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Web designers podem preferir o Flash ao HTML5

Tecnologia da Adobe pode ser velha e insegura, mas profissionais apontam que será difícil superar o nível de detalhe das apresentações em Flash.

Peter Wayner, da InfoWorld/EUA

02/06/2010 às 20h39

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Em um dos cantos está o Adobe Flash, campeão inquestionável em entrega de conteúdo rico, do tipo capaz de tirar os internautas do tédio. No outro canto, o HTML5, um pobre provedor de conteúdo que, agora que ganhou um “5” depois do nome, está louco para provar que seus novos músculos e manhas serão mais que suficientes para dominar o mercado.

Vários críticos e pesos-pesados da indústria têm ajudado a desequilibrar essa luta, alardeando que a HTML5 é a nova campeã e classificando o Flash como “velho”, “frágil”, “inseguro”  e coisas piores. É fácil entender o porquê dessas reclamações e é fato que os novos recursos da HTML5 são bastante sedutores. Mas será que isto basta para apostar contra o Flash?

A HTML5 promete muitos recursos que até outro dia eram oferecidos apenas por plug-ins: armazenamento em disco local, exibição de vídeo, melhor renderização, desenho algoritmizado, e mais. Alguns deles já estão disponíveis agora, de várias formas. Mas a especificação HTML5 ainda ostenta o rótulo de ‘preliminar’ (draft).

Será que o interesse repentino e o apoio de empresas como Google e Apple serão suficientes para que a HTML5 vença? Bem, a batalha não acabou. Steve Jobs pode ter força suficiente para influenciar o resultado final, mas nem os tecnocratas nem os programadores são os juízes desse embate.

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A batalha real tem como campo os corações e os olhos dos artistas que são pagos para criar objetos incrivelmente belos no prazo de algumas poucas horas. Os designers terão a palavra final. Enquanto o Flash e seus primos Flex e Shockwave permanecerem como as ferramentas mais simples para produção de websites fabulosos, eles terão seu lugar na Internet.

Eis uma lista de sete razões pelas quais o Flash tem lugar garantido como rei do conteúdo rico na web, de acordo com artistas que trabalham com ele diariamente.

Razão 1: Resolução subpixel e antialiasing
Você quer uma borda ao redor de um bloco de texto renderizado por HTML e CSS? Bem, você pode escolher entre um pixel, dois pixels ou “n” pixels. A especificação permite números de ponto flutuante, mas os números fracionários são ignorados ou arredondados de formas diferentes por diferentes navegadores.

O Flash não só aceita números de ponto flutuante como usa as mesmas regras para desenhar linhas, caixas e imagens em todas as máquinas. Com algoritmos sofisticados de antialiasing e blending para renderizar linhas, o Flash dá a ilusão de que a tela oferece mais precisão do que realmente tem. O olho percebe a diferença, e é por isso que sites com Flash parecem melhores.

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Isso tem mudado gradativamente à medida que os navegadores começam a suportar o padrão Scalable Vector Graphics (SVG) e permitem que programadores JavaScript o misturem com objetos do tipo Canvas. Apesar de o SVG impressionar, ainda falta muito para que ele seja eficiente, culpa de todos os caracteres extras exigidos pelo padrão XML.

A compressão pode ajudar, mas ainda há algo de engraçado sobre a sugestão do SVG-Whiz de que os artistas deveriam “manter um olho no código gerado, para enxugá-lo manualmente onde for possível”.

Razão 2: O Flash supera o Canvas
Um bom modo de sentir o potencial do novo objeto Canvas da HTML5 é jogar algumas rodadas de FreeCiv, uma versão gratuita e de código aberto do clássico game Civilization. Os desenvolvedores implantaram todas as rotinas gráficas básicas usando HTML5 Canvas, e todas elas parecem funcionar bem. Qualquer um que assuma que o propósito principal do JavaScript na vida é verificar formulários de registro em páginas web ficará bastante impressionado.

Mas qualquer um que compare os resultados com games melhores em Flash, Shockwave ou AIR mostrará no rosto um sorriso amarelo. Muito do que é feito com Canvas impressiona, mas algumas vezes o código simplesmente não funciona ou se comporta de maneira errática. Alguns navegadores são rápidos e outros são lentos. Em um navegador, algumas operações são rápidas; em outro, elas se arrastam.

