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Windows Phone 7: coisas que a Microsoft deveria ter aprendido com a Apple

A Microsoft apresentou seu novo sistema operacional móvel; saiba o que a empresa de Steve Ballmer fez de errado em sua volta tardia ao mundo dos smartphones

Tom Kaneshige - CIO / EUA

13/10/2010 às 16h35

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A Microsoft precisava se arriscar e dar um salto na área móvel para refazer sua imagem de empresa  líder na área de tecnologia, mas, em vez disso, mostrou falta de destreza ao apresentar o Windows Phone 7 (WP7) na última segunda-feira, 11/10.

O evento careceu de representação, criatividade e novidades. O CEO da empresa, Steve Ballmer, chamou o WP7 repetidas vezes de “delicioso”, como se fosse um crítico de restaurante descrevendo um prato de aspargos com salmão, ou algo do tipo.

Foi assim que Ballmer apresentou o novo sistema operacional móvel da empresa: “o Windows Phone é um tipo diferente de telefone, um telefone que é realmente desenvolvido para tentar ser sempre delicioso, maravilhosamente pessoal, e ajudar as pessoas a entrar, sair e voltar para suas vidas.”

O que foi isso? No passado, a Microsoft criou vários produtos de sucesso ao jogar de maneira segura. Algumas outras vezes a empresa ficou "de lado" observando uma tendência emergente antes de pular na onda. A ferramenta de buscas Bing, de relativo sucesso até o momento, é um bom exemplo. Desta vez, a estratégia deu errado.

A apresentação de Ballmer ressaltou o quanto a Microsoft está atrasada no mercado de smartphones. O CEO anunciou que há milhares de aplicativos sendo desenvolvidos “agora” para o sistema – o que é risível, considerando que a App Store, da Apple, possui mais de 250 mil apps disponíveis atualmente.

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Novo Windows Phone 7, apresentado na última segunda-feira

No lado oposto da estratosfera está Steve Jobs, da Apple. É assim que ele descreveu o iPhone 4 há alguns meses: “ele é, sem dúvida, a coisa mais precisa e uma das mais belas que já criamos.” E depois Jobs continua falando de oito recursos chave do aparelho.

Será que alguém da Apple chegou a assistir a apresentação da Microsoft? Se a resposta for positiva, seguem abaixo três lições do evento do WP7 que a Apple deve usar como algo a ser evitado a qualquer custo:

O que é novo e o que é antigo?
O WP7 trará ao mundo dos smartphones música e vídeos, busca, e-mail conectado aoExchange, e-mail de terceiros, games, apps de redes sociais, uma maneira de agrupar aplicativos, e mais. Claro, o iPhone já tem todas essas coisas.

Estranhamente, o WP7 não terá os recursos de copiar e colar ou multitarefa em outros aplicativos que não sejam os fornecidos pela Microsoft. O iPhone, obviamente, já resolveu isso após sofrer críticas por não trazer esses recursos anteriormente. Ao não trazer esses recursos no WP7, a Microsoft não apenas parece atrasada no mercado como fica presa a essas limitações.

Como não dar uma festa
As pessoas escreveram livros sobre o domínio da Apple sobre a mensagem. Jobs dirige uma cultura de segredos e vazamento possivelmente planejados que funcionam para criar suspense como um ótimo livro policial. A história culmina em um evento da Apple que termina com o CEO sorrindo largamente para a plateia e dizendo as famosas palavras “E mais uma coisa”.

Então como a Microsoft conta uma história? Bem, ela revela tudo de especial sobre um produto meses antes do lançamento de verdade. Dessa maneira, as pessoas podem pensar se querem ou não comparecer ao evento.

No evento, eles se certificam de trazer alguns porta-vozes entediantes (como Ralph de La Vega, da AT&T, no anúncio do WP7), que podem dar ao público uma lição de história sobre toda a categoria do produto.

E, pelo amor de Deus, não gaste tempo valioso no palco mostrando o poder do produto, como a Apple faz com os games para iPhone. Em vez disso, mostre como customizar um avatar. Ou melhor ainda, traga uns caras do setor de hardware para falar sobre o sistema.

Mais uma coisa: certifique-se de que ao realizar um grande evento, você tenha nenhuma novidade de verdade para contar.

Uma mensagem simples, por favor
Repórteres são pessoas simples; nós gostamos de mensagens simples, especialmente quando o assunto é tecnologia complexa. Mesmo assim, a Microsoft continua nos torturando ao dificultar a mensagem de uma maneira que deixa mais perguntas do que respostas.

Caso em questão: os recursos únicos dos telefones WP7 pegam “toda a capacidade de serviços para Web e colocam isso na experiência do telefone”, disse o vice-presidente do programa de gerenciamento do telefone, Joe Belfiore. “Nós tentamos construir um design inteligente em que o telefone antecipa as coisas que você precisa.”

Mas a maior dúvida deixada sem respostas é: como o Windows Phone 7 vai competir com os rivais Android e iPhone?

A Microsoft não deu nenhuma razão clara para provar que o WP7 é uma escolha melhor de compra em meio a um abarrotado mercado de smartphones. O novo Windows Phone não parece ter melhores recursos de hardware nem, mais criticamente, de software (na verdade, ele possui muito menos).

Para ser justo, os telefones com WP7 terão uma melhor integração com o Windows Office e funcionarão melhor com servidores Sharepoint, o que pode ser mais atraente para empresas. Talvez a Microsoft planeje “amarrá-lo” com o Office – uma estratégia que já vimos muitas vezes – para convencer as companhias a comprarem telefones com o novo sistema. Mas, novamente, são os consumidores que compram smartphones, não as empresas.  Com os primeiros claramente do lado da Apple, além da chegada tardia do WP7 ao mercado, a companhia de Steve Jobs tem boas coisas para ensinar à Microsoft nessa área.

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