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Um software “somente para seus olhos”

Será um MSN para James Bond? ICQ do Agente 86? AIM do Inspetor Clouzot? Conheça o VaporStream.

Computerworld/Canadá

02/06/2010 às 20h01

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Você se lembra dos óculos do agente Ethan Hawke, que se autodestroem depois de exibir um vídeo descrevendo sua "Missão Impossível"? Pois bem: o vídeo embutido pode ainda não estar disponível (até a edição desta matéria),  mas o recurso de autodestruição já figura na realidade dos cidadãos mortais.

O CEO da empresa norte-americana VaporStream, Joseph Collins, promete entregar para os usuários toda a confidencialidade de dados que desejam. É como estar conectado à Internet e não estar ao mesmo tempo.

Collins compara o VaporStream a uma conversa telefônica. Segundo o empresário, o VaporStream é um sistema de mensagens que não deixa qualquer registro do conteúdo das notificações. “É parecido com uma conversa pelo telefone”, afirma Collins. A solução permite ao usuário manter uma conversa (em texto), ler as mensagens, responder e pronto. Não fica nada para trás.

Uma aplicação para o VaporStream são negociações de cunho privado ou de conteúdo que nenhuma das partes gostaria de ver estampada na capa dos tablóides e jornais quando acordar no dia seguinte. Toda a negociação poderia ser feita pelo sistema e, quando chegassem a um acordo, o combinado seria confirmado em uma mensagem de e-mail tradicional; esta, sim, para ser acomodada em uma pasta e exibida aos acionistas como sinal de sucesso e competência dos negociadores.

O conteúdo das mensagens VaporStream não pode ser encaminhado para terceiros, copiado para mais de um receptor ou impresso. O texto é automaticamente apagado depois de lido; além disso, ele é armazenado na memória RAM, e pode desaparecer sem deixar qualquer rastro. Dados com criptografia de 256 bits e enviados via SSL reforçam a tecnologia.

Antibisbilhotice
Cabeçalho e corpo das mensagens não são exibidos na mesma instância, o que significa que, mesmo que alguém consiga capturar o que é exibido no display, lhe faltariam as informações de “quem escreveu” e “para quem mandou”, o que torna a informação virtualmente inútil.

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O servidor do sistema VaporStream Messaging Service (VMS) é nômade; muda de localização constantemente e responde pela tarefa de “rotear, transmitir, filtrar conteúdo chave, requisitar e apagar as mensagens” de todos seus usuários – explica o texto no site.

A estrutura do serviço está baseada nas cidades de Los Angeles, Nova York e Chicago; seus servidores rodam o serviço na memória RAM, o que dispensa o emprego de discos rígidos.

Aos usuários fica a opção de como preferem se conectar ao serviço. Seja com plugins para o Outlook (2003 e 2007), Lotus Notes ou aplicativos para mobile como iPhone, BlackBerry, e aparelhos equipados com o Windows Mobile. O VaporStream é passível de integração em servidores corporativos, responsáveis pela autenticação de usuários via serviços Active Directory ou Lotus Domino.

Modelo Saas
Baseado no modelo SaaS, o custo do serviço é de 7,50 dólares mensais por usuário; para usuários corporativos, o preço varia.

“O custo é um dos principais benefícios desse sistema”, afirma Collins. “O investimento de licenças para o MS-Exchange pode variar entre 5 e 10 dólares ao mês, e excluído desse cálculo encontram-se as despesas com servidores, backups, arquivos e manutenção”, completa.

Isso significa que posso dizer adeus ao meu email? Não, não significa. O ideal é usar os dois, dá a entender Collins. O VaporStream elimina mensagens de conteúdo específico e fica concentrado no que o usuário decidir.

O real valor do software fica evidente quando uma empresa enfrenta questões legais. Ao reduzir o volume de e-mails dentro de uma organização, o VaporStream reduz os custos com advogados.

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“Na eventualidade de uma ação legal, os custos relacionados ao escrutínio de informações digitais é imenso, e tudo irá depender de quanta informação há para ser examinada”, sublinha Joseph.

O sistema também providencia uma maneira conveniente de conduzir conversas privadas, ao mesmo tempo em que dispensa as pesadas camadas de criptografia. Uma das aplicações mais consistentes dentro do que foi apresentado por Collins é o caso das assistências médicas. Estas são obrigadas por lei a informar seus clientes de maneira segura e confidencial.

No Canadá
Outro país em que o VaporStream pode ter relativo sucesso é o Canadá. Por lá, os padrões de privacidade são bem mais altos que os atualmente vigentes nos EUA.

Há também as empresas que têm de oferecer aos funcionários uma certa privacidade, um ambiente em que negócios e a esfera privada não se misturam, e onde dados referentes ao negócio não sejam mesclados às informações de ordem privada.

“Na medida em que a aplicação do sistema não ferir qualquer preceito legal, o uso do VaporStream não configura qualquer ato ilícito”, afirma o analista da Info-Tech Research Group, Tim Hickernell. “Mas todo cuidado é pouco no ambiente das empresas”, avisa.

Hickernell enfatiza a importância que a solução pode ter no ambiente militar e farmacêutico, segmentos que dependem da segurança de suas informações.

“O que me preocupa são as empresas que acham que sistema é a solução definitiva para seus problemas e que as libera para agirem fora do legalmente permitido”, diz o analista, que adverte: “a ausência de registro do processo decisório não isenta as empresas pelas consequências de seus atos”.

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Para Hickernell, o ideal é que as empresas, que têm elevadas requisições de privacidade, mantenham suas reuniões secretas atrás de portas fechadas e, quando isto não for possível, que sejam realizadas conferências virtuais. “Em ciberconferências, tanto o áudio quanto o vídeo são transmitidos, e são poucos os softwares que, por padrão, possibilitam a gravação desses encontros. A interface mais apropriada para manter conversas de conteúdo restrito é um sistema de troca de informações em tempo real e, jamais, em plataformas assíncronas”, diz.

No caso de corretores de bolsas nos EUA, o VaporStream é de pouca utilidade, pois estes são, por lei, obrigados a manter registros de conversas telefônicas, e-mails, mensagens instantâneas e telefonemas.

O sistema foi desenvolvido em conformidade com as leis dos EUA, e deve estar preparado para ser grampeado a partir da expedição de um ordem judicial determinando o registro de conversações posteriores.

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