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Para complicar ainda mais a questão, nem todo navegador traz todos os recursos do mesmo modo, um problema que não deveria surpreender os desenvolvedores JavaScript. Tem havido grandes esforços de simplificação com bibliotecas intermediárias como Processing.js, mas mesmo estas não podem lidar com todas as combinações.

O Flash não está imune à complexidade trazida pela proliferação de sistemas operacionais e navegadores, mas ele tem lidado com isso por muito mais tempo. Quando o plug-in do Flash não trava, os resultados são elegantes, suaves e mais consistentes.

Mas há sinais de que a HTML5 chegará lá. Por exemplo, Smokescreen, que renderiza Flash nativo em objetos Canvas, ainda não funciona em IE ou Opera, mas é muito impressionante em outros navegadores.

Razão 3: As boas ferramentas do Flash
O mundo do desenvolvimento CSS, HTML e JavaScript tem estado por aí há tempos, mas ainda é difícil encontrar um ambiente integrado de desenvolvimento que produza aplicações web sofisticadas. Há soluções como JackBe e algumas ferramentas web decentes, mas essas se destinam principalmente à construção de aplicações de negócios, que serão preenchidas com dados. Elas não o ajudarão a fazer grupos de sprites dançar pela tela, seduzindo o leitor – ou, melhor dizendo, espectador.

As ferramentas da Adobe, como a Flash Builder, e a interminável faixa de acessórios de design na Creative Suite têm facilitado bastante o trabalho nos últimos anos. Certo, é uma lista estonteante de aplicações, e muitos custam uma fortuna, mas os verdadeiros artistas sabem como fazê-la produzir.

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A concorrência mais forte vem de bibliotecas Ajax, como jQuery e Dojo, que tem sido maravilhosamente férteis nos últimos anos, integrando os esforços de uma ampla variedade de colaboradores. Há algumas ferramentas que suportam tais bibliotecas, mas muito do trabalho ainda é feito pela codificação manual em JavaScript.

Um designer que pediu para não ser identificado por causa do relacionamento de sua empresa com Adobe, Apple e outras companhias disse que, apesar de sentir que o Flash estava “velho”, ele considera as ferramentas da Adobe essenciais. “Se a Apple quer matar o Flash, deveria começar construindo ferramentas que o substituam”, disse.

A Apple não pode fazer muito. A Adobe está aumentando sua aposta e construindo suporte à HTML5 no Dreamweaver, para que você possa continuar a usar as ferramentas da Adobe e usufruir de sua flexibilidade.

Razão 4: As fontes superlegais do Flash
O mundo das fontes para a web está ficando melhor. Há mais e mais opções além do Verdana, e novos frameworks tais como Web Open Font Format e WETF, da Microsoft, parecem atraentes. Mas eles ainda estão em sua infância. O Flash permite que os designers embutam fontes em suas páginas de modo controlado, o que torna possível aos desenvolvedores de fontes atender ao mercado web.

Faz algum tempo que a Adobe tem dado emprego a criadores profissionais de fontes e comercializado seus trabalhos. A empresa tem se aproximado amigavelmente dos criadores de fontes e, assim, abre caminho para que alguém inclua uma nova e bela fonte em sua apresentação, ao mesmo tempo que estimula o ganha-pão do criador de fontes. O licenciamento pode ser confuso ou complexo – por exemplo, a ITCFonts lista quatro opções – mas os designers de fontes geralmente recompensam a Adobe com seu melhor trabalho.

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A Adobe também tem integrado, ao Flash, tecnologias de seus outros produtos. Algoritmos do sofisticado motor de layout de texto do InDesign agora estão disponíveis no Flash, quando fontes outline são embutidas na apresentação.

Razão 5: Flash: faça uma vez, veja em qualquer lugar
Isso não é exatamente verdadeiro. Steve Jobs poderia não ter atingido seu alvo se o Flash fosse livre de erros no Mac, mas o Flash ainda é um médoto relativamente novo para distribuir conteúdo para novos e vehos Macs e PCs com Windows, bem como para algumas versões de Linux. A Adobe gosta de chamar isso de “fidelidade perfeita de pixel entre navegadores e sistemas operacionais”.

