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TV móvel ainda não cabe no bolso do mercado brasileiro

Para empresas, serviço pelo celular só será adotado pelos brasileiros quando se mostrar viável economicamente. Para todos.

Evelin Ribeiro, do IDG Now!

12/08/2009 às 16h43

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O celular pode ser o responsável por levar a TV por assinatura às massas, afirmou o gerente de desenvolvimento de novos negócios da Qualcomm, Luciano do Vale, durante um painel sobre a “TV paga de bolso”, no congresso da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) nesta quarta-feira (12/8). “Acreditamos muito nesse mercado porque os brasileiros veem televisão  com muita intensidade e, em nossas pesquisas, a possibilidade de ver TV está no topo dos recursos que eles mais buscam no celular”, diz o executivo.

Segundo panorama global do mercado da chamada TV de bolso, apresentado pela Qualcomm, no Japão, nove em cada dez celulares vendidos atualmente oferecem
serviço de TV e que 40% dos usuários o utilizam o serviço que, naquele
país, é gratuito.

Para a vice-presidente executiva da empresa para América e Índia, Peggy Johnson, nos Estados Unidos, onde as operadoras cobram em média 15 dólares mensais pelo serviço de TV móvel, os usuários que possuem celulares compatíveis com o serviço veem mais TV por meio dele do que pela internet. Na média, os norte-americanos veem quatro programas completos por semana no celular.  "Isso mostra que, se fosse oferecido todo o conteúdo da TV no aparelho, eles  o assistiriam”.

Conteúdo segmentado
O diretor de desenvolvimento de novos negócios da Band, Luis Renato Olivalves, afirma que a emissora acredita no vídeo portátil e que ele já é uma realidade no qual tem trabalhado com aparelhos 2G e 3G. Mas a demanda ainda é pequena e a interface dos aparelhos atuais, inadequada, atrapalha a adoção.

Olivalves conta que foi realizado um teste no exterior com uma empresa parceira para a transmissão ao vivo de programas de conteúdo adulto, mediante pagamento com cartão de crédito. "A demanda foi descomunal. Por essa razão vamos continuar investindo”, afirma, ressaltando que o  foco de desenvolvimento da Band será em smartphones como iPhone e BlackBerry, além dos equipamentos da Nokia, com quem a emissora tem feito estudos sobre a oferta de TV móvel.

Questão de bolso
Para a diretora de mídias digitais e novos negócios da MTV, Sandra Jimenez, o principal desafio da televisão móvel é encontrar um modelo de negócios adequado. Segundo ela, além dos aparelhos compatíveis com o serviço serem caros no Brasil, não se pode esquecer que 84% dos usuários de telefonia móvel estão na modalidade pré-paga. "Se houver tecnologia que permita levar a televisão para o aparelho, precisaremos negociar a melhor forma para esse público acessá-la”, diz.

Há quem aposte em um modelo híbrido para o sucesso do serviço. “Oferecer conteúdo gratuito, de TV aberta (free-to-air) é importante
para estimular a  adoção da massa. Mas quem sustenta o modelo é o
serviço de  televisão paga e as possíveis ofertas adicionais, como a
interatividade”, explica o presidente da Participe TV, Alberto Blanco. A Participe TV é um projeto responsável por desenvolver tecnologias de transmissão para levar a televisão à plataforma móvel.

Blanco, que já foi executivo da Telemar, acredita que, só depois da definição de um marco regulatório, a TV móvel terá condições de se disseminar pelo País . “As operadoras só entrarão nesse mercado se houver um modelo interessante e lucrativo para elas”.  Ele defende que a frequência usada hoje pelos canais UHF seja destinada para a entrega de TV no celular, o que dependeria de aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). “Quando as operadoras ingressam num setor,  começam a oferecer subsídio para atrair público. Foi o que ocorreu quando elas abraçaram o 3G, para concorrer até com a banda larga fixa”, completou.

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