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Violência na web: 30% dos jovens já foram vítima

Pesquisa com mais de 10,5 mil alunos de 13 a 17 anos revela que 69% concordam que o anonimato da rede estimula as pessoas a se ofenderem.

Redação do IDG Now!

01/11/2010 às 15h26

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Pesquisa realizada pelo site Portal Educacional com mais de 10,5 mil alunos de 13 a 17 anos, de 75 escolas da rede particular de ensino de todo o país revela que 69% concordam que o anonimato da rede estimula as pessoas a ofenderem umas às outras, e 29% já fizeram algum comentário ou tiveram alguma atitude ofensiva com amigos ou desconhecidos na web. Nas respostas, 31% disseram que já foram vítimas de alguma forma de violência, 11% de preconceito e 15% já se sentiram mal em função de alguma agressão sofrida. Mais de 3% evitaram sair de casa, falar com alguém ou ir à escola por algum problema surgido na Internet.

"Os dados sobre o uso da Internet pelo jovem revelam uma série de comportamentos que merecem ser mais bem entendidos e discutidos. Como um espaço novo de relacionamento, ela exige uma série de cuidados e limites que não estão muito claros, nem para os próprios jovens, nem para os pais e professores", comenta Jairo Bouer, médico psiquiatra e coordenador da pesquisa. Segundo ele, não é o caso de impor limites e regras e controlar a vida dos jovens na Internet, mas sim mostrar os riscos que existem. "É importante que eles próprios aprendam a criar seus filtros e a lidar com essas situações de uma forma mais segura e responsável", diz Bouer.

Além disso, a rede também virou uma forma fundamental de conhecer e se relacionar com gente. Cerca de 60% dos jovens já utilizaram a web como forma de conhecer pessoas, sendo que, desses, 27% usaram as redes sociais; 38% já fizeram amigos na Internet que trouxeram para a vida real e 25% já "ficaram" com pessoas conhecidas por meio da rede. Ao se aproximar de um desconhecido, 97% dizem não confiar logo de cara em quem conhecem online - 44% admitem que poderiam marcar encontros reais, 32% seriam muito cuidadosos, 10% teriam algum tipo de cuidado, mas 2% não teriam maiores preocupações.

Outra ponto levantado no estudo "Este jovem brasileiro" é sobre a exposição dos jovens na Internet. As respostas revelam que 36% costumam postar comentários, e 71%, fotos; 7% já colocaram fotos ou filmes “mais ousados online”. Cerca de 35% não usam filtros para impedir o acesso a dados pessoais e quase 7% costumam ligar a webcam para desconhecidos. Muitos já enfrentaram problemas por causa dos conteúdos publicados na web: 17% no namoro, 11% na escola e 19% com os amigos. Além disso, 10% já enfrentaram problemas por causa de imagens ou posts publicados por outras pessoas.

Entre os participantes, 99% têm computador em casa, metade no próprio quarto, e 55% usam computador todos os dias, sendo que 40% usam Internet de 2 a 4 horas por dia durante a semana, mas 15% ficam conectados por mais de 8 horas. Nos finais de semana, o número de horas de conexão é maior, e as redes sociais (MSN, Facebook, Orkut) são a categoria mais acessada, o que sinaliza que muitos estão trocando horas de lazer e convivência com os amigos para ficar na frente do computador. Mais de 20% dos participantes avaliam que seu uso de Internet está acima do normal ou se consideram dependentes e 17% enfrentam conflitos com os pais por conta do excesso de uso.

O projeto também procurou checar se alguns tipos de comportamento na Internet poderiam estar potencializados em alguns grupos de jovens. A conclusão é que quem falta muito e vai mal na escola, tem problemas emocionais frequentes, relação péssima em casa ou pai e mãe que já faleceram, fuma, usa drogas ou bebe com freqüência, tem maiores riscos de exagerar no uso da Internet, passando noites em claros e criando dependência, de desenvolver comportamentos que coloquem em risco sua segurança, criem problemas de relacionamento com os amigos ou causem exposição indesejada, e ainda de fazer comentários ou agir de modo ofensivo. "Para os jovens que fazem parte de algum dos grupos citados, é uma boa ideia prestar mais atenção no próprio comportamento na Internet e procurar alguma forma de ajuda caso sinta necessidade. E o mesmo vale caso se perceba esse tipo de risco e de comportamento com um amigo", aconselha Bouer.

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