Jennifer Taylor, diretora de gerenciamento de produto e soluções de mídia rica da Adobe, diz que apesar de a HTML ser boa para conteúdos que devem fluir para diferentes telas, o Flash se destaca ao oferecer estabilidade visual entre plataformas.

“O desafio para a HTML, enquanto mecanismo de entrega de conteúdo na web, é oferecer uma exibição padrão consistente entre um número crescente de navegadores diferentes”, escreveu. “Isto tem sido verdade desde o começo da HTML e ainda é verdade com os desenvolvimentos mais recentes. Assim a produtividade, expressividade, alcance e consistência (entre sistemas operacionais, plataformas e aparelhos) da plataforma Flash permanece entre as múltiplas atividades da comunidade web à medida que a HTML avança.”

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O formato Flash (SWF) é aberto, o que permite que outros criem arquivos SWF personalizados sem usar qualquer ferramenta Adobe.

A natureza de perfeição de pixel, contudo, não é necessária para todos os mecanismos. Usuários da HTML são rápidos em notar que a HTML pode refluir para telas pequenas e janelas com formatos diferentes, com facilidade. Designers que especificam layouts em nível de pixel produzem trabalhos frágeis.

Razão 6: O ecossistema comercial do Flash
Muitos usuários da Adobe Creative Suite amam seus plug-ins de terceiros tanto quanto os produtos da própria Adobe. Você quer acrescentar efeitos sofisticados à sua apresentação Flash? Dê uma olhada nas diversas opções comerciais de terceiros disponíveis, como FlashEFF.

O crescimento do interesse no desenvolvimento Ajax tem alterado este cenário. Por exemplo, esses 30 visualizadores de fotos e diálogos modais feitos em Ajax podem rivalizar com muitos criados pela comunidade Flash.

O trabalho do Ajax, no entanto, é quase todo de código aberto – uma grande vantagem para programadores que desejam entrar em nível de código, mas que nem sempre é relevante para artistas do JavaScript que gostariam de manter suas inovações para si mesmos. Isto é um efeito colateral da arquitetura web; embora o código JavaScript possa ser escondido por meio de minificação, ele ainda é relativamente fácil de piratear. Os efeitos Flash são compilados no SWF, o que torna muito mais difícil “tomá-los emprestado”.

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Razão 7: Os motores de jogos do Flash
Certo, o JavaScript tem “bibliotecas”, mas os desenvolvedores de jogos em Flash têm “motores”. E embora a diferença entre motores e bibliotecas caia no campo acadêmico, o que um programador com olhos vermelhos escolheria? Quando Bruce Springsteen escreveu a letra de “Born to Run”, será que ele parou por um momento, coçou a cabeça, e pensou em pedir à Wendy para apoiar as mãos em sua “biblioteca”?

A plataforma que um dia já permitiu a criação de versões retrabalhadas de clássicos do arcade dos anos 1980 agora oferece motores que entregam gráficos 3D, física do mundo real, e a onipresente integração com o Facebook. Graças a esses sistemas prontos para usar, construir um game casual leva muito menos tempo. Pode ser por isso que muitas empresas criam games com o objetivo maior de “publicidade” ou “educação”.

Uma produtora de sites dá uma dica do caminho que as coisas estão seguindo. Ela disse que o Flash em si mostrou-se um pouco chato, e ela manteve seu olhar para mais longe, no Shockwave e em outros avanços.

“Eu preferi o Director/Shockwave porque eu gostava do que podíamos fazer com ele”, disse ela. “O resultado final é mais interessante em termos visuais, e as interações são mais intrigantes. As animações são menos repetitivas porque as animações Flash são apenas repetição de sprites.”

Ela acrescentou: “O desenvolvedor com o qual tenho trabalhado tem um background em cinema. Ele prefere o Director/Shockwave e seu trabalho é realmente criativo”.

Essas são as pessoas que a HTML5 precisa conquistar.

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