Trump culpa videogames por tiroteios nos EUA

Não existem provas, mas casos recentes trouxeram a discussão de volta à tona

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No último final de semana, o Estados Unidos foram, mais uma vez, palco para dois tiroteios em massa. Com a recorrência da situação, surgem inúmeras discussões em torno de qual seria a causa para tamanha violência e, de novo, os videogames são apontados como os principais culpados.

Não é segredo para ninguém que os jogos eletrônicos são alvos de críticas desde o massacre em Columbine – mesmo que não existam provas concretas sobre a relação entre as duas coisas. Desde então, algumas tragédias foram, inclusive, associadas a jogos específicos, como quando o ativista Jack Thompson culpou o game Counter-Strike pelo tiroteio de Virginia Tech (2007), ou quando notícias falaram sobre como o atirador de Sandy Hook (2012) jogava Call Of Duty e GTA.

Em vez de discutirem sobre o controle de armas, integrantes do governo apontam para os games como se eles fossem parte essencial para a ocorrência de qualquer massacre. “Temos de parar a glorificação da violência em nossa sociedade. Isso inclui os videogames horríveis e medonhos que agora são comuns. Hoje é muito fácil para jovens problemáticos cercarem-se de uma cultura que celebra a violência. Precisamos parar ou reduzir substancialmente isso, e isso precisa começar imediatamente”, disse o presidente Donald Trump em discurso nesta segunda-feira (05).

Até mesmo no ano passado, quando, em fevereiro, um tiroteio deixou 17 mortos e 15 feridos na escola Stoneman Douglas, Trump culpou os videogames. No entanto, estudos não encontram indícios de que haja, de fato, uma ligação entre o comportamento violento dos indivíduos e os jogos eletrônicos. Pelo contrário, relatórios apontam para a violência doméstica constante como um melhor indicador de atiradores em massa e para os lançamentos de games como amenizadores de crimes no geral.

Enquanto líderes, como Kevin McCarthy – político republicano que serve na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos –, falarem que os videogames “desumanizam os indivíduos”, o real problema continuará sem uma solução efetiva.

Basta verificar os dados para perceber que os massacres são uma disfunção característica dos Estados Unidos, visto que, até o atual período de 2019, o país teve mais tiroteios do que dias no ano. Focar as críticas nos jogos vai deixar a saúde mental e o controle de armas em segundo plano.

Fonte: The Verge

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