizações de arquivo e os próprio apps iWork da Apple. A empresa informa que irá corrigir esses problemas quando atualizar o software do tablet no outono americano (entre setembro e novembro). Além disso, esperamos que seja melhorado o recurso de busca, que não procura por mensagem de texto (checa apenas as linhas Para/To, De/From e Assunto/Subject).

VEREDICTO: Mesmo que você goste do app Mail, não ficará tentado a se livrar de seu BlackBerry. Ou de seu iPhone, ou Droid, ou qualquer outra aparelho de bolso para e-mail.

iPad X iPod  
Os céticos adoram criticar o iPad por ser, segundo eles, nada mais do que um enorme iPod Touch. Quando se fala de filmes e música, eles tem um pouco de razão – o tablet se parece muito com um Touch com uma tela maior, de quase 10 polegadas. Mas isso não é algo inteiramente ruim.

Para muitas pessoas – como as que escolhem o iPod Shuffle – apenas o peso do iPad é razão para eliminá-lo como uma opção para substituir o iPod. Um equipamento que não caiba no bolso ou possar ser preso não pode ser levado para dar uma volta ou ir à academia. Você pode até criar um caso dizendo que o respeitável Click Wheel, nos Ipods Nano e Classic, é superior aos controles on-screen do novo tablet para navegação por músicas (estranhamente, o app iPod para iPad não possui nem a clássica visualização da Apple das capas dos álbuns.)

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O iPad possui o app iPod para que você use o novo aparelho como uma espécie de rádio portátil.

Mas espere: com exceção do Shuffle, todos os iPods sempre tocaram tanto vídeos quanto músicas – e o iPad, com sua tela comparativamente enorme, se torna o melhor “iPod” para assistir filmes até o momento. É o primeiro que permite que duas ou mais pessoas assistam confortavelmente juntas, ao menos se estiverem próximas, como em assentos vizinhos em um avião. Na verdade, o novo tablet deve ser o melhor sistema de entretenimento para voos já desenvolvido, com bateria suficiente para te manter entretido de Nova Iorque até Atenas. E aparelho pode servir como uma espécie de TV ou rádio portátil – seu alto-falante embutido pode ser mono, mas é alto e claro.

Quando o assunto é conteúdo, o iPad te dá tudo que você pode conseguir em qualquer iPod, e mais um pouco. E mesmo que você não queira comprar nada do iTunes, muitas coisas, para ouvir e ver, estão disponíveis, graças aos ótimos apps da ABC, Netflix, NPR (National Public Radio), e outros.

VEREDICTO: O iPad não é um substituto do iPod – é na verdade um bicho diferente. Mas, nos seus próprios termos, é um dos melhores aparelhos de entretenimento desde o iPod original.

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