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Testei a eficiência do firewall da minha empresa e ele falhou

Usuário inexperiente conta como foi que aprendeu a instalar e configurar um software que, na teoria, não poderia funcionar.

Anônimo

17/03/2008 às 15h46

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no_icq_150Este fato é verídico e ocorreu em 1998. Sou advogado e, naquela época, eu não tinha conhecimento algum de computadores; nem mesmo ligar uma dessas máquinas eu sabia.

Mais ou menos no mesmo período, recebi uma proposta financeiramente irrecusável para mudar de trabalho. Aceitei. Eis que, para minha surpresa, no primeiro dia no novo emprego, encontro, reinando, um suntuoso computador.

Por nada nesse mundo eu deixaria transparecer minha ignorância quanto àquele objeto misterioso e, numa atitude extrema, resolvi que faria o possível para aprender sozinho como mexer naquilo. E o aprendizado teve de ser rápido. Os meses passaram e acabei gostando do brinquedo, quer dizer, do computador.

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Fiz amizade com o pessoal de informática da empresa e, durante minhas visitas ao ‘fumódromo’, aproveitava para tirar algumas dúvidas e ouvir sobre o que falavam.

Um dos temas mais discutidos por eles era sobre um tal de “firewall”. Mostrando interesse crescente, mas sem deixar transparecer, consegui que, determinado dia, um dos gerentes da área resolvesse me explicar o que significava essa palavra.

Um belo dia, já me sentindo totalmente confortável com aquele aparelho, resolvi instalar o ICQ, um verdadeiro modismo da época. Tanto fiz, mexi aqui e acolá e nada. Mas não ia desistir. Por fim, o programa foi instalado e funcionava que era uma beleza.

Tempos depois, novamente no ‘fumódromo’ e na maior inocência, comentei com meus amigos de informática que havia instalado e estava usando o tal programa no meu PC.

Meu interlocutor, um rapaz chamado Jorge, ficou branco e podia jurar que estava à beira de uma parada cardíaca.

Pálido e de olhos quase a saltar das órbitas, perguntou: “O quêêêêê????”. Repeti o que havia dito e ele me falou que era impossível eu ter feito isso.

Disse-me que o firewall que eles haviam instalado, um produto de última geração, cheio de recursos e que havia custado uma pequena fortuna, jamais permitiria que um usuário o instalasse e muito menos utilizasse tal software para conversar pela internet.

Sem entender muito bem o motivo de sua reação, eu apenas argumentei que apesar de alguma dificuldade inicial, não só havia instalado como usava freqüentemente tal programinha. E mais: que funcionava perfeitamente bem no meu computador.

++++

no_icq_150O gerente não disse mais uma palavra sequer e saiu correndo em direção ao CPD, visivelmente preocupado. Acredito que tenha ido conversar com seus pares a respeito do tal firewall.

Dois ou três dias mais tarde, voltei a encontrá-lo no lugar de costume. Ele me chamou de lado e, num tom de voz muito baixo, me pediu para não comentar com ninguém sobre aquele assunto do ICQ.

Contou-me que, após uma análise detalhada do famigerado Firewall, a equipe de TI havia descoberto inúmeras brechas na segurança e que aquilo deixava a empresa – sua rede, servidores, PCs e sistemas – extremamente vulnerável a ataques internos e externos. E que eles estavam trabalhando para resolver aquilo.

Bom, até aí tudo bem, não fosse aquela empresa um banco e o problema ter sido ‘detectado’ por um usuário comum dos computadores de lá.

Jorge me disse ainda que uma falha como aquela poderia acarretar o vazamento de informações e a perda de altíssimas somas em dinheiro do banco. E o que é pior, sem a menor possibilidade de rastreamento.

Pois é! O tal firewall foi consertado e vieram me informaram que jamais poderia usar o ICQ novamente.

Acontece que, mesmo depois disso, consegui reinstalar o software e continuei a usá-lo, secretamente, por vários anos, com firewall consertado e tudo. Mistérios da informática.

Se você teve alguma experiência interessante, curiosa ou engraçada relacionada à tecnologia no trabalho, escreve para emoff@idg.com.br. Os casos selecionados serão publicados e o autor, que terá seu nome mantido em sigilo, ganhará um memory key.

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