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Vencida a batalha, Blu-ray ainda não ganhou a guerra da alta definição

Memso após o fim da briga com HD DVD, video em alta definição ainda não decolou. No Brasil, preço alto é o problema.

Guilherme Felitti, editor-assistente do IDG Now!

18/02/2009 às 16h39

Foto:

bluray_1ano_88Um ano após a Toshiba agitar a bandeira branca e tirar o mercado de alta definição das mãos do HD DVD, o padrão Blu-ray enfrenta o estranho processo de ser o vencedor da batalha, ainda sem colher os louros da vitória.

Enquanto enfrenta a concorrência de serviços que levam vídeo em alta definição para a sala de estar pelo PC ou por set-top boxes, o formato de alta definição liderado pela Sony enfrenta outros rivais, mais cruéis, no Brasil: preços altos.

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“O Blu-ray continua sendo insignificante frente ao total de vendas de DVD. Os preços [dos aparelhos para o formato] caíram muito pouco para justificar uma corrida às lojas", explica Gisela Pougy, gerente de negócios da GfK.

Os dados da consultoria, compilados a partir de informações fornecidas por varejistas brasileiros, comprovam a análise: foram vendidos 5,6 mil players de Blu-ray no País em 2008, número irrisório frente aos 6,2 milhões de tocadores de DVD.

A vitória do Blu-ray sobre o HD DVD, anunciada pela Toshiba em 19 de fevereiro de 2008, após perder o apoio da Warner e dos varejistas Best Buy e Wal-Mart, inspirava a esperança de que as vendas do formato decolariam. Não foi efetivamente o que aconteceu, nem no mercado norte-americano e nem no Brasil.

Nos Estados Unidos, somente 1,7% das casas tem um player de Blu-ray, contra 26% daquelas que possuem serviços de TV de alta definição, segundo dados da Parks Associates divulgados no segundo semestre de 2008.

O motivo? Depois de derrotar o HD DVD, o Blu-ray tem de encarar outros rivais que levam conteúdo em alta definição para a sala do usuário por um investimento quase sempre menor do que a compra de um player e seus filmes.

Novos rivais
A popularização do Blu-ray enfrenta rivais que vêm das mais diferentes partes do setor de tecnologia. Há empresas de TV por satélite, como a DirecTV, que oferecem um vasto catálogo de canais ou mesmo filmes em alta definição pelo aluguel mensal de um set-top box.

Há também os serviços de streaming de vídeos em alta definição, como já faz a Netflix por meio do Xbox 360, da Microsoft, ou os aparelhos que conectam o conteúdo em HD do seu PC com sua TV, como é o caso do AppleTV.

Considerando que fabricantes de TVs como LG e Vizio já preparam o lançamento de televisores que fazem esse streaming sem que haja um aparelho separado no meio do caminho é possível perceber que a concorrência não deverá diminuir para o Blu-ray.

Já no Brasil, o formato não pode se queixar da mesma concorrência enfrentada nos Estados Unidos – o ainda prematuro mercado de venda de vídeos online no Brasil não tem, por exemplo, um serviço que ofereça conteúdo em alta definição.

Combine também a ainda restrita infraestrutura de banda larga brasileira com o fato de filmes em alta definição encontrados em redes de torrent variarem entre 5 GB e até 20 GB e perceba que depender apenas de downloads não é algo viável no cotidiano.

Círculo vicioso
O problema do avanço do Blu-ray no Brasil tem relação com preços, tanto em players como em títulos no formato.

Segundo a GfK, em dezembro, um player Blu-ray nas prateleiras brasileiras poderia ser encontrado por uma média de 1,5 mil reais, valor praticamente idêntico ao registrado no final de 2007.

Principal rival do formato de alta definição da Sony, o “ultrapassado” DVD pode ser levado para casa por até 100 reais, segundo Gisela. Entre os discos, um lançamento de Blu-ray sai por até 90 reais, quase o dobro da média de 50 reais pedida por novidades em DVD.

O Blu-ray no Brasil está envolvido em um círculo vicioso onde nenhum setor da cadeia, seja fabricante ou consumidor, dá o primeiro passo inicial para justificar uma penetração em massa.

A expectativa da indústria de baixar os preços após a definição do padrão vencedor para criar demanda entre os usuários não aconteceu, entre outros motivos, por efeitos advindos da crise econômica.

Com players e discos ainda considerados caros, muitos consumidores desistem de adotar o formato, o que faz com que as vendas de hardware e cópias não justifiquem para fabricantes e estúdios a montagem de players ou replicação de discos.

Produção local
Responsável pelo grupo que divulga o Blu-ray no Brasil, Wilson Cabral, diretor geral da Sony Entertainment, mostra-se esperançoso ao apontar que ambos os problemas poderão ser resolvidos em 2009. “Minha expectativa é que tenhamos a montagem de tocadores de mesa e a replicação de discos de Blu-ray a partir do segundo semestre”, algo que diminuiria consideravelmente o preço de ambos, analisa Cabral.

A opinião do executivo, porém, parece mais um exercício de otimismo que o registro de um movimento iminente no mercado brasileiro. Segundo ele, nenhum fabricante com tocadores Blu-ray demonstrou interesse claro em montar players por aqui.

Sem surpresa, a única empresa que monta tocadores Blu-ray no Brasil é a Tec Toy, que tem o aparelho com o preço mais acessível do setor: o DBR-700 pode ser encontrado por 1.199 reais.

Caso alguma fabricante se comprometa a fabricar, “o preço vai ficar abaixo dos 3 dígitos”, citando o exemplo da Gradiente e da Sharp na época da estreia do DVD – o preço relativamente baixo de ambas forçou gigantes como Sony a baixar também o preço de seus tocadores no começo da década de 1990 no mercado brasileiro.

A esperança de Cabral termina ao se analisar o atual cenário entre as fabricantes citadas: enquanto a Gradiente recorre ao BNDES para voltar a produzir TVs, a Sharp conta com apenas um distribuidor de seus produtos no mercado nacional. A produção local da Tec Toy, já em curso, parece não ter alterado os planos de empresas que têm players  de Blu-ray no mercado, como Sony, Samsung e Philips.

"A demanda ainda não é grande. Mas quem vem primeiro? O ovo ou a galinha?", sintetiza o diretor de franquias da  locadora 100% Vídeo, Carlos Augusto, buscando justificar o investimento da rede no aluguel de vídeos no formato. No mercado brasileiro de Blu-ray, a resposta não poderia ser mais retórica.

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