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Um ano depois, TV Digital tem baixa adoção e problemas de sobra

Ao completar um ano nessa terça-feira (02/12), TV Digital chega a 645 mil brasileiros com cobertura falha e equipamentos caros.

Guilherme Felitti, editor-assistente do IDG Now!

01/12/2008 às 19h40

Foto:

tv-digital_88.jpgO lançamento cheio de pompa e circunstância repetia à exaustão a qualidade da imagem como uma das vantagens. Um ano depois de entrar em funcionamento no Brasil, porém, o que mais se vê na implantação da TV Digital no Brasil ainda são fantasmas e chuviscos.

Ao completar seu primeiro ano de atividade no país nesta terça-feira (02/12), a TV Digital ainda enfrenta problemas de baixa cobertura no Brasil, altos preços de conversores digitais e a indefinição com o Ginga, middleware para interatividade que se tornou a “menina dos olhos” dos entusiastas do sistema.

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Pelos cálculos do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre, o primeiro ano da TV Digital brasileira atraiu cerca de 650 mil telespectadores, ao se tomar como base o número estimado de conversores (fixos ou móveis) vendidos durante o ano (150 mil).

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Ex-presidente do Fórum SBTVD, Roberto Franco defende que o número é tão bom quanto ou melhor que o primeiro ano de adoção do sistema em outros países, sem citar, no entanto, a quais mercados se refere.

O potencial entre telespectadores nacionais, não se duvida, é gigantesco: o mesmo Fórum calcula em 40 milhões de brasileiros prontos para comprar um conversor e aproveitar a imagem mais definida, a separação de canais de som e a interatividade dos programas.

A distância entre a realidade nacional e o potencial apresentado pelo mercado nacional mostram indícios de três principais razões: equipamentos ainda caros ao consumidor, cobertura avançando a passos lentos e frustração quanto à falta de interatividade.

Com o lançamento da transmissão digital em Salvador, marcada para essa terça-feira (03/12) a TV Digital fechará 2008 presente em oito cidades brasileira, concentrada principalmente em capitais da região Sul/Sudeste: São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Curitiba, Porto Alegre e Salvador.

Não bastasse a lentidão das filiais regionais em preparar tanto a infra-estrutura de transmissão como a produção de conteúdo em alta definição, a TV Digital teve sua chegada a outra capital adiada por motivos alheios à tecnologia: Florianópolis, que deveria receber o sinal no final de novembro, ficará sem sua estréia até que as enchentes e inundações em diferentes regiões de Santa Catarina sejam resolvidas.

Assim como outras promessas do Ministro das Comunicações, Hélio Costa, no assunto, a cobertura não andou como imaginado. Antes da estréia oficial em São Paulo, Costa previa que, até julho de 2007, a TV Digital chegaria a todas as capitais brasileiras para, a partir de dezembro, se aproximar de todas as “cidades-pólo” no país.

A promessa de Costa de trazer ao mercado nacional um conversor popular, que chegasse às prateleiras com preço perto dos 100 reais, se tornou mais próxima à realidade com o lançamento de dois aparelhos (da Proview e da Aiko) cotados em 300 reais, mas ainda está longe de se concretizar totalmente.
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Ainda que mais baratos que os modelos lançados logo após o começo da transmissão em São Paulo, disponíveis nas prateleiras por até 1.200 reais, os conversores citados têm preços sugeridos ainda duas vezes maiores que Costa havia prometido (entre 100 reais e 150 reais).

A justificativa do Ministério envolve a demanda: quanto maior for o interesse dos brasileiros, mais se fabrica aparelhos, o que impacta diretamente em seus preços. O que se vê, porém, é um círculo vicioso onde fica difícil reconhecer o ponto de estímulo.

A baixa adoção frente ao potencial do mercado nacional é ilustrada também em dados divulgados pela Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) para a venda de equipamentos que sintonizam a TV Digital.

O grupo estima que, entre os meses de dezembro de 2007 e de 2008, serão vendidos 490 mil equipamentos com capacidade de sintonizar o sinal em alta resolução, com vantagem para aparelhos que exploram o sinal móvel 1-seg – 180 mil celulares habilitados, mais 100 mil sintonizadores USB para computadores.

Mesmo com apenas dois modelos de celulares capazes de sintonizar TV Digital disponíveis no mercado brasileiro (o Samsung V820L e o Semp Toshiba CTV 41), o alto número do setor indica a presença consistente de modelos conhecidos popularmente como MP7.
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Orgulho dos entusiastas pelo sistema brasileiro, nem mesmo o middleware Ginga consegue se isolar da overdose de promessas não cumpridas que circundam o sistema brasileiro de TV Digital.

Envolto em discussões que o colocavam, inclusive, integrado aos conversores disponíveis quando o sinal fosse lançado em São Paulo, o Ginga foi sofrendo sucessivos adiamentos por motivos tanto, inicialmente, técnicos como, mais tarde, administrativos.

Franco explica que a falta de garantias claras de que determinados trechos do sistema estavam realmente disponíveis em código aberto, o que forçaria o pagamento de royalties, forçou os pesquisadores nacionais a reconstruir parte do middleware para evitar problemas financeiros no futuro.

A alardeada promessa de permitir a compra de produtos ou votação em enquetes em tempo real, em contraste aos sucessivos atrasos na finalização e às recorrentes promessas de lançamento do Ginga, faz com que muitos consumidores segurem a compra de um conversor para que, assim como o tradicional “efeito Apple”, não comprem um aparelho parcialmente ultrapassado em questão de dias.

A nova promessa sobre a cobertura da TV Digital no Brasil, feita pelo Fórum SBTVD, é levar o sinal para todas as capitais e Brasília até o final de 2009. Ao usar como parâmetro a overdose de datas e prazos já prometidos no processo, a TV ainda deve se tornar digital para uma parcela ínfima dos brasileiros em 2009.

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